Cidades

CRIME ORGANIZADO

Paraguai já prendeu 15 por planos de resgatar líderes do PCC em presídio

Investigação aponta ordens dadas de Brasília, onde está preso Minotauro

RAFAEL RIBEIRO

18/02/2019 - 17h48
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A polícia paraguaia revelou nesta segunda-feira (18) que 15 pessoas, sendo uma delas uma mulher, já foram presas desde o último dia 7 acusados de participarem e organizarem planos de resgate de integrantes do Primeiro Comando da Capital, facção criminosa que controla o tráfico de armas e drogas na fronteira com Mato Grosso do Sul, presos na penitenciária de Pedro Juan Caballero, cidade vizinha a Ponta Porã. 

Telefonemas grampeados pelos paraguaios no país vizinho de lideranças da quadrilha apontam que as ordens para a ação vieram de Brasília (DF), cidade onde está detido Sérgio Arruda Quintiliano Neto, 33 anos, conhecido como 'Minotauro', principal chefe do PCC na região. 

Por meio de sua assessoria, o Ministério da Justiça informou que é impossível que a ordem tenha partido de dentro do Presídio Federal de Brasília, onde está Minotauro.

"Durante os 20 primeiros dias no Sistema Penitenciário Federal o preso não tem direito à visita social, apenas dos advogados constituídos. Além disso, ficam em cela de isolamento onde há espaço para o banho de sol individualizado dentro da própria cela", disse, em nota.

Marcos Willians Herbas Camacho, 51, o 'Marcola', maior líder da facção e transferido pelo Governo de São Paulo do Presídio de Segurança Máxima Estadual de Presidente Venceslau para a unidade federal  de Rondônia (RO) no último dia 13. 

O Correio do Estado revelou em 31 de janeiro que a cúpula da segurança pública de São Paulo, onde nasceu o PCC, temia justamente que retaliações, como ataques e tentativas de resgate de Marcola, viessem de integrantes do PCC sediados no Paraguai.

Dados do ministério público paraguaio, obtidos pela reportagem mostram que 11 operações já foram organizadas para desmantelar o agrupamento da quadrilha na cidade fronteiriça. Alguns dos planos descobertos envolviam até sequestro de aviões de carreira no país vizinho e explosões de bases das forças armadas locais para aquisição de armas de grosso calibre.

'Minotauro' após sua prisão, em Santa Catarina: antes da detenção, corrompeu agentes paraguaios para ter de volta seus três veículos de luxo

Segundo os dados, o principal nome do PCC detido pela polícia paraguaia é o de Júlio César Gomes, 28. Responsável pela interlocução da 'ala paraguaia' da quadrilha com as lideranças, está há um ano no país e agia como consultor de Minotauro. 

Fugiu para lá em julho de 2016, após obter o direito de responder em liberdade pela prisão em Ribas do Rio Pardo, quando foi acusado pelo Batalhão de Choque (tropa de elite da PM) de integrar quadrilha que levava veículos de luxo roubados em todo o Brasil para Paraguai e Bolívia.

A apuração das autoridades paraguaias começou após a descoberta de que cinco veículos de luxo apreendidos pela polícia local em operações que desencadearam na prisão de Minotauro em Santa Catarina desapareceram do pátio onde estavam. Nos grampos telefônicos, o traficante, ainda livre, negociava com funcionários públicos valores para facilitar a entrada de comparsas no local com a meta de resgate dos veículos.

Nos próximos dias, as autoridades paraguaias prometem enviar notificação ao ministro da Justiça brasileiro, Sérgio Moro, comunicando um possível uso de celulares pelos detidos do PCC em Brasília. Além de entregar relatórios de investigações e acertar a extradição dos detidos.

"O  Ministério da Justiça e Segurança Pública esclarece que, em 13 anos de existência do Sistema Penitenciário Federal, nunca houve entrada de aparelho celular, fuga, tentativa de rebelião ou de corrupção de agentes federais de execução penal", rechaçou o ministério, em nota.

O Correio do Estado apurou que o objetivo do Governo Brasileiro é interrogar também paraguaios para mapear os caminhos do tráfico, pedido que não deve ter resistência por parte das autoridades vizinhas.

À reportagem íntegrantes da cúpula da segurança paulista falam que a ameaça de ataques em série por todo o Brasil, incluindo MS, no chamado 'salve geral' da facção a seus integrantes, só não aconteceu até o momento pela dificuldade em comunicação por parte dos detentos, que desde a transferência de Marcola estão com visitas e banhos de sol restritos no sistema carcerário paulista.

"Pelo jeito está mais fácil falar com o Paraguai do que com o interior", brincou um policial militar do Serviço Reservado da Rota, tropa de elite da PM paulista, que permanece nas cidades que fazem divisa com MS em posição de alerta contra movimentações suspeitas.

Para evitar comunicação dos outros 20 líderes do PCC enviados por São Paulo para o sistema federal, o Governo Federal utilizou o Exército, que desde a transferência faz operações diariamente nas unidades de Roraima e Rio Grande do Norte, dando indícios de onde foram alocados.

*Matéria editada às 14h55 do dia 19 de fevereiro para acréscimo do posicionamento do Ministério da Justiça e correção de informações.

 

antídoto

Presidente da Santa Casa está entre presos em operação contra fraudes

Alir Terra preside o hospital desde o começo de 2023 e, conforme investigação do Ministério Público, somente em um ano os desvios foram da ordem de R$ 4,9 milhões

11/09/2026 11h01

Alir Terra  Lima está no comanda da Santa Casa de Campo Grande faz quase quatro anos

Alir Terra Lima está no comanda da Santa Casa de Campo Grande faz quase quatro anos

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Presidente da Santa Casa de Campo Grande desde janeiro de 2023, Alir Terra Lima é uma das seis pessoas presas durante a operação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) desta sexta-feira (11) para combater supostas fraudes milionárias no maior hospital de Mato Grosso do Sul. Somente no último ano teriam sido desviados R$ 4,9 milhões em dois contratos.

Além dela, segundo apuração do Correio do Estado, também foram presos Alessandro Dias Junqueira e Rinaldo Halme Romano, diretores administrativo e financeiro, respectivamente.

Também teria sido presa Monique Gregório, reposponsável pelos serviços de digitalização de todo estoque de prontuários,  que, segundo ela, era de quase 2 milhões de documentos. A previsão é que o processo fosse concluído entre três e quatro anos.

E o contratado para fazer esta digitalização é com uma empresa controlada Maurício Benitez, que foi levado à delegacia, mas não existe confirmação de que tenha tido a prisão decretada.

 Conforme o Ministério Público, esta digitalização custaria R$ 5,4 milhões em três anos. Já no primeiro ano, segundo o MPMS, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 milhão, já que os serviços não teriam sido executados e mesmo assim, pagos. 

No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde – empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande – com diversas empresas do mesmo grupo econômico, Duarte & Cruz.

Essas empresas, cujo proprietário, Paulo Duarte da Cruz, tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado.

Conforme o MPMS, somente no ano de 2025, a operadora pagou aproximadamente R$ 9,6 milhões para essas empresas, e gerou um prejuízo, no mínimo, segundo apurado até o momento, de R$ 3,5 milhões à entidade.

O advogado Paulo Duarte Cruz é outro que que foi preso, assim como Beatriz Lemes da Silva, diretora do plano de saúde da Santa Casa.  

Durante as apurações, constatou-se que os contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

O valor total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande permanece sob apuração no curso das investigações.

A operação contou com apoio operacional do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e com a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da OAB/MS.

Apesar da operação, o atendimento dos pacientes agendados para esta sexta-feira e daqueles que estão internados foi mantido normalmente. 

MINISTÉRIO PÚBLICO DE MATO GROSSO DO SUL

Justiça determina retorno de estuprador a sistema prisional após concessão de benefício sem análise

MPE recorre decisão que idoso cumpra pena por estupro de vulnerável em domicílio por suposto quadro clínico não comprovado e suposta superlotação em presídio

11/09/2026 10h30

Divulgação/MPMS

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Um homem, de 65 anos, condenado por estupro de vulnerável retornou a prisão em regime fechado, após o Ministério Público do Estado (MPE) recorrer a decisão anterior de cumprimento da pena em domícilio. O criminoso alegou ter problemas de saúde e cumpria pena em casa devido ao suposto quadro clínico.

Conforme o MPE, o homem foi julgado e condenado, e recebeu autorização para cumprir a pena em prisão domiciliar pelo prazo inicial de 180 dias. A condição foi dada em razão da idade do criminoso, quadro clínico de saúde e a superlotação do setor destinado a internos idosos.

No entanto, a concessão do benefício não foi devidamente justificada. De acordo com a sustentação no recurso do MPE, a regalia foi concedida sem a realização de uma perícia médica oficial que comprovasse a situação clínica do sentenciado e a impossibilidade de permanência no sistema prisional.

Ou mesmo que comprovasse uma grave condição que necessitaria do cumprimento em domícilio.

Além da ausência de exames comprovatórios, o MPE defendeu que a análise de concessão ou não do benefício deve ser feita em base de critérios técnicos e individualizados, de forma que a avaliação médica apresente resultados concretos de não haver outra alternativa se não a prisão domiciliar.

Para o órgão a posibilidade de atendimento médico durante o cumprimento da pena em regime fechado no sistema prisional, como ocorre com outros internos, deve ser priorizada dentre as medidas.

Em meio a sustentação do recurso ministerial, o órgão ressaltou que o setor do sistema prisional destinado a idoso é ocupado, em sua maioria, por custodiados condenados por crimes contra a dignidade sexual e há o acompanhamento médico para o quadro clínico daqueles que necessitam.

A decisão da Justiça então determinou que o sentenciado retorne ao regime fechado até a realização de uma nova análise médica oficial. A Promotora Bianka Karina Barros da Costa ressaltou a necessidade da avaliação profissional para verificar se o estado de saúde efetivamente impede a permanência do criminosos no local.

O MPE ainda defendeu que eventuais medidas humanitárias sejam analisadas caso a caso, com base em critérios técnicos e em conformidade com a legislação, considerando que o homem em questão, assim como outros, cumpre pena por estupro de vulnerável.

O Desembargador Jonas Hass Silva Júnior determinou que os requisitos eram suficientes para a concessão da medida de urgência. Ele observou que não houve perícia médica atual de comprovação do tratamento e como o MPE, destacou a necessidade de elementos técnicos que embase a substituição do regime fechado para a prisão domiciliar.

O magistrado também considerou que como houve uma análise anterior, é necessária uma comprovação de agravamento do quadro de saúde com avaliação especializada. E se necesário até nova análise, o encaminhamento para atendimento fora da unidade aconteça mediante escolta conforme legislação.

O recurso ministerial foi aceito integralmente e a decisão da Justiça assegura que eventual análise sobre a prisão domiciliar humanitária seja sempre precedida de avaliação médica oficial, para que futuras deliberações estejam fundamentadas em critérios técnicos e principalmente individualizados.

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