Especial Coronavírus (COVID-19) - Leia notícias e saiba tudo sobre o assunto. Clique aqui.

TEST DRIVE

Solitário mas conectado: Chevrolet Cruze Sport6 Premier

Único hatch médio de marca generalista vendido no Brasil, investe em estilo e “Wi-Fi” a bordo na versão “top” Premier
28/05/2020 10:40 - Luiz Humberto Monteiro Pereira/AutoMotrix


 

Na indústria automotiva, um segmento que não para de crescer é o de utilitários esportivos, que se espalharam por todas as marcas e atualmente compõem a maioria dos lançamentos do setor. Mas há outros segmentos em baixa e alguns aparentemente rumo à extinção. É o caso dos hatches médios, que há poucos anos rendiam belas disputas de mercado no Brasil e hoje vivem um indisfarçável ocaso. O Volkswagen Golf já dominou esse segmento, todavia, atualmente, só é importado na versão híbrida GTE, com preço de R$ 200 mil e vendas irrelevantes. Outro que já foi o “rei do pedaço” entre os dois volumes de porte intermediário era o Ford Focus importado da Argentina, onde deixou de ser produzido no ano passado. Solitário entre os hatches médios de marcas generalistas, resta o Cruze Sport6. Fabricado na Argentina desde 2012, o modelo da Chevrolet obteve este ano mais de 80% das minguantes vendas do segmento, com larguíssima folga sobre importados de marcas de luxo como o Mercedes-Benz Classe A, o Volvo V40 e o BMW Série 1, todos muito mais caros. Para não fazer feio frente a uma “concorrência” tão requintada, no final do ano passado, a Chevrolet apresentou na linha 2020 a versão Premier do Cruze Sport6. A nova configuração “top” traz reforços estilísticos e, principalmente, em conectividade – como já acontece em lançamentos mais recentes da marca, incorporando um chip 4G que permite rotear a internet na cabine.

Na linha 2020, o estilo frontal do Cruze Sport6 assumiu a nova linguagem visual da Chevrolet, com o logotipo destacado em uma barra cromada que divide as duas entradas de ar da grade, avançando no para-choque reestilizado. Na traseira, as lentes acrílicas e a disposição dos elementos internos das lanternas foram retrabalhadas para agregar uma assinatura luminosa em leds, com lentes de efeito tridimensionais. Um friso cromado na base da área envidraçada ressalta a linha de cintura elevada. As rodas aro 17 polegadas da versão Premier trazem desenho com acabamento diamantado na superfície e pintura escura na parte interna. Duas novas cores se juntaram à linha 2020 do hatch: Marrom Capuccino e Azul Eclipse – esse último, um tom profundamente escuro com sutis reflexos azulados, presente no modelo avaliado.

 
 

No interior, revestimentos em Jet Black/ Umber, que mistura tonalidade preta e castanha dos painéis, dos bancos, do volante e até do teto se misturam a partes em preto. Um botão passou a permitir a desativação do start-stop, que desliga o motor quando o carro para – em dias de forte calor, o sistema traz o “efeito colateral” de desligar também o ar-condicionado e deixar a cabine quente. O multimídia MyLink 3 ostenta uma tela de 8 polegadas com conexão Apple CarPlay e Android Auto, onde também são exibidas as imagens da câmera de ré de alta definição. Além do “Wi-Fi” nativo, outras “mordomias” disponíveis para a configuração Premier são o carregador sem fio para celular no console central, o sistema de estacionamento semiautônomo, o acionamento da ignição por controle remoto para prévia climatização da cabine, o sistema de som de alta definição e o banco do motorista com ajustes elétricos.

Mecanicamente, não houve alteração na linha 2020 do Cruze Sport6. Foi mantido o motor Ecotec Turbo 1.4 Flex, de 150 cavalos na gasolina e 153 cavalos no etanol, associado à transmissão automática de 6 velocidades. Em termos de tecnologias de segurança, a versão Premier traz um avançado sistema de frenagem automática de emergência com detecção de pedestres, além de alerta de ponto cego e assistente de permanência em faixa.  

O preço da configuração “top” do hatch parte de R$ 126.590, mas as cores encarecem um pouco mais. A sólida Branco Summit soma R$ 750, as metálicas Cinza Satin Steel, Preto Ouro Negro, Prata Switchblade, Marron Capuccino e Azul Eclipse acrescentam R$ 1.600 e a perolizada Branco Abalone agrega R$ 1.650 à fatura. Na ausência de concorrentes em sua faixa de preços, o modelo que efetivamente disputa os consumidores com o Cruze Sport6 está nas próprias concessionárias Chevrolet. Trata-se do recém-lançado utilitário esportivo Tracker, que também na configuração Premier e com nível similar de equipamentos, custa R$ 10 mil a menos. Pouca gente vai sozinha a uma concessionária comprar um carro. Normalmente, leva a família. E famílias – notadamente mulheres e crianças – quase sempre se sentem atraídas pelo charme aventureiro dos utilitários esportivos. Em uma espécie de “efeito gangorra”, a ascensão dos SUVs compactos ajuda a explicar o declínio das vendas de hatches médios.

 
 

Experiência a bordo

Como acontece em toda a família Cruze, o Sport6 preserva seu bom padrão de habitabilidade desde o lançamento, em 2012. Na linha 2020 e na versão Premier, o hatch vem bancos mais confortáveis, que contam com estilosas costuras pespontadas. O do motorista vem com ajustes elétricos, que facilitam bastante a tarefa de achar uma posição agradável para se dirigir. Com sua tela sensível ao toque de 8 polegadas, o multimídia MyLink 3 é bastante interativo e oferece navegação conectada.  

Uma atração à parte do Cruze Sport6 Premier é a conexão nativa 4G à internet, com um hotspot “Wi-Fi” que permite conexão automática para até sete dispositivos. É disponibilizada por chip da Claro soldado na placa de conexão do carro, o que impossibilita instalar um cartão de outra operadora. É preciso escolher (e pagar mensalmente) algum dos pacotes de dados disponíveis. O “Wi-Fi” utiliza-se da estrutura do OnStar, sistema de telemática avançado capaz de identificar que o veículo se envolveu em um acidente e contatar uma central para providenciar resgate automático, se necessário. Há também assistência na recuperação veicular em caso de roubo ou furto e apoio em caso de problemas mecânicos cobertos pelo Chevrolet Road Service.

 
 

Impressões ao dirigir  

Para quem não se acostuma com a posição elevada imposta pelos onipresentes utilitários esportivos, dirigir um hatch com o motorista instalado “à moda antiga”, mais próximo ao solo, é sempre uma experiência instigante. A configuração Premier do Cruze Sport6 é equipada com o já conhecido motor 1.4 turbo de 153 cavalos e o forte torque de 24,5 kgfm, bem dimensionado para o porte do hatch e suas necessidades de performance. Com trocas discretas e que até poderiam ser mais rápidas, a transmissão GF6 permite ao veículo oferecer bom desempenho, com velocidade final de 214 km/h e aceleração de zero a 100 km/h em 8,8 segundos. Como o modelo não conta com as aletas no volante para trocas sequenciais, quem prefere mudar as marchas manualmente pode fazê-lo na própria alavanca de câmbio. Um jeito, sem dúvida, bem menos lúdico em relação às chamadas “borboletas”, que ficam sempre ao alcance dos dedos.

O acerto de suspensão e direção é um pouco mais firme em comparação ao Cruze sedã, no entanto, o Sport6 também se caracteriza como um médio que favorece mais o conforto do que a esportividade. A dirigibilidade e a segurança na condução se mostram aparentemente confiáveis e a suspensão dá conta do recado sem vacilar, tanto em asfalto plano quanto em piso mais irregular. Mesmo em curvas fechadas e com uso intenso do pedal da direita, o modelo transmite a sensação de estar sempre equilibrado e na mão do motorista. Em termos de consumo, em sua categoria, o Cruze Sport6 Premier recebeu a nota A e ainda ostenta o selo de eficiência energética Conpet como o melhor entre os hatches médios – a ausência de concorrência do mesmo porte certamente empana um pouco o mérito da conquista. Na comparação geral com automóveis de todas as categorias, levou um B. O consumo da estrada ficou de 9,4 km/l com etanol e de 13,5 km/l com gasolina. Na cidade, bateu 7,6 km/l com etanol e 11,1 km/l com gasolina.

Ficha técnica

Chevrolet Cruze Sport6 Premier

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.395 cm³, turbo e injeção direta, flex. Tração dianteira

Diâmetro e curso: 74,0 x 81,3 mm

Potência: 153 (etanol)/150 (gasolina) cavalos a 5.200 e a 5.600 rpm, respectivamente

Torque: 24,5 (etanol)/24,0 (gasolina) kgfm a 2 mil e a 2.100 rpm, respectivamente

Câmbio: automático, 6 marchas

Dimensões: 4,45 metros de comprimento; 1,48 metro de altura; largura, 1,81 metro de largura e 2,70 metros de entre-eixos

Peso: 1.331 kg em ordem de marcha

Porta-malas: 290 litros

Suspensão: McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira

Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira

Direção: elétrica

Rodas e pneus: liga leve de aro 17 polegadas com pneus 215/50 R17

Preço: R$ 128.190 na cor Azul Eclipse do modelo avaliado

 

Felpuda


Figurinha começou a respirar aliviada, embora ainda esteja na corda bamba. Isso porque mudou de mãos o processo cuja sentença poderá mandá-la para casa definitivamente. Assim, pela “jurisprudência” com a qual o “analista” é conhecido, pode ser que o resultado seja bastante favorável, permitindo que a então desesperada pessoa continue com o assento em Brasília. Vamos ver!