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CORREIO VEÍCULOS

À sombra da pandemia

Maior parte das montadoras de automóveis instaladas no Brasil anuncia paralisação na produção por conta do coronavírus
26/03/2020 05:30 - Daniel Dias/AutoMotrix


Ao que tudo indica, a paralisação nas fábricas automotivas do Brasil devido à pandemia do coronavírus no mundo deverá ser total. Ninguém sabe ao certo por quanto tempo, quais serão os reflexos econômicos no setor e muito menos onde está a luz no fim do túnel – se é que ela existe – na maior crise planetária da saúde desde a proliferação descontrolada da Aids nos anos 80. “Com foco na segurança e na saúde dos familiares e funcionários das montadoras associadas à Anfavea, informamos que, em função do agravamento da crise gerada pelo Covid-19, todas as nossas empresas estão analisando e se preparando para tomar ações de paralisação das suas fábricas no Brasil, e discutindo caso a caso com seus respectivos sindicatos”, pronunciou-se a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), representante das montadoras com produção automotiva dentro do país. Em termos de vendas, o mercado sentirá o impacto nos resultados a partir de abril, pois o abastecimento das concessionárias para março já estava assegurado.

Todas as grandes fabricantes instaladas no Brasil anunciaram paralisação em suas unidades. Mas, por enquanto, a parada na produção de carros e de autopeças não é total, “Ou as empresas param até o próximo dia 30 ou nós paramos as empresas. Não adianta uma empresa parar e outra não, pois muitas fabricantes de autopeças fornecem para mais de uma montadora”, avisou o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que defende os empregados do maior polo automotivo do país. Líder de mercado no Brasil há quatro anos com a marca Chevrolet, a General Motors anunciou que dará férias coletivas para todos os seus empregados no país a partir de 30 de março. “A medida tem como objetivo ajustar a produção à demanda, já que a pandemia do novo coronavírus deve prejudicar toda a cadeia de consumo”, explicou a empresa em nota divulgada na último dia 18. Assim, as fábricas de São José dos Campos, Mogi das Cruzes, São Caetano do Sul (SP), Gravataí (RS) e Joinville (SC) – de motores e câmbios – ficarão paradas de 30 de março a 12 de abril.

A Volkswagen do Brasil comunicou suspensão de atividades de todas as suas unidades no país a partir do dia 23 de março por três semanas. Até o dia 30 de março, os empregados da área administrativa continuarão em trabalho remoto e os da linha de produção, em folgas administradas por banco de horas. A partir de 31 de março, os empregados estarão em férias coletivas por duas semanas. Ambas as medidas são parte das ferramentas de flexibilização previstas em Acordo Coletivo de Trabalho. O Grupo Volkswagen Argentina, em conformidade com os regulamentos emitidos pelo governo do país, anunciou a suspensão das atividades de produção para seus centros industriais em Pacheco e Córdoba, de 20 a 31 de março.  

 
 

Já a Fiat Chrysler Automóveis (FCA) iniciou no final da semana passada a diminuição gradual da produção em suas fábricas de Betim (MG), Goiana (PE) e Campo Largo (PR), tendo a paralisação total prevista para ocorrer até 27 de março. A retomada das atividades pode ocorrer em 21 de abril. Segundo a direção da FCA, a continuidade da produção no processo de redução gradual até a paralisação total se dará mediante rigorosas medidas preventivas já adotadas para garantir a saúde e integridade dos empregados.

A Ford suspenderá temporariamente a produção em suas fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e da Troller em Horizonte (CE), além da unidade de Pacheco, na Argentina. A medida entrou em vigor no Brasil em 23 de março. Na Argentina, será na quarta-feira, dia 25. De acordo com a marca norte-americana, a Ford vem tomando todas as medidas possíveis para reduzir o impacto do coronavírus, adotando o trabalho remoto, com exceção das funções críticas que não podem ser feitas fora das instalações da empresa. “A maior prioridade da Ford é sempre a segurança e o bem-estar de nossos empregados e parceiros. Essa ação adicional ajudará a reduzir o risco de disseminação do Covid-19, ao mesmo tempo em que potencializa a saúde dos nossos negócios durante esse período desafiador para toda a economia”, afirmou Lyle Watters, presidente da Ford América do Sul.

Enquanto a Renault do Brasil informa que suspenderá a produção no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), no período de 25 de março a 14 de abril, a Mercedes-Benz também anunciou férias para todos seus empregados das fábricas de São Bernardo do Campo, Iracemápolis (SP) e Juiz de Fora (MG) a partir do dia 30 de março. “A iniciativa foi feita pensando nos cuidados com todos os seus colaboradores e familiares e com o objetivo de prevenção ao Covid-19”, justifica a marca alemã. A empresa deverá ficar paralisada de 25 de março a 22 de abril. Para a Mercedes-Benz do Brasil, de quarta-feira (dia 25) até sexta-feira (dia 27), os empregados terão folga, a ser debitada do banco de horas. A partir do dia 30, a empresa entrará em férias coletivas de vinte dias. O retorno ao trabalho está previsto para 22 de abril, dependendo da situação no país.

A Hyundai fechou a fábrica em Piracicaba (SP) a partir da sexta-feira da semana passada (dia 20), com previsão de retorno das atividades para segunda-feira (dia 23). Por outro lado, a empresa informou que, conforme a evolução da doença, estuda algumas medidas a serem implementadas, uma delas, a antecipação de férias coletivas para os empregados.

A Toyota suspendeu a produção de suas quatro fábricas (São Bernardo do Campo, Sorocaba, Indaiatuba e Porto Feliz, todas no Estado de São Paulo) a partir do dia 24 de março com retorno previsto para 6 de abril. Conforme a direção da empresa, a Toyota continuará avaliando a situação momento a momento, seguindo as orientações das autoridades locais e, principalmente, colocando a saúde e o bem-estar de seus colaboradores e de seus familiares em primeiro lugar. A Honda Automóveis do Brasil comunica que, a partir da próxima quarta-feira (dia 25 de março), as atividades produtivas em Sumaré e Itirapina (SP) passarão por ajustes devido ao impacto da pandemia do Covid-19. A marca suspenderá a produção por vinte dias, até 14 de abril, podendo ser postergado para 27 de abril. Já na fábrica da Caoa Chery em Jacareí (SP), as atividades produtivas serão interrompidas gradualmente a partir do dia 23 até a paralisação completa no dia 27 de março.  

Entre as fabricantes mais tradicionais no país, a Nissan e a PSA Peugeot Citröen ainda não tomaram nenhuma decisão até o momento no que diz respeito à paralisação das atividades. A Nissan informou que sua fábrica em Resende (RJ), continua em operação, com medidas de prevenção, como reforço na limpeza, aumento dos pontos de higienização e distanciamento de mesas e cadeiras no refeitório. O pessoal de escritório passou a trabalhar remotamente. 

 

Felpuda


Dois pedidos de desculpas, de autorias diferentes, foram assuntos muito comentados nas redes sociais com críticas ácidas às suas declarações, até porque os envolvidos não só os usaram despropositadamente, como tiveram de voltar a eles para se redimirem. Um deles, inclusive, quase criou uma crise política da-que-las, o que obrigou seu pai, figurinha carimbada, a pular miúdo para colocar panos quentes sobre a questão. Essa gente!...