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Campo Grande - MS, segunda, 24 de setembro de 2018

CULTURA

Suplemento cultural: Pe. Angelo Jayme Venturelli, sacerdote, escritor e mestre

15 SET 2018Por José do Couto Vieira Pontes09h:00

Nos anais da gloriosa galeria dos filhos de São João Bosco, no Oeste brasileiro, avultam figuras humanas de incontestável valor, não só como sacerdotes de nosso divino mestre Jesus, como também mestres de incontestável sabedoria, oradores talentosos, escritores de destaque nacional, historiadores, músicos, e para glória do Cristianismo, elevando bem alto a missão da Igreja Católica, em todo o mundo, o martírio dos salesianos Pe. João Fuchs e Pedro Sacilotti, mortos pelos xavantes, no Rio das Mortes, ao norte de Mato Grosso, merecendo de outro grande salesiano, Pe. Antônio Cobalchini, que conheci pessoalmente, quando aluno do Colégio Dom Bosco, aqui em Campo Grande, a edição de uma preciosa obra intitulada “Heróis Autênticos”. Nessa plêiade, Pe. Angelo Jayme Venturelli.

Pe. Angelo era muito estimado, na sociedade e no Colégio Dom Bosco, onde ministrou inesquecíveis aulas, como professor de Matemática, Física, Química e Desenho, sendo dotado de admiráveis conhecimentos de Literatura e História.

De aluno, no Curso Científico, tornei-me seu grande amigo. Ele frequentava minha casa, sendo querido por todos, pela sua erudição e cultura geral.

Chegaram ao porto do Rio de Janeiro em 21 de novembro de 1933, sendo recebidos pelo Pe. Ernesto Carletti, superior provincial, cargo que assumira em Cuiabá, em 1932, passando essa grande figura do Catolicismo a ser chamado como “Grande homem e grande salesiano”. Chegaram, depois, ao Colégio Santa Rosa, em Niterói, sendo recebidos pelos padres salesianos Emílio Miotti e José Solari. Em seguida, rumaram para São Paulo, onde o Liceu Coração de Jesus era considerado o maior estabelecimento de ensino do Brasil.

Depois, Montevidéu, Rosário, Assunção, chegando em 31 de dezembro a Porto Murtinho, e, continuando a viagem, a Corumbá, em 5 de janeiro, sendo recebidos pelos padres Francisco Czapla e Félix Zavattaro, o primeiro diretor do famoso Colégio Santa Teresa, da cidade Branca.

No amanhecer de 14 de janeiro de 1934, chegavam a Cuiabá, cujo porto estava cheio de uma multidão festiva, ocasião em que a lancha soltava vibrantes e longos apitos.

Evento de grande beleza, entusiasmo e fé, foi, sem dúvida, a comemoração da Cidade Verde, dos cinquenta anos da chegada dos salesianos a Mato Grosso (18.06.1894 – 18.06.1944), com expressivas homenagens ao Presidente da República, e aos Interventores dos Estados, bem como às autoridades eclesiásticas, entre estas destacando-se D. Antônio de Almeida Lustosa, bispo de Corumbá e D. Vicente Priante, bem como o grande escritor e Arcebispo de Cuiabá, D. Francisco de Aquino Corrêa, fundador da Academia Mato-grossense de Letras, e patrono da cadeira nº 02 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, com sede em Campo Grande, sendo seu atual ocupante o notável escritor Padre Afonso de Castro.

No panorama do mais puro e acendrado sentimento cristão, avulta sempre a figura admirável do Pe. Angelo Jayme Venturelli.

Pe. Angelo, como todos o chamavam, pertenceu, ainda, ao Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul e à Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Recebeu o título “Honoris Causa” pela Universidade Católica Dom Bosco. Sua obra “Enciclopédia Bororo”, elogiada em todo o mundo, inclusive na distante Rússia, mereceu os mais calorosos encômios do grande antropólogo europeu Lévi-Strauss.
No dia 19 de maio de 2008, Pe. Angelo Jayme Venturelli partiu para a eternidade.

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