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POR DENTRO DA FESTA

Modelos "book rosa" e patricinhas dividem mesmo espaço em caça aos boleiros

Enquanto umas veem nos jogadores um negócio, outras buscam relacionamento sério

17 AGO 15 - 02h:00UOL

O figurino segue um padrão: quanto mais justo, curto e decotado, melhor. As meninas que costumam habitar os camarotes de jogadores em baladas pelo país parecem usar uniforme. Mas a aparente homogeneidade, na verdade, esconde histórias e ambições distintas. Enquanto umas veem nos jogadores um negócio - são garotas de programa atrás de clientes ricos -, outras buscam relacionamento sério: o objetivo é curtir, casar e ter um filho. Não necessariamente nesse ordem.  

Ser maria-chuteira virou um estado de espírito. E admitir isso deixou de ser um problema. Para chegar em um jogador de time grande, vale tudo, até táticas ingênuas como dar bola para o amigo menos atraente do atleta. Em casas noturnas, o mais comum é vê-las tentando convencer seguranças a liberarem a entrada na área VIP.

Um esforço que dificilmente surte efeito. São os próprios jogadores - ou seus amigos - quem escolhem e mandam buscar as moças para o camarote. Algumas casas noturnas facilitam essa dinâmica: possuem uma espécie de lista VIP que pré-seleciona quem tem "potencial" para ocupar os setores mais exclusivos. Não por acaso as mesmas garotas batem ponto em baladas distintas.

A prática é polêmica e rendeu recentemente uma investigação do Ministério Público de São Paulo. A Villa Mix, um dos principais redutos de boleiros na capital, entrou na mira da promotoria por supostamente privilegiar frequentadoras que se encaixam num determinado padrão de beleza.

"Tem muitas que se aproximavam de mim para chegar neles", reconhece uma ex-promoter de uma casa de São Paulo. Depois de viver um affair com um ex-craque da seleção, ela virou amiga de vários e, hoje, frequenta as festas promovidas por atletas - tanto nas baladas quanto as privês. Com uma mãozinha dela, muitas meninas acabam se envolvendo com boleiros. Não é comum dar em algo sério. Mas usam a exposição para se manterem ativas nesse círculo. 

A coexistência de garotas de programa e "patricinhas"  é regra e não costuma criar situações delicadas entre elas. As que buscam relacionamento não se importam em dividir espaço - e atenção - com as modelos que fazem o "book rosa".  Elas acreditam que podem "convertê-los".  

A química V*, de 25 anos, levou um caso com um jogador de um clube paulista por um ano na esperança que ele a pedisse em namoro. Não foi bem o que ocorreu. "Ele sumia, não dava notícias. Estava com outras. Depois reaparecia", relata a jovem, que se esconde no anonimato para "não se queimar". No fundo, ainda espera que ele mude de ideia. 

A discrição, aliás, é regra de ouro. E vale para os dois tipos de garotas. "Quem expõe propositalmente é limada do grupo", revela a comerciante D*, 31 anos. Dona de uma loja de roupas, ela frequenta baladas com jogadores há mais de cinco anos. Tanto tempo de relação não rendeu um namoro, mas garante, até hoje, convites para festas particulares em mansões em alguns condomínios de luxo da Barra da Tijuca, bairro na zona oeste do Rio.

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