Campo Grande - MS, terça, 21 de agosto de 2018

Lava Jato

Transações realizadas por empresas investigada somaram mais de R$ 103 bi

Desde 2015, foram vendidos 48 ativos

13 OUT 2017Por G117h:31

A operação Lava Jato foi um catalisador de grandes negócios no Brasil nos últimos 3 anos. As empresas que foram investigadas pela Polícia Federal venderam 48 ativos em transações que somaram mais de R$ 103 bilhões desde 2015, segundo levantamento do G1 a partir de estatísticas de fusões e aquisições da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e de operações divulgadas pelas próprias empresas.

Na lista de vendedores estão grandes empresas brasileiras, como Petrobras, J&F, Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS e BTG Pactual. Todas tiveram que colocar negócios à venda após ter seu nome envolvido de alguma forma na Lava Jato.
A temporada de vendas ainda não acabou: essas empresas tentam se desfazer de ao menos outros R$ 75 bilhões, segundo cálculos do G1 com base em planos anunciados.

A venda de ativos é parte do roteiro das empresas envolvidas nos escândalos de corrupção para se reerguer. A investigação trouxe uma crise de credibilidade para as empresas que afetou sua capacidade de conseguir crédito e manter as receitas.

Para complicar, a maioria desses grupos estava com endividamento elevado e comprometida com projetos futuros altamente dependentes de aporte de capital ou financiamento.

"A turma envolvida na Lava Jato teve e terá que entregar os anéis para não perder os dedos", resume o advogado especializado em fusões e aquisições Carlos Lima, sócio do escritório Pinheiro Neto.

Como razão para esse movimento, ele citou o alto endividamento das empresas, o crédito mais restrito e o compromisso que assumiram em pagar multas bilionárias definidas nos acordos de leniência.

"As empresas precisam de liquidez para enfrentar uma tormenta como essa. A primeira consequência para as empresas envolvidas na Lava Jato é que o crédito foi cortado no dia seguinte, uma vez que os bancos passam a estar impedidos de conceder novas linhas "

Troca de donos 

Dos quase 50 negócios cujo controle ou fatias trocaram de mãos, o caso mais emblemático é o da Alpargatas, que detém as marcas Havaianas e Osklen, e que em 2 anos já esteve sob o comando de 3 diferentes donos.

No final de 2015, quando as construtoras estavam no centro dos escândalos de corrupção, a Camargo Corrêa vendeu o controle da Alpargatas para a J&F, da família Batista, por R$ 2,66 bilhões. A venda foi assinada dois meses após a Camargo fechar um acordo de leniência.

Em 2016, os donos da JBS desembolsaram mais cerca de R$ 500 milhões para elevar a participação na companhia. Mas, este ano, os irmãos Joesley e Wesley Batista é que tiveram que vender seus negócios para fazer caixa e conseguir suportar a maré negativa depois de fechar um acordo de delação premiada.

Em julho deste ano, a J&F vendeu sua participação de 54% da Alpargatas para a Itaúsa, Cambuhy Investimentos e Brasil Warrant, grupos que têm como acionistas a família Moreira Salles, por R$ 3,5 bilhões.

Mas o maior negócio até o momento foi a venda da Nova Transportadora do Sudeste - NTS (rede de gasodutos da Petrobras) para a canadense Brookfield, por R$ 16,7 bilhões. Em seguida, está a venda da Eldorado Celulose e Papel, pela J&F, para o grupo holandês Paper Excellence, por R$ 15 bilhões.

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