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CÂMARA MUNICIPAL

Tempo de políticos no celular chama atenção durante sessões

Vereadores ficam focados nas redes sociais
20/06/2019 09:00 - EDUARDO PENEDO


 

Todo mundo sabe que celular facilita a vida de qualquer pessoa, seja com aplicativos de banco, redes sociais e troca de informações em tempo real. Mas será que deixar de usar o aparelho por duas horas poderia causar tanto estrago na vida dos vereadores de Campo Grande?

Pois basta olhar as fotos oficiais da Casa de Leis ou assistir a transmissão ao vivo das sessões para perceber que os parlamentares vivem com o celular na mão. Muitas vezes se perdendo nos ritos por estarem distraídos com o telefone.  

Um exemplo foi a sessão de terça-feira (18), a última antes do feriado de Corpus Christi, onde foi entregue o relatório da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) à Mesa Diretora. Apesar do assunto importante, os vereadores estavam mais preocupados com o celular do que prestar atenção na sessão, onde nove projetos foram aprovados e foram mantidos quatro vetos do Executivo. 

Dia importante? Pois para se conseguir a atenção dos vereadores, era necessária muita oratória. Ou que o assunto tivesse muito interessante.

Em uma véspera de feriado, antes das votações, o  presidente do Conselho Regional de Química local, Luiz Miguel Skrobot Júnior, foi convidado pelo presidente da Casa, João Rocha (PSDB), para falar sobre o Dia Municipal do Químico e os 150 anos da tabela periódica. O tema, entretanto, não pareceu muito interessante aos parlamentares. Sequer foram necessários os dez minutos de discurso a que o visitante tinha direito. Logo no primeiro, nove dos 12 vereadores presentes preferiram seus celulares.   

A sessão analisada pelo Correio durou duas horas e 28 minutos. Três vereadores usaram a chamada 'palavra livre' no plenário. Mas, enquanto Eduardo Cury (SD), Betinho (PRB) e Chiquinho Teles (PSD) discursavam, seus colegas conversavam e riam. Claro que entre entre a quase obrigatória leitura das redes sociais. Facebook, Instagram e WhatsApp eram mais importantes. E para isso vale qualquer tática. Uma delas é encaixar o celular no aparador da mesa. A artimanha esconde o aparelho quando os parlamentares estão sentados. Tornando livre a distração. 

Com direito a muitas 'live' e 'selfies', os parlamentares campo-grandenses se esbaldam entre uma conversa ou outra com colegas e, claro, a aprovação de projetos essenciais para a cidade. O uso quase que constante impressiona quem se propõe a acompanhar os trabalhos na Câmara. Como o professor Eduardo Ribeiro de Farias, 38 anos, quase um especialista em repreender o uso do telefone no cotidiano por conta do ofício.

“Eu vim três vezes aqui na sessão. E fiquei impressionado o quanto eles vivem no celular. Eu na sala de aula não deixo meus alunos mexerem e aqui você percebe que parece ser mais importante atender o telefone e mexer no celular do que assistir e participar da sessão”, avaliou Farias.  

O comerciante Willian da Silva Villalba, 40, é mais solidário com os vereadores. Para ele, a atitude dos parlamentares faz parte da atividade deles. “Eu sempre os vejo pendurados no telefone, mas eu acho que eles estão falando com os assessores ou com os secretários para trazer melhorias para a cidade. Pelo menos eu espero que eles não estejam brincando no celular”, afirmou.  

Parece que os vereadores não fogem à regra do restante dos brasileiros que, segundo estudos, passa mais de três horas por dia usando o celular. A média colocou o País em quinto lugar no ranking global de tempo dispendido com o aparelho. 

O dado é do relatório Estado de Serviços Móveis, elaborado pela consultoria especializada em dados sobre aplicativos para dispositivos móveis App Annie, considerando um dos mais completos do mundo.  

Indo na contra-mão dos vereadores de Campo Grande, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), eleito por grande força de mobilização nas redes sociais,  adotou regra na qual proibiu o uso do aparelho durante reuniões ou despachos com ele. O confisco dos aparelhos é uma medida de proteção usada não só em seu gabinete, mas em todas as reuniões das quais tem participado. Proteção não só contra vazamentos, mas também para evitar distrações como as do Legislativo municipal.

Confira o vídeo:

*Matéria editada às 10h01 para acréscimo de informações

Felpuda


Sindicalista defende o fim de mordomias e privilégios dos políticos e dos integrantes de outros Poderes, conforme divulgação feita por sua assessoria. Para ele, está na hora de se colocar um basta nessa situação, questionando, inclusive, o número de parlamentares e de assessores. Entretanto, não demonstra a mesma aversão por aqueles dirigentes de sindicatos que se perpetuam no poder e que comandam mais de uma entidade, assim como ele. Afinal, o exemplo deve vir de casa, né?