Campo Grande - MS, domingo, 19 de agosto de 2018

R$ 51 milhões

Proprietário de apartamento liga
irmão de Geddel a 'bunker'

16 OUT 2017Por FOLHAPRESS22h:00

O dono do imóvel que abrigava a fortuna de R$ 51 milhões atribuída ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PDMB), Silvio da Silveira, afirmou à Polícia Federal que entregou nas mãos do deputado e irmão de Geddel, Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), no início de 2016, as chaves do apartamento onde o dinheiro foi encontrado.

A administradora do prédio em Salvador, Patrícia dos Santos, em depoimento à PF, confirmou as informações.
Silveira disse à polícia que tem relação de amizade com Lúcio há dez anos.

Os depoimentos de ambos foram alguns dos elementos da investigação que embasaram as buscas no gabinete e nas casas do irmão de Geddel em Salvador e em Brasília nesta segunda-feira (16).

A PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão. Um assessor do deputado, Job Ribeiro, cujas digitais foram identificadas no "bunker", também foi alvo.

A operação foi a primeira deflagrada a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ela tomou posse na PGR no dia 18 de setembro. Geddel está preso na Papuda desde setembro -suas digitais também foram encontradas no local do dinheiro.

A polícia localizou no apartamento um recibo assinado por uma funcionária de Lúcio, uma mulher chamada Marinalva de Jesus. Por esse motivo, o caso que estava na Justiça Federal de Brasília acabou indo para o ministro Edson Fachin, do STF.

Além de impressões digitais do ex-ministro, a PF tentava identificar se havia algum fragmento do deputado no dinheiro.

DEPOIMENTOS

O dono do imóvel onde estavam os R$ 51 milhões contou à PF que inicialmente emprestou a Lúcio o apartamento número 202. A unidade, porém, foi vendida em seguida e, então, disponibilizou o número 201.

O pedido foi feito, segundo ele, após a morte do pai dos irmãos, Afrísio Vieira Lima, em janeiro de 2016.

"Que considerando a amizade o declarante concordou prontamente [com o pedido de Lúcio], chegando na unidade 202 juntamente com Lúcio para lhe mostrar o apartamento e lhe entregar a chave. Que na ocasião Lúcio recebeu a chave, mas não trazia consigo nenhum pertence. Que ainda em 2016 a unidade 202 foi vendida e então o declarante ofereceu o apartamento vizinho de frente, ou seja, o 201, o que foi de fato recebido por Lúcio", consta no depoimento de Silveira.

Segundo o empresário, poucas unidades foram vendidas. De acordo com apuração da reportagem, há atualmente apenas cinco moradores no edifício.

À PF, a administradora do prédio em que foi encontrado o "tesouro" ligado a Geddel disse que o ex-ministro e o irmão não pagavam aluguel pelo uso do local. Porém, relatou já ter visto Silveira pedir favores à dupla.

Patrícia disse que os irmãos têm relação com Silveira, mas não sabe se apenas profissional ou de amizade. Ela confirmou que o apartamento foi cedido pelo empresário a "Lúcio e Geddel", para guardar supostamente pertences do pai, que falecera no início de 2016.

A administradora também corroborou a versão de que os irmãos deixaram "algumas malas e caixas" inicialmente na unidade 202.

O advogado de Lúcio Vieira Lima, Gamil Föppel, classificou a operação de "absolutamente desnecessária". Em nota, ele informou que só vai se manifestar quando lhe for garantido "acesso integral aos autos", o que, em seu entendimento, vem sendo "inexplicavelmente negado".

"Ressalta-se que, em sucessivas petições, o deputado federal Lúcio Vieira Lima colocou-se à plena disposição do Supremo e da PGR para prestar esclarecimentos e entregar documentos", afirmou. A defesa de Job Ribeiro não se manifestou.

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