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CONGRESSO

No Centrão, PSD negocia cargos e ministérios com governo federal

Enquanto partido avança com a União, representantes de MS dizem ser independentes
25/05/2020 08:00 - Yarima Mecchi


Destaque nas negociações com o governo federal, o chamado Centrão – grupo que reúne diversos partidos na Câmara dos Deputados – tenta ocupar cargos de destaque e pede, inclusive, o comando de ministérios em troca de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).  

De acordo com o Estadão Conteúdo, o movimento faz parte de uma tentativa do presidente de fortalecer sua base de apoio no Congresso Nacional e de se blindar de um eventual processo de impeachment. Bolsonaro já chamou as práticas do Centrão de “velha política”, mas recorreu ao “toma lá, dá cá” diante da escalada da crise, acentuada pelas investigações que apuram as denúncias de tentativa de interferência na Polícia Federal feitas pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro.

Na Câmara dos Deputados os partidos estão divididos entre Centrão (Progressistas, PL, PSD, SDD, PTB, Republicanos e parte do DEM), núcleo independente (PSD, PSDB, Cidadania e também o DEM), partidos intermediários (PSL, Avante, Novo, Patriota, Podemos, Pros, PSC, PV e Rede) e, por fim, a oposição (PT, PSB, PDT, PCdoB e PSOL).  

Ao todo são 513 parlamentares que compõem a Casa de Leis, eleitos em número proporcional à população de cada estado e do Distrito Federal. Na bancada de Mato Grosso do Sul são oito representantes, sendo dois do PSL (Luiz Ovando e Loester Trutis), um do PT (Vander Loubet), um do PDT (Dagobeto Nogueira), um do PSD (Fábio Trad) e três do PSDB (Beto Pereira, Rose Modesto e Bia Cavassa).  

No Senado Federal são 81 senadores, três representantes para cada estado. A bancada de MS é composta pelas senadoras Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (PSL) e pelo senador Nelson Trad Filho (PSD), irmão do deputado federal Fábio Trad.  

O Correio do Estado entrou em contato com os irmãos Trad para saber qual a posição deles em relação ao Centrão e se fazem parte do bloco. Apesar do partido (PSD) ser considerado como parte do grupo, ambos se declaram independentes.  

Fábio disse que o presidente do partido, Gilberto Kassab, declarou publicamente que a agremiação não faz parte do centrão. Em entrevista à Folha de São Paulo, concedida no dia 30 de abril, Kassab nega que o PSD participe do grupo: “Se um colega seu nos procura e pergunta se nós somos do Centrão e a resposta é não, é porque é não. Os outros partidos sabem que não integramos o Centrão. Temos convergências e divergências. É apenas um conceito que o partido tem desde que foi convidado e não aceitou fazer parte do grupo”, disse Kassab em entrevista.

Fábio Trad ressaltou que fez críticas ao governo quando necessário. “Sobre a minha atuação, você me acompanha em minhas manifestações nas redes e já observou que sou crítico ao governo. Uma coisa é ser de centro; outra, do Centrão. Procuro manter uma posição do governo que me permita ter liberdade de criticar ou elogiar as iniciativas e ações conforme a natureza delas. Por isso, minha posição é de total independência crítica em relação ao governo Bolsonaro, porque meu compromisso é com o País, e não com o governo”, afirmou Fábio.  

Nelson Trad declarou que no Senado o partido não faz parte do grupo de apoio ao presidente. “O PSD do Senado não fez parte das articulações para dar apoio ao presidente em troca disso ou daquilo. Temos senadores que são oposição, como Otto Alencar e Angelo Coronel, ambos da Bahia. Temos senadores técnicos, como Antonio Anastasia [MG] e Irajá Abreu [TO]. Não tem essa, a gente é independente e respeita a posição de cada um. Eu sou independente – tem hora que apoio e [tem hora que] sou crítico. Sempre me deixaram atuar com independência”, ressaltou.

De acordo com informações do Estadão, nos bastidores o presidente nacional do PSD almeja o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), atualmente comandado pelo ministro Marcos Pontes. A pasta tem orçamento de R$ 14,4 bilhões para este ano e é cobiçada pelo partido e por parlamentares evangélicos.  

Ainda conforme o Estadão, Progressistas, Republicanos e PL já assumiram cargos na União. Segundo líderes do Centrão, mais nomeações são aguardadas para os próximos dias. Ao menos nove órgãos, departamentos e empresas públicas surgem nas conversas de integrantes do grupo.

“Na mira estão órgãos estratégicos, como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária [Incra] e o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes [Dnit]. O interesse do grupo nesses órgãos se dá pela importância que eles têm nos rincões do País, podendo escolher como será feita a alocação dos recursos e, consequentemente, dando visibilidade a aliados”, afirmou o Estadão.

Centrão é um conjunto de partidos com perfil conservador composto por políticos importantes em nível regional, grande parte quase desconhecidos nacionalmente. Para manter a fidelidade de suas bases eleitorais, necessitam de cargos para colocar à disposição de seus apoiadores nos estados. O grupo esteve no centro de várias denúncias de corrupção nos governos Lula e Dilma, como de venda de votos no Parlamento (Mensalão) e de corrupção na Petrobras (Operação Lava Jato).

 
 

Felpuda


Considerados “traíras” por terem abandonado o barco diante dos indícios da chegada da borrasca à antiga liderança, alguns pré-candidatos terão de se esforçar para escapar da, digamos assim, vingança, velha conhecida da dita figurinha. Dizem por aí que há promessas nesse sentido, para que os resultados dos “vira-casacas” nas urnas sejam pífios. Sabe aquela velha máxima: “Pisa. Mas, quando eu levantar, corre!” Pois é...