Campo Grande - MS, segunda, 20 de agosto de 2018

benefícios concedidos

Deputados discutem processo para
começar a investigar governadores

CPI já identificou que JBS já causou prejuízo de R$ 60 mi

30 AGO 2017Por Izabela Jornada17h:36

Após a quarta confissão de culpa da JBS recebida por deputados, parlamentares pedem mais celeridade nas investigações. Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investigam irregularidades fiscais no Estado, reclamam da demora nas marcações de visitas às plantas frigoríficas.

“Eles querem ganhar tempo. Não vou mais tolerar isso, está enrolado demais. Se continuar assim, vou sair da comissão”, ameaçou o parlamentar Paulo Siufi (PMDB). 

Siufi quer acelerar as marcações das visitas às plantas para poder iniciar as investigações que remetem ao envolvimento dos govenadores do Estado nas irregularidades fiscais. “Sou ‘andrezista’, mas quero prosseguir com as investigações logo, doa a quem doer, vamos investigar logo”, afirmou o deputado, assumindo que apoia André Puccinelli.

A CPI pretende apurar também, além do não cumprimento das contrapartidas da empresa, como foram as negociações para conceder os benefícios durante os governos de José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, de André Puccinelli (PMDB) e Reinaldo Azambuja (PSDB).

O peemedebista também questionou a falta de efetividade da CPI. “Para que marcar viagem de semana em semana se já sabemos a resposta?”, disse ele. Siufi referia-se aos documentos enviados pelo advogado da empresa confessando as irregularidades apontadas pelos integrantes da comissão. 

O peemedebista pede que a equipe marque todas as visitas aos frigoríficos de uma vez só. “Vamos marcar uma hoje, amanhã e depois. Eles confessam tudo de uma vez e nós já pedimos o ressarcimento ao Estado”, sugeriu.

Outro integrante da CPI, o deputado Eduardo Rocha (PMDB), também concorda com Siufi. “Podemos antecipar calendário. Temos que reduzir o tempo de uma visita a outra”, defendeu.

Mas o presidente da comissão, deputado Paulo Côrrea (PR), já antecipou que não vai "mudar o foco'. “Não podemos desviar do rumo. Precisamos terminar todos os tares (Termos de Acordo de Regime Especial), sem prova é tudo conversa fiada. Vamos fechar CPI no que diz respeito a tares”, ratificou Côrrea. 

O presidente da comissão alertou também que não é seguro antecipar os pedidos de visitas sem analisar com atenção os tares. “Não podemos blefar”, finalizou o republicano.  

CONFISSÃO

A JBS confessou mais uma vez não cumprir com o Termo de Acordo de Regime Especial (Tare) firmado com o governo de Reinaldo Azambuja (PSDB) no que se refere ao benefício concedido para o frigorífico de Cassilândia, que seria visitado na manhã de hoje por integrantes da CPI.

Esta é a quarta unidade seguida que tem confirmada pela própria defesa da empresa a quebra do contrato. “É réu confesso. Queremos uma audiência com o procurador-geral da República Rodrigo Janot para apresentar esses documentos e pedir o ressarcimento ao erário. Mas não sei o que acontece que não estamos conseguindo”, reforçou Corrêa, anteriormente. 

O republicano sugeriu que há muitos obstáculos para tratar em Brasília qualquer tema que envolva os irmãos Wesley e Joesley Batista.

“Eles não temem nada. Se acham acima do bem e do mal”, desabafou. Esta é a quarta confissão seguida da empresa no Estado e confirma mais R$ 30 milhões de benefícios cedidos ao frigorífico da planta que não foram utilizados devidamente. 

Além da unidade de Cassilândia, o advogado José Wanderlei Bezerra Alves também apresentou documentos afirmando descumprimento nos dois frigoríficos de Campo Grande e no de Ponta Porã. Ainda restam mais quatro plantas para serem analisadas pela CPI, mas a estratégia da defesa tem atrasado os trabalhos. 

Isso porque há um cronograma de vistorias dos parlamentares nos locais, mas o advogado da JBS cancela a atividade um dia antes, apresentando a confissão de irregularidades na unidade. “Até agora já conseguimos comprovar que 60% dos R$ 100 milhões podem ser compensados”, assegurou Corrêa. 

*Colaborou Gabriela Couto

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