Campo Grande - MS, terça, 21 de agosto de 2018

R$ 100 milhões

Contrato falso para a Eldorado
bancou seu silêncio, diz delator

14 OUT 2017Por FOLHAPRESS, COM DA REDAÇÃO12h:29

Em depoimento em 22 de agosto, registrado em vídeo, o operador Lúcio Funaro deu sua versão para os pagamentos da JBS que, segundo a Procuradoria-Geral da República, serviram para comprar seu silêncio na cadeia.

Ele revelou que assinou um contrato fictício de R$ 100 milhões com Joesley Batista, dono do frigorífico, para esquentar notas frias que ele já havia emitido para uma empresa do grupo, a Eldorado Celulose, fábrica instalada em Três Lagoas e que recentemente foi vendida.

Como o contrato tinha de parecer mais antigo, caso fosse submetido a uma perícia da Polícia Federal, ele e Joesley assinaram e rasgaram os originais, ficando só com cópias - porque "com o xerox a PF não tinha como" atestar a data da assinatura.

Foi com base nesse contrato, que também embutia um serviço prestado à JBS e ao grupo Bertin, segundo Funaro, que Joesley começou a lhe pagar quantias mensais depois que ele foi preso, em julho do ano passado.

Esses pagamentos são a principal base da denúncia da Procuradoria contra o presidente Michel Temer sob acusação de obstrução da Justiça. A denúncia afirma que Temer avalizou os pagamentos feitos pela JBS para que Funaro ficasse quieto.

"Ficou claro para mim o seguinte: 'Eu [Joesley] estou pondo aqui no papel que eu te devo, dos negócios que você fez para mim, para te assegurar que se acontecer alguma coisa com você [por causa das investigações], você ter os recursos aí disponíveis, porque é só você executar o contrato'", relatou Funaro.

"A gente rasgou os contratos originais e só ficamos com cópia que era para, em caso de perícia no documento, ninguém conseguir saber a data em que aquele documento foi redigido", contou.

'FILHA PEQUENA'

Segundo o delator, depois de sua prisão, a JBS pagou parcelas de R$ 400 mil a R$ 600 mil a seus irmãos, Dante e Roberta –flagrada em maio numa ação controlada da PF recebendo a quantia.

"[O pagamento] Me deixava tranquilo, porque eu tinha uma filha pequena, que tinha seis meses de idade, toda a parte da minha defesa também estava sendo paga."

A Procuradoria perguntou se, sem os pagamentos, seu ânimo para delatar mudaria.

"Mudaria, porque eu não achava justo o cara ter combinado comigo. Sempre o que eu falei para ele eu cumpri [...] Está me devendo e pôs a minha irmã no problema. Mas isso aí certamente acirraria meus ânimos", disse.
Joesley Batista está preso na carceragem da Polícia Federal, em São Paulo, investigado sob a suspeita de omitir informações em seu acordo de colaboração premiada com a PGR.

RELAÇÃO COM ESTADO

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e o ex-senador Delcídio do Amaral estão no cardápio da delação premiada que o operador financeiro Lúcio Funaro tenta fechar com Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF).

É justamente por causa desta denúncia que o governador é investigado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e responderá judicialmente por uma ação popular que pede a indisponibilidade de seus bens. Não há detalhes públicos ainda sobre o teor das denúncias que envolvem as duas figuras políticas do Estado.

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