Política

R$ 4.378

Auxílio-moradia é discutível, mas
compensa falta de reajuste, diz Moro

Auxílio-moradia é discutível, mas
compensa falta de reajuste, diz Moro

FOLHAPRESS

02/02/2018 - 23h04
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O juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato em Curitiba, disse que o auxílio-moradia é uma maneira de compensar a falta de reajuste salarial dos juízes federais do país.

O magistrado deu a declaração após a Folha de S.Paulo revelar, nesta sexta (2), que ele recebe mensalmente R$ 4.378 de auxílio-moradia, mesmo tendo imóvel próprio em Curitiba desde 2002. Moro fez uso de decisão liminar de setembro de 2014, do ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux, que estendeu o benefício a todos os juízes do país.

"O auxílio-moradia é pago indistintamente a todos os magistrados e, embora discutível, compensa a falta de reajuste dos vencimentos desde 1º de janeiro de 2015 e que, pela lei, deveriam ser anualmente reajustados", afirmou o magistrado ao jornal "O Globo". A fala foi confirmada pela assessoria de imprensa da Justiça Federal.

Procurado antes da publicação da Folha, Moro disse, via assessoria, que sua posição estava contemplada em nota do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que respondeu que cumpre "determinações legais".
Somente no fim do ano passado, Fux liberou a liminar para ser julgada pelos 11 ministros do STF. A presidente da corte, Cármen Lúcia, afirmou que pretende pautar o assunto em março.

O recebimento de auxílio-moradia por um juiz que possui imóvel na cidade onde trabalha não é ilegal, mas levanta questionamentos. O valor do benefício é incorporado ao salário do magistrado, mas não conta para o teto constitucional dos vencimentos do setor público, de R$ 33.763. Para o juiz obter o benefício, é preciso requisitá-lo.

REAÇÕES

Críticos a Moro, que condenou o ex-presidente Lula na primeira instância, lideranças de esquerda reagiram às revelações da reportagem e à fala do juiz.

No Twitter, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), disse que a afirmação do magistrado é uma "vergonha".

"Alguém tem de explicar para o sr. Sergio Moro que o povo, que ganha salário mínimo, não tem esses artifícios para se proteger. O salário mínimo não terá reajuste. Aliás, grande parte das pessoas está desempregada. O sr. ganha bem mais de R$ 30 mil. Que vergonha esse argumento!", escreveu.

Guilherme Boulos, líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), reagiu: "Moro recebe auxílio moradia de R$ 4.378 mesmo tendo imóvel de alto padrão em Curitiba. E agora, doutor? Quer 'limpar' o país da corrupção sem olhar o próprio quintal?".

Também houve reações favoráveis ao juiz. O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) escreveu: "É curioso observar que os críticos dos 4 mil mensais recebidos por Sergio Moro são parlamentares que torraram 400, 500, até 600 mil reais de verba indenizatória no ano passado, isso sem contar os milhares de reais que recebem em diárias de viagens ao exterior."

ABALO NA DIREITA

Abalo na direita causado por áudio de Flávio a Vorcaro anima PT no Estado

Fábio Trad disse que já sente mais receptividade nas ruas à sua pré-candidatura após revelações envolvendo Flávio Bolsonaro

26/05/2026 08h00

Fábio Trad e Dona Gilda, pré-candidatos a governador e a vice, do PT, em visita ao Correio do Estado

Fábio Trad e Dona Gilda, pré-candidatos a governador e a vice, do PT, em visita ao Correio do Estado Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A queda do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas em uma disputa de segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), possível candidato à reeleição, em outubro, animou os pré-candidatos que lideram a chapa do Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso do Sul.

Desde a divulgação do áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro ao banqueiro preso por suspeita da maior fraude financeira da história do Brasil, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o candidato do PL saiu do empate técnico e agora está de cinco a oito pontos atrás do presidente Lula nas pesquisas de intenções de voto.

“Nós ainda não tivemos acesso a pesquisas feitas especificamente em Mato Grosso do Sul, mas temos notado a adesão maior das pessoas nas caminhadas que já estamos fazendo pelo Estado”, disse o advogado, ex-deputado federal e pré-candidato a governador, Fábio Trad (PT).

O deputado federal e pré-candidato ao Senado pela chapa do PT nestas eleições, Vander Loubet, também endossa a fala de Fábio Trad. “A gente tem sido muito bem recebido, muita gente, de centro, e até algumas identificadas com a direita, tem nos prestigiado”, afirma.

Para o deputado federal, a divulgação dos áudios de Flávio Bolsonaro tira os aliados do filho de Jair Bolsonaro de uma zona de conforto, em que o caminho parecia já estar traçado.

Segundo ele, alguns políticos já estão saindo em defesa de Flávio Bolsonaro, enquanto há aqueles que preferem esperar o desenrolar dos fatos.

“Conversão”

Ontem, Fábio Trad, Vander Loubet e a professora Gilda dos Santos, a Dona Gilda, pré-candidata a vice de Trad na chapa que o partido está montando para essas eleições, fizeram uma visita de cortesia ao Correio do Estado.

Depois de ter cumprido dois mandatos de deputado federal, um pelo MDB e outro pelo PSD, Fábio Trad filiou-se ao Partido dos Trabalhadores no ano passado, com a intenção de concorrer a algum cargo.

Até meados do segundo semestre de 2025, a possibilidade de se candidatar a governador já era a mais forte, mas ela ainda não era certa. Tentar a eleição para deputado federal também estava no radar.

“No início, eu pensava em ir para o PSB, mas eu tive uma excelente acolhida, e o arranjo político, tudo isso me fez optar por me filiar ao Partido dos Trabalhadores”, disse Fábio Trad.

Vander Loubet lembra que Fábio Trad, mesmo estando em partidos de centro na década passada, teve posicionamentos corajosos em favor das autoridades de esquerda, ao apoiar a ex-presidente Dilma Rousseff e, em plena Operação Lava Jato, quando o atual presidente Lula estava preso, foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) pugnar para que ele não fosse tratado de forma indigna, tendo cabelo raspado e colocado em cela comum.

“O Lula lembra-se do Fábio até hoje por este ato”, lembra Vander. 

Propostas

Fábio Trad disse que pretende fazer uma campanha propositiva com seus adversários, sobretudo com o governador Eduardo Riedel (PP), que lidera as pesquisas até agora. “A ideia é fazermos um debate no campo das ideias, das propostas, e nós dois [ele e Riedel] já conversamos sobre isso”, disse Fábio Trad.

Mulheres

Vice na chapa liderada por Fábio Trad, Dona Gilda acredita que ela e Soraya Thronicke (PSB), senadora candidata à reeleição, têm um componente importante nesta disputa, e um diferencial em relação às outras chapas: uma presença maior de mulheres disputando votos.

“As mulheres são 52% do eleitorado, e é importante lembrar que nós sempre tivemos um discurso e uma proposta para o público feminino”, lembra a professora Gilda.

“Quando o Zeca [do PT, marido dela] era governador, fomos nós que introduzimos a primeira coordenadoria de políticas públicas para mulheres. Foi este trabalho, de empoderamento da mulher, que também fez com que a primeira Casa da Mulher Brasileira fosse inaugurada pela Dilma, em Campo Grande, na década passada”, lembra.

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Eleição

Zema diz que quem votar em Flávio Bolsonaro entregará eleição a Lula; Caiado defende união

"Se em 2022 já foi difícil para a direita, com esse escândalo agora (do Banco Master), fica muito mais ainda", afirmou

25/05/2026 21h00

Zema é pré candidato para Presidente da República

Zema é pré candidato para Presidente da República Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Partido Novo, Romeu Zema, disse que o escândalo do Banco Master tornou o cenário eleitoral mais difícil para a direita e que quem votar em Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para presidente "muito provavelmente" estará dando mais quatro anos de mandato a Lula (PT).

"Se em 2022 já foi difícil para a direita, com esse escândalo agora (do Banco Master), fica muito mais ainda. Porque em 2022 nós não tivemos nada que se assemelhasse a isso. Eu fico muito preocupado que nós estejamos entregando para a esquerda, mais uma vez, essa eleição. E essas últimas pesquisas demonstraram que quem está votando no Flávio (Bolsonaro), muito provavelmente vai estar entregando a eleição para o Lula", disse Zema, que participou nesta segunda-feira, 25, de um encontro promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) em São Paulo.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira, Lula apareceu com 47% das intenções de voto no segundo turno contra 43% do senador. Na rodada anterior, feita uma semana antes, os dois estavam com 45%. Ou seja, após as revelações envolvendo a produção do filme Dark Horse, Lula oscilou para cima e Flávio, para baixo.

O entorno de Zema entende que um candidato da direita com menos rejeição e sem associação ao Master teria mais chances de derrotar o petista no segundo turno. No Datafolha, Flávio Bolsonaro tem 46% de rejeição, contra 45% de Lula.

No evento desta segunda, Zema manteve a linha adotada nos últimos dias, que surpreendeu até integrantes de sua própria campanha, e voltou a fazer críticas duras a Flávio Bolsonaro, de quem era aliado antes da revelação dos áudios.

O pré-candidato do Novo voltou a afirmar que, apesar de morar na mesma cidade de Daniel Vocaro, a quem chamou repetidamente de "banqueiro bandido", nunca se reuniu com ele nem recebeu pedidos de encontro.

"Assombração sabe para quem ela vai aparecer e bater na porta", repetiu o pré-candidato do Novo, numa referência ao adversário.

"Para mim, quem se aproximou do banqueiro bandido, é um mau sinal. Gambá cheira gambá. Eu sempre escutei isso no interior. E não acredito também quando você acredita que parentes são a solução do seu problema. Eu gosto é de gente competente, e não de falar 'é parente que resolve'. Quando é companheirada, parentada, a coisa fica difícil de resolver."

Apesar das críticas à aproximação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro, Zema afirmou que manterá o apoio ao senador em um eventual segundo turno contra o PT e também disse estar aberto ao diálogo com o filho de Jair Bolsonaro (PL).

Zema contou que Flávio tentou procurá-lo após as revelações do site Intercept Brasil, mas que houve um desencontro e os dois acabaram não conversando.

"Abertura ao diálogo sempre vai existir. Eu só não concordo é com alguém que se aproxime de criminoso. Isso eu vou abominar sempre, nunca vou concordar. Gente que fica lado a lado com criminoso, para mim, é alguém que eu vejo com muita reserva."

O mineiro ainda minimizou a doação do pai de Vorcaro ao Partido Novo em 2022. "Há quatro anos atrás, alguém tinha ouvido falar de escândalo do Banco Master? Isso só aflorou no ano passado. Ele doou como milhares de outras pessoas doaram para o Partido Novo", respondeu.

Caiado diz que não é 'oportunista' e defende união do campo

Enquanto Zema condenou a aproximação de Flávio com Vorcaro, Caiado evitou endurecer o tom contra o senador, afirmou não ser "oportunista" e defendeu a união da centro-direita contra o PT. O goiano também participou do evento promovido pela Amcham,

"Não sou oportunista. Não farei pré-julgamento. Mas o mais importante no Brasil, neste momento, é nós também não fazermos o jogo que o PT quer. Mantermos a centro-direita unida, consolidada, para derrotarmos o PT no segundo turno. Este é o objetivo", disse Caiado em coletiva a jornalistas, complementando depois que o candidato que passar para o segundo turno deverá receber o apoio dos demais para derrotar o PT.

Caiado afirmou por diversas vezes que há uma "desordem institucional" no País e que a governabilidade do Executivo "vai depender da estatura moral do próximo presidente da República".

Questionado se Flávio tem estatura moral para cumprir a função, Caiado respondeu que "essa decisão virá do eleitor" e voltou a dizer que, até o momento, os argumentos que Flávio trouxe para explicar as suas conversas com Vorcaro "não foram convincentes"

Tanto Caiado quanto Zema dedicaram parte de seus discursos a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF). O goiano defendeu que a Corte tome uma decisão interna corporis para afastar ministros atingidos por denúncias relacionadas à própria trajetória.

Zema, por sua vez, propôs estabelecer idade mínima de 60 anos para ministros, acabar com decisões monocráticas para temas relevantes e mudar o critério de indicação dos integrantes da Corte, adotando uma lista tríplice com nomes sugeridos por instituições.

"Para que possamos desenvolver, avançar, o Supremo deveria ter essa condição de cortar na própria carne. Pouparia o País de um processo de crise", afirmou Caiado.

Já Zema, disse: "O Supremo sempre foi um porto seguro, um poder moderador no Brasil no passado, mas de uns 15 anos para cá virou um incendiário."

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