Polícia

CRIME QUE CHOCOU MS

Pai mata o próprio filho afogado para se vingar de ex-mulher

Suspeito ainda inventou três histórias diferentes para o caso

RAFAEL RIBEIRO

20/09/2019 - 07h37
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Um jovem de 21 anos foi preso em flagrante no início da noite de quinta-feira (19) após matar afogado em uma bacia o próprio filho, de apenas 2, como forma de se vingar da ex-mulher, mãe da criança, que terminou o relacionamento com ele. 

O crime aconteceu na casa de Evaldo Christyan Dias Zenteno, no bairro Aero Rancho, região sul de Campo Grande, que chegou a dar três versões do ocorrido. 

O caso veio à tona após Zenteno levar Miguel Henrique dos Reis Zenteno ao pronto-socorro da Santa Casa da Capital, com óbito suspeito por afogamento. 

Questionado pelos médicos, o suspeito alegou a criança tinha sido sequestrada por bandidos armados quando ele parou em uma conveniência para comprar um achocolatado ao filho. Ele disse ter seguido o carro e visto eles jogando Miguel no córrego da Avenida Ernesto Geisel.

Faltando dados mais concretos na história, a administração acionou o Batalhão de Choque (tropa de elite da Polícia Militar), a quem ele deu a segunda versão dos fatos.

Disse que fora traído pela ex-mulher e ao contar a história a um amigo, decidiu que a mulher teria que sofrer, decidindo pelo assassinato da criança.

Com isso, o tal amigo teria buscado uma terceira pessoa, que levaram a criança até uma casa do Jardim Nhanhá e a afogaram em uma bacia cheia de água, recomendando que o pai a levasse a um hospital, onde inventaria uma história.

Só com esses elementos, os policiais militares deram voz de prisão ao suspeito e o levaram até a Delegacia de Pronto-Atendimento Comunitário (Depac) do Centro, onde o caso foi registrado.

Policiais civis permaneceram por toda a noite procurando informações sobre os tais amigos citados por Zenteno, que se recusou a dar nomes completos e endereços. 

Sem nenhuma pista, em nova oitiva, o suspeito deu a terceira versão dos fatos e disse que cometeu o crime sozinho.

Zenteno foi indiciado por homicídio triplamente qualificado e passará por audiência de custódia na manhã desta sexta-feira (20). Ele não tinha advogado instituído para defendê-lo até a publicação desta reportagem.

A brutalidade do crime chocou os vizinhos. Muitos preferiram não dar declarações sobre os fatos, assim como familiares da mãe da criança que estaria em estado de choque pelos fatos.

Não é a primeira vez que a família de Zenteno ocupa manchetes por protagonizar casos brutais no estado. Em 2017 seu pai, atualmente com 53 anos, foi preso em flagrante por estuprar a vizinha, de 9 anos, em Aquidauana.

REGIME FECHADO

Homem é condenado a 32 anos de prisão por torturar esposa e filhos

Ele torturou, estuprou e praticou vários tipos de violência contra sua família ao longo de aproximadamente 20 anos

27/02/2026 11h35

Fachada do MPMS, em Campo Grande

Fachada do MPMS, em Campo Grande DIVULGAÇÃO

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Homem, que não teve a identidade divulgada, foi condenado a 32 anos, 10 meses e 23 dias de prisão em regime fechado, pelos crimes de tortura, estupro de vulnerável, violência psicológica e lesões corporais, praticados contra sua companheira e filhos ao longo de aproximadamente 20 anos.

A denúncia indica que as vítimas eram agredidas com martelo, mangueira ou raquete elétrica; sofriam violência física, psicológica e sexual; eram ameaçados de morte; vigiados por câmeras e expostos a castigos humilhantes, de 2005 a 2025, no Jardim Colibri, em Campo Grande.

O réu praticou estupro de vulnerável, em 2010, aproveitando-se de momentos em que a vítima dormia profundamente, além de estupro mediante violência, em 2021, quando a constrangeu a ato libidinoso sob acusação de traição.

Os depoimentos da vítima, das filhas, da mãe da vítima e demais testemunhas foram decisivos para confirmar o ciclo contínuo de violência e o controle absoluto exercido pelo autor em casa, tendo em vista a importância da palavra da vítima no contexto de violência doméstica.

A 48ª Promotoria de Justiça de Campo Grande ainda sustentou que os depoimentos foram firmes, detalhados e compatíveis com o histórico de violência familiar.

Os relatos das jovens revelam sequelas emocionais profundas, como crises de pânico, pesadelos recorrentes e medo constante.

A condenação se deu por intermédio do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio da 48ª Promotoria de Justiça de Campo Grande.

A sentença, proferida pela 1ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Campo Grande e assinada pela Juíza Tatiana Dias de Oliveira Said.

feminicídio

Homem mata namorada em SP e é preso em MS

César Ferreira matou Simone Trigueiro estrangulada na casa dela em Andradina (SP) e depois fugiu para Água Clara (MS)

27/02/2026 10h40

César Ferreira da Silva, acusado de feminicídio

César Ferreira da Silva, acusado de feminicídio DIVULGAÇÃO

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César Ferreira da Silva assassinou a namorada, Simone Trigueiro, na tarde desta quarta-feira (26), no cruzamento das ruas Joaquim Antônio Proença e Presidente Vargas, Vila Mineira, em Andradina (SP), cidade que faz divisa com Três Lagoas (MS).

Ele matou ela estrangulada e asfixiada na casa dela. Ambos namoraram por oito meses.

Após o crime, fugiu em direção a Mato Grosso do Sul, mas foi capturado e preso, por policiais militares da 13ª Companhia Independente (13ªCIPM), em Água Clara (MS).

Conforme apurado pela mídia local, familiares estavam sem notícias há dois dias de Simone e estranharam seu sumiço. Com isso, foram até a casa dela e a encontraram sem vida, com sinais de estrangulamento e luta corporal.

Em seguida, acionaram a polícia. Polícia Militar, Polícia Científica, Polícia Civil e funerária estiveram no local para isolar a área, realizar a perícia, recolher indícios do feminicídio e retirar o corpo, respectivamente.

O autor do crime fugiu para Água Clara (MS), onde foi preso pela Polícia Militar.

"A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, por meio da 13ª CIPM, recebeu informações sobre um indivíduo suspeito de feminicídio que estaria em deslocamento sentido Água Clara/MS. Uma equipe realizou diligências pela BR-262 e localizou o suspeito e realizou a abordagem, confirmando sua identidade durante a abordagem. Na ocasião, o autor declarou espontaneamente ter cometido o crime. Diante dos fatos, foi dada voz de prisão e, posteriormente, ele foi apresentado na delegacia para as providências legais", informou a PMMS por meio de nota.

As circunstâncias do caso serão investigadas pelas autoridades competentes. O corpo da vítima será submetido a exame necroscópico, que deverá confirmar a causa da morte.

FEMINICÍDIO

Feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ser mulher, ou seja, questões de gênero que envolvem violência doméstica, física, verbal, sexual ou patrimonial. 

Geralmente, o feminicídio é praticado por (ex) companheiros, (ex) namorados, (ex) noivos ou (ex) esposos da vítima. 

É um crime hediondo cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de reclusão, não sendo possível pagar fiança. A pena é cumprida em regime fechado.

O feminicídio passou a ser um crime autônomo, com seu próprio artigo no Código Penal, diferente do homicídio qualificado. 

O condenado por feminicídio perde o poder familiar e é impedido de exercer cargos/funções públicas.

Dados divulgados pela Secretaria de Estado e Justiça Pública (Sejusp-MS) apontam que 3 mulheres foram mortas ente 1º de janeiro e 27 de fevereiro de 2026, em Mato Grosso do Sul. Em 2025, 39 mulheres foram assassinadas, 35 em 2024 e 30 em 2023.

Violência contra mulher deve ser denunciada em qualquer circunstância, seja agressão física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.

Os números para denúncia são 180 (Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Civil Metropolitana).

O sinal "X" da cor vermelha, escrita na mão, significa que a vítima quer alertar que sofre violência doméstica. Portanto, o cidadão deve ficar atento, acolhê-la e acionar as autoridades. 

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