Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

FAVORECIMENTO DE PRESOS

Máfia de propina dentro do presídio é citada em interceptação da Omertà

"É uma verdadeira máfia" disse mulher de detento

14 OUT 19 - 17h:14FÁBIO ORUÊ

Interceptações telefônicas coletadas pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), durante as investigações da Operação Omertà, citam uma “máfia” de propina dentro do Instituto Penal de Campo Grande (IPCG). A conversa aconteceu no dia 22 de julho entre Luiz Fernando da Fonseca - o “Ligeirinho” ou “Magnata” -, que é treinador de cavalos de corrida e funcionário de Jamil Name e Andréia Cristina de Souza Peres, que é companheira de Carlos Aparecido Laurentino Lopes - o “Itaquera”, que preso no IPCG.

Conforme relatório do Gaeco, Andréia diz que “tudo hoje em dia tem manobra” e que alguém pediu R$ 300 para que o Itaquera saísse de onde estava e fosse transferido para uma área de “convívio normal” dentro do IPCG.

Aos seis minutos de ligação, a mulher complementa que “o que passa por lá tudo é propina, pagam uma porcentagem para o diretor e lá dentro eles vendem tudo [...] é uma verdadeira máfia”. Além disso, ele exemplifica que já mandou um telefone celular para dentro do estabelecimento penal para uso de Itaquera, que tem condenações por tráfico de drogas. 

OPERAÇÃO 

A Operação Omertá, que combate milícia armada especializada em crimes de pistolagem, está em andamento desde o fim de setembro. Os assassinatos de pelo menos três pessoas estão relacionados ao grupo de extermínio em investigação: o caso do policial militar reformado Ilson Martins Figueiredo, ocorrido em 11 de junho do ano passado; o do ex-segurança Orlando da Silva Fernandes, em 26 de outubro de 2018; e do estudante de Direito Matheus Xavier, em abril deste ano.

Omertá, conforme o Gaeco, é um termo que se fundamenta em um forte sentido de família e no silêncio que impede a cooperação com autoridades policiais ou judiciárias. Trata-se de um código de honra muito usado nas máfias do sul da Itália.

Jamil Name, o filho Jamil Name Filho e outros envolvidos com a milícia foram presos na operação, deflagrada em 27 de setembro. Após serem transferidos emergencialmente, no último sábado, para a penitenciária federal de Campo Grande, Name, Name Filho e os policiais Márcio Cavalcante e Vladenilson Daniel Olmedo aguardam tranferência para serem encaminhados para o presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. O pedido foi feito pela Polícia Civil e pelo Gaeco.

Outro envolvido no esquema de milícia, Marcelo Rios, o Guarda Municipal preso em maio, com arsenal de armas usados nos homicídios da milícia também está no presídio federal de Campo Grande. Rios também tem transferência autorizada para o presídio de Mossoró, mas continua em Campo Grande porque tem audiência marcada para dezembro.

Name e o filho são apontados pelo Gaeco e pelo Garras como chefes da mílicia armada que cometeu homicídios na Capital. O Gaeco denunciou, semana passada, o advogado Alexandre Gonçalves Franzoloso, Jamil e Name Filho, mais seis pessoas por participação no grupo de extermínio e, ainda, de tentar obstruir as investigações. O advogado, contratado pela família Name, tentou atrapalhar as investigações impedindo Marcelo Rios de fazer uma delação premiada, na época em que foi preso.  

Já Márcio e Vladenilson, o Vlad, teriam coagido a mulher de Rios, Eliane Benitez, para que ela não fornesse informações sobre o grupo de extermínio à polícia. Também fazem parte da denúncia do Gaeco, Flávio Narciso, Rafael Antunes Vieira, Robert Kopetski e Rafael Carmo Peixoto. 

Esse artigo foi útil para você?
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

Governo propõe criar Delegacia de Combate à Corrupção na Polícia Civil
PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR

Governo propõe criar Delegacia de Combate à Corrupção na Polícia Civil

Família tradicional de Ponta Porã ajudou na fuga de doleiro
LAVA JATO NO PARAGUAI

Família tradicional de Ponta Porã ajudou na fuga de doleiro

Dono do Shopping China é alvo da operação Lava Jato no Paraguai
POLÍCIA FEDERAL E INTERPOL

Dono do Shopping China é alvo da operação Lava Jato no Paraguai

De soldado a gestante, acidentes no feriadão deixaram três mortos em MS
OPERAÇÃO PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

De soldado a grávida, feriadão teve três mortos em acidentes

Mais Lidas

Gostaria-mos de saber a sua opinião