Fale conosco no WhatsApp

Por sua segurança, coloque seu nome e número de celular para contatar um assessor digital por Whatsapp.

MILÍCIA ARMADA

Jamil Name é transferido para Presídio Federal de Mossoró

Empresário estava há mais de um mês preso em Campo Grande por comandar milícia de extermínio

30 OUT 19 - 11h:40DAIANY ALBUQUERQUE

O empresário e pecuarista Jamil Name, preso desde o dia 27 de setembro, foi transferido na madrugada desta quarta-feira (30) para o Presídio Federal de Mossoró (RN), onde deve continuar no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). A mudança já havia sido autorizada há 15 dias. Name é apontado como chefe de milícia armada que seria responsável por vários crimes de pistolagem em Campo Grande.

Fontes confirmaram ao jornal Correio do Estado que o empresário viajou na madrugada desta quarta-feira, partindo do Aeroporto Internacional de Campo Grande. Na terça-feira (29) o filho dele, Jamil Name Filho, chegou a ser levado para o aeroporto, mas não embarcou porque o voo em que ele iria foi cancelado.

Jamil estava preso em uma cela do Presídio Federal de Campo Grande, após ser preso no bojo da Operação Omertà, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e Delegacia Especializada de Repressão a Rouba a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras).

A princípio ele foi encaminhado para o Centro de Triagem, junto do filho e de dois policiais civis Márcio Cavalcante da Silva e Vladenilson Daniel Olmedo (aposentado). Porém, após a inteligência da polícia descobrir que os detentos já tramavam a morte do delegado Fábio Peró, do Garras, eles foram transferidos para o Presídio Federal da Capital.

Atualmente os quatro estão presos no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) – isolamento. Quando eles foram transferidos deverão permanecer neste sistema por, pelo menos 60 dias, conforme decisão.

Pai e filho são apontados como os líderes de organização criminosa suspeita de vários crimes de pistolagem ocorridos nos últimos anos. Os assassinatos de, pelo menos, três pessoas estariam relacionados a um grupo de extermínio sob investigação: do policial militar reformado Ilson Martins Figueiredo, em 11 de junho do ano passado; do ex-segurança Orlando da Silva Fernandes, em 26 de outubro de 2018; e do estudante Matheus Xavier, em abril deste ano.

Ao longo desses mais de 30 dias de prisão a defesa de Name já tentou o habeas corpus dele duas vezes, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e no Superior Tribunal Federal (STF), onde ambos os pedidos foram negados. Na esfera superior, a defesa também pedia que, caso não fosse concedido a soltura, que a prisão preventiva pudesse ser cumprida em sua casa, o que novamente foi negado.

Recentemente houve outro pedido de prisão domiciliar de Jamil Name, que também foi recusado. Dessa vez a juíza de direito May Melke Amaral Penteado Siravegna, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande é quem assinou a decisão alegando que Name tem poder para corromper financeiramente pessoas e continuar com os trabalhos da organização criminosa. A defesa, porém, alega que seu cliente tem “graves problemas de saúde”.

Entretanto, em sua decisão a magistrada declarou que não há comprovação nos autos de que Name está “extremamente debilitado” em decorrência das doenças apontadas, “tampouco de que o tratamento necessário seja inviável no estabelecimento prisional”, diz parte do documento.

A defesa, porém, declarou que recorrerá da decisão. Conforme o advogado Renê Siufi, que defende Name, esse tempo passado no presídio tem surpreendido o grupo. “Achávamos que, pelo menos, o pai (Jamil Name) já teria saído por conta da idade avançada e dos problemas de saúde comprovados”, declarou.

“ATÉ AMANHÔ

No momento da prisão, conforme documento do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), Jamil Name teria se despedido de sua esposa, a ex-vereadora Tereza Name, com um “até amanhã”. Para o órgão, isso revelou “a certeza de que seria solto em 24h. E fez isso para realçar o seu poder político e econômico aos presentes, com nítido viés intimidatório”.

As denúncias de envolvimento de Name e Name Filho em crimes começaram em maio deste ano, após a apreensão de um arsenal em poder do guarda municipal Marcelo Rios (detido no Presídio Federal de Campo Grande). No dia 27 de setembro, o Gaeco realizou a Operação Omertà e prendeu, além dos Name, outros quatro guardas municipais e cinco policiais (sendo um federal), apontando também o envolvimento de um advogado.

Esse artigo foi útil para você?
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Leia Também

Apreensão de cocaína pela Receita bate recorde em 2019
QUASE 50 TONELADAS

Apreensão de cocaína pela Receita bate recorde em 2019

Roubos em vias públicas caem 21,1% em MS, diz Sejusp
CRIMES EM QUEDA

Roubos em vias públicas caem 21,1%, diz Sejusp

Estado coleta amostras para abastecer banco de material genético de criminosos
SEGURANÇA PÚBLICA

Estado coleta amostras para abastecer banco de material genético de criminosos

Juiz e advogados trocam farpas sobre Lei de Abuso de Autoridade
MILÍCIA ARMADA

Juiz e advogados trocam farpas sobre Lei de Abuso de Autoridade

Mais Lidas

Gostaria-mos de saber a sua opinião