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MILÍCIA ARMADA

Preso há 1 mês, Jamil Name coleciona decisões negativas na Justiça

Pecuarista foi preso em operação contra formação de grupo de extermínio em Mato Grosso do Sul

28 OUT 19 - 14h:00DAIANY ALBUQUERQUE

Contrariando a própria previsão de que seria solto no dia seguinte a sua prisão, que ocorreu no dia 27 de setembro deste ano, o empresário e pecuarista Jamil Name e seu filho, Jamil Name Filho, completaram um mês na cadeia. Os dois, e os policiais Márcio Cavalcante da Silva e Vladenilson Daniel Olmedo (aposentado) estão custodiados no Presídio Federal de Campo Grande e aguardam transferência para a penitenciária de Mossoró.

Ao longo deste mês a defesa dos Name já tentou o habeas corpus deles duas vezes, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e no Superior Tribunal Federal (STF), onde ambos os pedidos foram negados. Na esfera superior, a defesa também pedia que, caso não fosse concedido a soltura, que a prisão preventiva do pai pudesse ser cumprida em sua casa, o que novamente foi negado.

Recentemente houve outro pedido de prisão domiciliar, que também foi recusado. Dessa vez a juíza de direito May Melke Amaral Penteado Siravegna, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande é quem assinou a decisão alegando que Name tem poder para corromper financeiramente pessoas e continuar com os trabalhos da organização criminosa. A defesa, porém, alega que seu cliente tem “graves problemas de saúde”.

Entretanto, em sua decisão a magistrada declarou que não há comprovação nos autos de que Name está “extremamente debilitado” em decorrência das doenças apontadas, “tampouco de que o tratamento necessário seja inviável no estabelecimento prisional”, diz parte do documento.

A defesa, porém, declarou que está preparando novo documento para recorrer da decisão, que deve ser protocolado até a terça-feira (29). Conforme o advogado Renê Siufi, que defende Name, esse tempo passado no presídio tem surpreendido o grupo. “Achávamos que, pelo menos, o pai (Jamil Name) já teria saído por conta da idade avançada e dos problemas de saúde comprovados”, declarou.

Atualmente os quatro participantes da suposta milícia que estão no Presídio Federal foram colocados no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) pelo prazo de até 360 dias. Com a medida, nenhum dos quatro tem contato com outro detento ou mesmo com agentes do presídio.

Esse foi motivo para a defesa alegar que Name não receberia a assistência necessária, já que eles alegam que o empresário necessita de “ajuda para tudo”, citando até uma “síndrome do idoso frágil”, o que não convenceu o judiciário.

“ATÉ AMANHÔ

No momento da prisão, conforme documento do Ministério Público Federal (MPMS), Jamil Name teria se despedido de sua esposa, a ex-vereadora Tereza Name, com um “até amanhã”. Para o órgão, isso revelou “a certeza de que seria solto em 24h. E fez isso para realçar o seu poder político e econômico aos presentes, com nítido viés intimidatório”.

O documento contendo a descrição foi anexado às provas encontradas em busca e apreensão feita na casa do empresário, no bojo da operação Omertà, deflagrada por Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e Delegacia Especializada de Repressão a Assaltos e Sequestros (Garras).

Além da certeza da soltura, o Ministério Público também cita que durante o tempo que passou no Centro de Triagem, em Campo Grande, Name já articulava um plano para matar o delegado do Garras Fábio Peró, que estava à frente da operação.

“Eles tinham muita gente na mão, mas acredito que agora estamos caminhando para que a Justiça seja feita. Além de provas robustas, há muita pressão da imprensa e da população, que tem apoiado a operação”, comentou um membro da força-tarefa que trabalha no caso, mas que preferiu não se identificar.

À reportagem, a fonte afirma que “do pobre ao rico” a força-tarefa tem recebido elogios pelas prisões. “Nunca ninguém quis mexer nesse vespeiro, mas agora estamos encontrando muita gente que queria falar, mesmo que informalmente”, contou.

MOSSORÓ

Apontado como o líder de organização criminosa suspeita de vários crimes de pistolagem ocorridos nos últimos anos, em Campo Grande, Jamil Name está fazendo de tudo para não ser levado para uma cela de isolamento do Presídio Federal de Mossoró (RN), onde já teve o pedido de transferência autorizado e deve permanecer por, pelo menos 60 dias.

Apesar da mudança para o Rio Grande do Norte já ter sido autorizada há mais de uma semana, os detentos seguem em Campo Grande e não foi divulgada previsão para que a transferência ocorra. Enquanto isso a defesa tenta esgotar suas chances no judiciário para barrar a viagem.

OMERTÀ

As denúncias de envolvimento de Name e Name Filho em crimes começaram em maio deste ano, após a apreensão de um arsenal em poder do guarda municipal Marcelo Rios (detido no Presídio Federal de Campo Grande). No dia 27 de setembro, o Gaeco realizou a Operação Omertà e prendeu, além dos Name, outros quatro guardas municipais e cinco policiais (sendo um federal), apontando também o envolvimento de um advogado.

Os assassinatos de, pelo menos, três pessoas estariam relacionados a um grupo de extermínio sob investigação: do policial militar reformado Ilson Martins Figueiredo, em 11 de junho do ano passado; do ex-segurança Orlando da Silva Fernandes, em 26 de outubro de 2018; e do estudante Matheus Xavier, em abril deste ano. Omertà, conforme o Gaeco, é um termo italiano que se fundamenta em um forte sentido de família e no silêncio.

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