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LAVA JATO NO PARAGUAI

Família tradicional de Ponta Porã ajudou na fuga de doleiro

Pecuarista e família eram braço de organização criminosa na fronteira

20 NOV 19 - 07h:30GLAUCEA VACCARI

Família Mota, tradicional de Ponta Porã e forte pela atuação no ramo de pecuária e por sociedade em frigoríficos, foi alvo da Operação Patrón, desencadeada pela Polícia Federal, com ajuda da Interpol, para investigar grupo que deu apoio a fuga e à ocultação de bens de Dario Messer, conhecido como o “doleiro dos doleiros”. 

A ação também teve como alvos o ex-presidente do Paraguai, Horácio Cartes, o proprietário do Shopping China, Felipe Cogorno Alvarez, além do doleiro, entre outras pessoas.

Polícia Federal descobriu que a família Mota era um braço da organização na fronteira do Brasil com o Paraguai, entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero. Mandados de prisão foram cumpridos na mansão da família nesta terça-feira (19), na região central de Ponta Porã, e também no haras onde são criados cavalos de raça.

Conforme representação do Ministério Público Federal, o pecuarista Antonio Joaquim da Mota, da mulher dele, Cecy Mendes Gonçalves da Mota, e do filho do casal, Antonio Joaquim Mendes Gonçalves da Mota. Eles faziam parte do núcleo da organização chamado político, integrado por pessoas que detinham ou estavam próximas de quem detinha o poder, com intuito de garantir as atividades da Orcrim e sua impunidade. Todos tiveram a prisão preventiva decretada.

Antonio foi apontado como o comparsa que teria abrigado o doleiro em setembro de 2018, pouco após o mesmo ter a prisão decretada no âmbito da Operação Câmbio Desligo.

Antonio Joaquim da Mota tem residência em Pedro Juan Caballero e em Ponta Porã, tendo o doleiro ficado na fazenda do município paraguaio. Ele é sócio dos frigoríficos Frigoforte, em MS, e Silverbeef, no Paraná, e seria o responsável por entregar mensalmente 10 mil dólares a namorada de Messer, Myra Athayde.

Investigações apontaram que a família Mota tem ligação com contrabando de cigarros, tráfico de drogas e armas e lavagem de dinheiro na fronteira.

Isto teria ficado demonstrado por conversas e informações obtidas de Relatórios de Inteligência Financeira produzidos com autorização judicial, nos quais são identificadas relações financeiras entre os integrantes da família Mota e pessoas ligadas ao tráfico de drogas e ao contrabando. Na casa da família, o doleiro teria feito uma selfie com uma pistola.

Já a lavagem de dinheiro foi configurada por meio de imagens obtidas em arquivos na nuvem, onde foram encotnradas fotos e gravações de centenas de pedras preciosas e barras de ouro, incluindo mensagens que denotam a aquisição de joias para vários integrantes da família.

“No ponto, não há como desprezar essa confusão familiar envolvendo as empresas e os negócios de pessoas que vêm (vinham) dando guarida a Dario Messer durante a sua fuga, tampouco a ligação dos mesmos com tráfico de drogas e armas e contrabando de cigarros, sendo inclusive notório que Dario é amigo (“irmão de alma”17), do ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes, proprietário de empresas que dominam a produção do cigarro contrabandeado para o Brasil”, diz a representação do MPF.

OPERAÇÃO

Na manhã desta terça, agentes cumpriram 37 mandados - 16 de prisão preventiva, três de prisão temporária e 18 de busca e apreensão. As ações foram realizadas na Grande São Paulo, em Ponta Porã, no Rio de Janeiro e em Armação dos Búzios (RJ).

Os mandados foram expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. Entre os investigados há residentes do Paraguai e dos Estados Unidos, entre eles o ex-presidente Cartes. Segundo a PF, eles terão seus nomes incluídos na Difusão Vermelha da Interpol, por decisão judicial.

Conforme a PF, o nome da Operação, Patron, espanhol para “patrão” é o termo que Dario Messer utilizava para se referir a Cartes. O doleiro foi preso no fim de julho, em São Paulo, em uma ação coordenada da Polícia Federal e da Procuradoria da República.

As investigações identificaram que Dario Messer ocultou cerca de US$ 20 milhões. Desse montante, mais de US$ 17 milhões teriam sido alocados em um banco nas Bahamas e o restante pulverizado no Paraguai entre doleiros, casas de câmbio, empresários, políticos e uma advogada.

A operação foi realizada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita.

O Ministério Público Federal pediu a prisão preventiva de Dario Messer, Myra de Oliveira Athayde, Alcione Maria Mello de Oliveira Athayde,  Arleir Francisco Bellieny, Roland Pascal Gerbauld, Roque Fabiano Silveira, Lucas Lucio Mereles Paredes, Najun Azario Flato Turner, Luiz Carlos de Andrade Fonseca, Valter Pereira Lima, Felipe Cogorno Alvarez, Edgar Ceferino Aranda Franco, José Fermin Valdez Gonzalez, Jorge Alberto Ojeda Segovia, Maria Leticia Bobeda Andrada, Antonio Joaquim da Mota, Cecy Mendes Goncalves da Mota e Horácio Manuel Cartes Jara. Também pediu as prisões temporárias de Antonio Joaquim Mendes da Mota e Orlando Mendes Gonçalves Stedile.

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