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DELEGACIA

Cocaína furtada pode ter rendido
meio milhão de reais

Delegado é acusado de peculato e tráfico de drogas

9 SET 19 - 09h:00EDUARDO MIRANDA

O plano que resultou no furto e na venda de 101 quilos de cocaína que estavam apreendidos na 1ª Delegacia de Polícia Civil de Aquidauana, cidade distante 142 quilômetros de Campo Grande, pode ter gerado uma receita de R$ 500 mil aos envolvidos, todos, agora, acusados de tráfico de drogas. Entre os denunciados, está o delegado de polícia Éder Oliveira Moraes, autor da ideia. Foi ele que procurou a advogada Mary Stella Martins de Oliveira e o companheiro dela, o traficante Ronaldo Alves de Oliveira, para a execução do plano.

O golpe de meio milhão de reais só foi descoberto porque um escrivão que trabalha na 1ª Delegacia percebeu o furto, ocorrido nos primeiros dias de junho deste ano. O caso foi desvendado pelo Ministério Público Estadual e pela Corregedoria da Polícia Civil. O delegado, acostumado a prender os que praticam crimes, agora é acusado de tráfico (duas vezes) e peculato (duas vezes) e está sujeito a uma pena, em caso de condenação, que poderá chegar a 60 anos de prisão. 

Éder foi o único policial envolvido no plano para furtar a cocaína. Os promotores Antenor Ferreira de Rezende Neto, Gerson Eduardo de Araújo, Thalys Franklyn de Souza eTiago di Giulio Freire, concluíram que ele, além de ter procurado os outros traficantes, ao constatar grande quantidade de cocaína dentro da delegacia, escondeu sua intenção dos demais servidores que trabalham no local e facilitou a entrada dos criminosos no prédio, ao deixar a maçaneta da janela aberta. 

COBIÇA

Conforme os promotores de Justiça, a cobiça dodelegado foi grande fator de motivação para o crime. Os 94 tabletes de cocaína, que totalizaram 101 quilos da droga, apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal em 30 de maio deste ano, com o caminhoneiro Eliseu Simões, seduziram Éder de Oliveira Moraes. A cocaína, que saiu de Corumbá, tinha São Paulo (SP) como destino. 

Como o flagrante dos policiais rodoviários ocorreu na BR-262, a cocaína acabou levada para a Delegacia de Aquidauana. Neste distrito policial, não há um depósito específico para drogas e armas apreendidas e, sim, uma sala improvisada, cuja segurança é apenas a única fechadura da porta. O protocolo para entrar no local, entretanto, é restritivo: sempre deve ser feito por dois ou mais policiais.

“Ocorre que a presença de tamanha quantidade de cocaína pura na delegacia, droga de alto valor e raramente encontrada nesta cidade, levantou a cobiça do denunciado Éder, então delegado de polícia titular da 1ª Delegacia de Polícia de Aquidauana, em subtrair a referida carga ilícita e de sua venda auferir dinheiro”, argumentaram os promotores na denúncia.

Ao se deparar com o grande volume de cocaína, Éder procurou a advogada Mary Stella. Ela já era conhecida do delegado, até porque, conforme o Ministério Público, ambos praticaram juntos crime de corrupção passiva no início do ano. O executor para a venda dos 101 quilos de cocaína, porém, foi o companheiro de Mary, o traficante Ronaldo Alves de Oliveira. 

COTAÇÃO

Para os promotores de Justiça, Ronaldo é um “exímio conhecedor do tráfico de drogas” e, inclusive, já foi condenado anteriormente. O companheiro da advogada foi quem avaliou a cocaína que estava na delegacia: R$ 5 mil o quilo. A meta do grupo seria arrecadar aproximadamente R$ 505 mil com a venda da droga. 

Ao ser convidado para o plano, Ronaldo estabeleceu o preço que cobraria para organizar a empreitada: R$ 100 mil. E ainda avisou que precisaria de mais R$ 23 mil para recrutar outros comparsas. A droga foi retirada do depósito, nos dias 6 e 10 de junho, sempre durante a madrugada. 

A primeira invasão à delegacia foi feita por Mário Márcio Duarte Navarro, o Baré, e o por Alex Sander dos Santos, conhecido como Gado à Jato. A segunda invasão foi executada pelo próprio Ronaldo, Kleiton de Souza Silva e um adolescente. 

Da primeira subtração, o saco com vários tabletes da droga foi embarcado em um carro, cujos ocupantes não foram identificados pela polícia. O veículo deixou Aquidauana só depois do meio-dia do dia 6 de junho. Por esta primeira ação, Ronaldo retirou para a si quatro tabletes. Utilizou três para pagar seu Toyota Corolla usado e o outro deu como prêmio a Mário Márcio e Alex Sander. 

A droga subtraída na segunda invasão foi colocada no Toyota Corolla preto de Ronaldo e levada por ele e Mary Stella para Bonito. Eles voltaram de lá sem os sacos com cocaína, mas os resquícios da droga ficaram no carro e foram identificados pela perícia.

Sobre os valores subtraídos, os policiais e promotores que investigaram o caso detectaram que o ex-delegado de Aquidauana Éder de Oliveira Moraes recebeu, pelo menos, R$ 35 mil em espécie e preferiu o pagamento desta forma, para saldar dívidas com credores. “Aliás, Mary Stella afirmou em seu interrogatório que Éder vivia sem dinheiro e frequentemente lhe pedia empréstimos”, revelaram os promotores na denúncia.

A apreensão de telefones celulares dos envolvidos durante a investigação possibilitou o mapeamento de parte do dinheiro arrecadado com a venda da cocaína furtada. Mary Stella e Ronaldo Alves de Oliveira (companheiro dela, condenado por tráfico), por exemplo, chegaram a trocar comprovantes de transferência bancária (TEDs). Na ocasião de uma transferência de R$ 20 mil, eles chegaram a afirmar que ainda havia cocaína estocada com o grupo. “Mor. Vou sacar e leva ai e pega um pouco com vc ta (sic). Do trem [nome que eles deram à droga furtada]”, afirmou Ronaldo em uma mensagem via WhatsApp à companheira. 

Foi nesta fase do plano que entraram Marcos Aurélio da Silva Carrelo, o Fal, e Gisele dos Santos Galdino, ambos residentes em Campo Grande. Foram eles que fizeram alguns pagamentos aos “ladrões” de cocaína da delegacia. Gisele transferiu R$ 4.070,00 à Mary Stella, enquanto Marcos Aurélio transferiu R$ 43.587,15 à advogada. 

Foram apurados recebimentos e promessas de pagamento de aproximadamente R$ 308 mil. Apenas Ronaldo, o executor do plano, cobrou R$ 100 mil para cada invasão. A denúncia ainda não informa se os três tabletes que usou para pagar seu carro estão nesta contabilidade. 

Kleyton de Souza Silva teria recebido mais R$ 50 mil por ter ajudado Ronaldo na segunda invasão. Mário Márcio Duarte Navarro e Alex Sander dos Santos dividiram R$ 23 mil. Os depoimentos indicam que o delegado pode ter recebido mais dinheiro, além dos R$ 35 mil em espécie. 

Éder, Mary Stella, Ronaldo, Kleyton, Mário Márcio, Alex Sander, Marcos Aurélio e Gisele foram denunciados por tráfico e peculato. 

101 KG DE COCAÍNA 

Os 101 quilos de cocaína, apreendidos com um caminhoneiro na BR-262, no dia 30 de maio, foram furtados da delegacia de Aquidauana nos dias 6 e 10 de junho.

Marido de advogada cobrou R$ 200 mil; delegado recebeu R$ 35 mil em espécie 

Sobre os valores subtraídos, os policiais e promotores que investigaram o caso detectaram que o ex-delegado de Aquidauana Éder de Oliveira Moraes recebeu, pelo menos, R$ 35 mil em espécie e preferiu o pagamento desta forma, para saldar dívidas com credores. “Aliás, Mary Stella afirmou em seu interrogatório que Éder vivia sem dinheiro e frequentemente lhe pedia empréstimos”, revelaram os promotores na denúncia.

A apreensão de telefones celulares dos envolvidos durante a investigação possibilitou o mapeamento de parte do dinheiro arrecadado com a venda da cocaína furtada. Mary Stella e Ronaldo Alves de Oliveira (companheiro dela, condenado por tráfico), por exemplo, chegaram a trocar comprovantes de transferência bancária (TEDs). Na ocasião de uma transferência de R$ 20 mil, eles chegaram a afirmar que ainda havia cocaína estocada com o grupo. “Mor. Vou sacar e leva ai e pega um pouco com vc ta (sic). Do trem [nome que eles deram à droga furtada]”, afirmou Ronaldo em uma mensagem via WhatsApp à companheira. 

Foi nesta fase do plano que entraram Marcos Aurélio da Silva Carrelo, o Fal, e Gisele dos Santos Galdino, ambos residentes em Campo Grande. Foram eles que fizeram alguns pagamentos aos “ladrões” de cocaína da delegacia. Gisele transferiu R$ 4.070,00 à Mary Stella, enquanto Marcos Aurélio transferiu R$ 43.587,15 à advogada. 

Foram apurados recebimentos e promessas de pagamento de aproximadamente R$ 308 mil. Apenas Ronaldo, o executor do plano, cobrou R$ 100 mil para cada invasão. A denúncia ainda não informa se os três tabletes que usou para pagar seu carro estão nesta contabilidade. 

Kleyton de Souza Silva teria recebido mais R$ 50 mil por ter ajudado Ronaldo na segunda invasão. Mário Márcio Duarte Navarro e Alex Sander dos Santos dividiram R$ 23 mil. Os depoimentos indicam que o delegado pode ter recebido mais dinheiro, além dos R$ 35 mil em espécie. 

Éder, Mary Stella, Ronaldo, Kleyton, Mário Márcio, Alex Sander, Marcos Aurélio e Gisele foram denunciados por tráfico e peculato. 

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