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CORRUPÇÃO

Afastado, juiz pode estar <br> ligado a mais um esquema

Investigações apontam exigência de R$ 250 mil para autorizar venda de imóvel
19/10/2019 09:00 - THIAGO GOMES E EDUARDO MIRANDA


 

O juiz estadual Aldo Ferreira da Silva Júnior, da 5ª Vara de Família e Sucessões de Campo Grande, está sendo alvo de investigações por cobrança de propina em condução de processo de inventário. Por conta disso, nesta sexta-feira o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) comandou uma operação, a Espada da Justiça, para cumprir mandados de busca pessoal e de busca e apreensão em endereços do magistrado, que já está afastado, bem como contra familiares e advogado. 

No ano passado, a esposa de Aldo Ferreira, a advogada Emanuelle Alves Ferreira da Silva, foi acusada – e chegou a ficar presa – de dar um golpe de R$ 5,3 milhões em um aposentado de Petrópolis (RJ), com tramitação no Mato Grosso do Sul.

As investigações contra o magistrado são presididas pelo desembargador Luiz Gonzaga Mendes Marques, relator do processo, com acompanhamento da Procuradoria-Geral de Justiça. Estão sendo apurados eventuais delitos de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa, supostamente praticados a partir de autos de inventário, durante período de atividade funcional de Aldo Ferreira na Vara de Família e Sucessões da Capital. 

Mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo desembargador Luiz Gonzaga. No cerne dos indícios, está sob investigação um esquema de comercialização de decisões judiciais. Em um dos casos sob apuração, conforme o Gaeco, haveria solicitação de vantagem de R$ 250 mil em troca de autorização judicial para venda de um imóvel inventariado em processo.

Nesta sexta-feira, o Gaeco, braço de investigação do Ministério Público Estadual, cumpriu mandados de busca pessoal e de busca e apreensão, tendo como alvo, além do magistrado, o advogado Wilson Tavares de Lima, Pedro André Scaff Raffi e Jesus Silva Dias. Também houve mandados de busca e apreensão contra Vanja Maria Alves (sogra do magistrado) e Aldo Ferreira da Silva (pai dele).

Conforme o Gaeco, Pedro André Scaff Raffi e Aldo Ferreira da Silva Júnior mantinham parceria comercial de revenda de veículos, intermediada por Wilson Tavares de Lima e Jesus Silva Dias. A união destes quatro, porém, ia além do simples comércio de automóveis, alega o grupo operacional do MPE e informa o desembargador no relatório da autorização dos mandados.

“Os investigados, em tese, unidos de forma habitual e permanente, dedicavam-se a ações criminosas, relacionadas, especialmente, com a prática de atos ilegais no âmbito dos processos judiciais que tramitam na 5ª Vara de Família e Sucessões desta Capital, da qual Aldo é juiz titular, embora atualmente esteja afastado de suas funções”. 

AFASTAMENTO

De acordo com as informações, Aldo Ferreira está afastado de suas funções em decorrência de duas investigações. Em um delas, o juiz estadual também teria se envolvido em outro esquema de ilegalidades – desta vez no pagamento de precatórios. O afastamento em virtude desta irregularidade ocorreu no ano passado. 

No tocante às investigações do Gaeco contra a sogra e pai do magistrado, a suspeita é de que eles estariam sendo usados como destino de transferências bancárias com recursos obtidos por meio do esquema criminoso. 

Quanto à prática de corrupção ativa, as equipes do Gaeco têm evidências de que o grupo, chefiado pelo juiz, teria agido para oferecer vantagens a testemunhas para alterar depoimentos quando as investigações já haviam começado. A corrupção passiva estaria caracterizada no recebimento de vantagens para decisões judiciais. 

Aldo é ainda investigado por participação em um caso em que a esposa dele, a advogada Emanuelle Alves Ferreira da Silva, foi acusada de dar um golpe de R$ 5,3 milhões em um aposentado de Petrópolis (RJ). Uma assinatura falsa teria sido usada para pedir a liberação destes valores em um processo judicial.

Felpuda


As pré-candidaturas bizarras estão se espalhando nas redes sociais, nos perfis de quem acredita que esse tipo de “campanha eleitoral” poderá resultar em votos e até levar à conquista de uma vaga na Câmara Municipal de Campo Grande. Se antes isso era visto apenas no horário eleitoral na TV, agora está se espalhado como erva daninha nas redes. Como diria vovó: “Esse povo ainda se acha!” Afe!