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ARTIGO

Wagner Cordeiro Chagas: "As eleições de
1994 em MS"

12 SET 18 - 02h:00

No ano de 1994, o Brasil era governado pelo presidente Itamar Franco (PMDB), o vice de Fernando Collor (PRN), que renunciou em dezembro de 1992, após o processo de impeachment por escândalo de corrupção no seu governo. Itamar assumiu, em setembro de 1992, um país com sérios problemas, dos quais o mais complexo era a inflação descontrolada.

Porém, a partir de fevereiro de 1994, com a adoção da unidade real de valor (URV), elaborada pela equipe do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, a inflação começou a deixar de ser um problema do povo brasileiro.

Por outro lado, as medidas tomadas para contê-la, como elevação da taxa de juros, desencadearam a desaceleração do crescimento econômico e o consequente aumento do desemprego. Em julho daquele mesmo ano, o governo apresentou à nação uma nova moeda, o real.

Nesse contexto, em Mato Grosso do Sul, o então governador Pedro Pedrossian (PTB) tentava pôr em prática sua tese do pacto político, uma ideia segundo a qual as lideranças partidárias do Estado chegariam a um consenso e indicariam apenas um candidato a governador para disputar sua sucessão. Ocorre que o próprio governador já tinha um nome de preferência, o do ex-deputado federal João Leite Schimidt, do PMDB.

No entanto, outros membros do PMDB, como o então senador Wilson Barbosa Martins, não aceitavam a ideia. Assim, o partido realizou prévias entre Wilson e Schimidt e o primeiro saiu vitorioso para disputar o governo.

Pedro Pedrossian não obteve êxito com seu pacto político e indicou para disputar o Executivo estadual o ex-secretário de Fazenda de sua administração Valdemar Justus. Este não decolou e, meses depois, foi substituído pelo então senador Levy Dias.

Desse modo, concorreram ao governo de Mato Grosso do Sul em 1994: o advogado e ex-governador Wilson Martins (PMDB), o empresário Levy Dias (PPR), o vereador por Campo Grande e engenheiro mecânico Pedro Teruel (PT) e a primeira mulher a disputar o governo do Estado, a professora Rita de Cássia Lima (Prona).

Um dado curioso deste pleito eleitoral foi o fato de ser o primeiro em Mato Grosso do Sul em que os eleitores votariam ao mesmo tempo para os cargos de deputados estaduais e federais, senador, governador e presidente da República. Com isso, os candidatos a governador apoiavam os seguintes candidatos a presidente:

Wilson Martins – Orestes Quércia (PMDB) presidente; Levy Dias – Fernando Henrique (PSDB); Pedro Teruel – Lula (PT); e Rita de Cássia – Enéas Carneiro (Prona). A vitória, no primeiro turno, foi de Wilson Barbosa Martins. Pedro Pedrossian, mesmo com a popularidade em alta em Mato Grosso do Sul (governador mais popular do Brasil, segundo o Datafolha), não conseguiu eleger seu candidato. O presidente escolhido, também no primeiro turno, foi Fernando Henrique Cardoso, que alcançou forte popularidade graças à liderança na elaboração do Real.

Para deputado estadual, os eleitos, pelo PMDB, foram: Celina Jallad, Waldemir Moka, Murilo Zauith, Jercé Eusébio e Nelito Câmara. Do PTB: Valdomiro Gonçalves, Antônio Carlos Arroyo, Paulo Estevão e Eder Brambilla. O PFL foi representado por Zé Teixeira, Hosne Esgaib, Londres Machado e Cícero de Souza. O PT elegeu 3: Ben-Hur Ferreira, Zeca do PT e Anilson Prego. Pelo PP: Maurício Picarelli, Jerson Domingos e Waldir Neves. Do PDT: Franklin Masruha e Valdenir Machado. Do PSDB: Akira Otsubo e Roberto Orro. Moysés Nery foi o único eleito pelo PL.

Para deputado federal foram escolhidos: André Puccinelli, Marisa Serrano e Dilso Sperafico, todos do PMDB. Os demais sufragados foram: Nelson Trad (PTB), Marilu Guimarães (PFL), Flávio Derzi (PP) e Oscar Goldoni (PDT).

Ao Senado Federal venceram, para as duas vagas abertas, o ex-governador Ramez Tebet (PMDB) e o ex-prefeito de Campo Grande Lúdio Coelho (PSDB). Ambos concorreram com Ary Rigo (PTB), Rachid Saldanha Derzi (PP), Ricardo Brandão (PT), Alan Pitthan (PPS) e Francisca Escobar (Prona).

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