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ARTIGO

Venildo Trevisan: "A verdadeira face"

Frei

16 MAR 19 - 02h:00

Preciso lembrar que estamos em tempo de Quaresma e Campanha da Fraternidade, cujo tema é: “Fraternidade e Políticas Sociais”. E como lema: “Serás Libertado pelo Direito e pela Justiça”. Isso serve de suporte para levar a bom termo nossa tarefa de humanizar e conduzir a bom termo nossas Políticas Públicas. Servirá também para garantir a cidadania e a livre expressão da sua fé.

Sabemos que durante esse tempo quaresmal são muitos os que exercitam um silêncio mais prolongado, uma abstinência de carnes mais radical e até mesmo evitam bebida alcoólica, fumo,  doces e tantos outros sacrifícios. Tudo para vivenciar o espírito de renúncia e de aproximação maior com Deus. 

São atitudes muito pessoais e até importantes para muitas pessoas. A Igreja tem uma proposta bem mais séria e comprometedora. É uma proposta profundamente direcionada ao desprendimento pessoal de valores materiais em função de uma partilha caridosa e solidária. Atitude que abre espaço para novas possibilidades a quem esteja em busca de caminhos seguros em sua vida e fé.

Há também oferta de possibilidades de exercitar o espírito de acolhida com os migrantes, com moradores de rua, com pessoas com deficiência e até com encarcerados. Estes são seres humanos com a mesma dignidade e as mesmas esperanças de quem cultiva naturalmente a cidadania e a fraternidade. São todos filhos e filhas do mesmo Deus.

Não podemos permanecer indiferentes em face desses seres humanos caídos à margem da dignidade e de uma vida que deve ser honrada. São faces escondendo o sofrimento e o abandono. São faces entristecidas e abatidas por não terem a quem sorrir. São faces amargando a dor e a solidão por não terem onde e como sossegar seu coração.

Não é fácil, diante dessas realidades, olhar para dentro de si e despojar-se do comodismo e abraçar alegremente a tarefa de abrir novos caminhos, novas atitudes e novos compromissos com a verdade e o bem. Nada de covardia. Nada de medo. Nada de omissão.

Os seguidores do Mestre também tiveram a tentação de isolarem-se do mundo e permanecerem no alto da montanha e continuarem o resto dos dias contemplando a face resplandecente de seu Mestre e Senhor. Seria muito mais confortável permanecer longe da dor e do sofrimento de tantos irmãos e irmãs.

Essa euforia chegou ao ponto de Pedro exclamar com toda a força de seus pulmões: “Mestre, é bom estarmos aqui. Poderemos levantar três tendas: Uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias” (Lc.9,13). A beleza e o esplendor da face do Mestre deixou-os perplexos. Não queriam nada a mais do que isso.

Mas o Mestre não permaneceu por muito tempo nesse espetáculo. Era preciso descer da montanha e ir ao encontro de tantos e tantas que estão com suas faces, não transfiguradas, mas desfiguradas. E são essas faces que revelam o quanto é doloroso perder as forças e as esperanças. São essas faces que nos interpelam pedindo que as mudemos em faces alegres, satisfeitas e felizes. Então o mundo será mais humano e a sociedade mais solidária.

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