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OPINIÃO

Valdmário Rodrigues Júnior: "Amamentação: um trabalho em equipe"

Obstetra e especialista em amamentação

13 JUL 19 - 01h:00

Muito se fala em “lugar de fala” atualmente. E eu, por pertencer ao sexo masculino, talvez não seja considerado a melhor figura para levantar a bandeira do aleitamento materno. A questão que trago aqui é justamente o inverso, pois acredito fortemente que para que a mulher amplie as suas possibilidades de amamentar o filho por mais tempo é preciso que todos ao seu redor – companheiro, avôs, avós, tios, tias, amigos e amigas, inclusive colegas de trabalho – estejam comprometidos com ela, cuidando do entorno e oferecendo-lhe o suporte necessário para ela se dedicar a essa função. A amamentação precisa passar a ser vista como um trabalho em equipe, e não como uma tarefa que cabe exclusivamente à mulher.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que, na medida do possível, as crianças recebam aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida e continuem sendo amamentadas de forma complementar até os dois anos de idade. Os benefícios – para mãe e para a criança – são inúmeros, indo desde o fortalecimento do sistema imunológico da criança à menor propensão para desenvolver câncer de mama nas mulheres.

Entretanto, para atingir esses marcos de seis meses e de 2 anos, a mulher precisa contar com uma efetiva rede de apoio bem informada e intencionada. Isso é tão crucial que é, inclusive, o tema central da Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM) deste ano: “Capacite os pais e permita a amamentação, agora e no futuro”, evento que é coordenado pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria.

Mas o que é, afinal, uma rede de apoio? É quando família, comunidade, profissionais da área de saúde e o próprio local de trabalho se mobilizam para tornar o ambiente favorável para que aquela amamentação perdure.

Essas iniciativas podem ser inúmeras... a família pode auxiliar com tarefas do dia a dia; a comunidade, criando ambientes públicos e coletivos amigáveis para mães que amamentam; os especialistas, compartilhando informações baseadas em evidências que não comprometam o processo, enquanto o universo corporativo pode criar um ambiente acolhedor que permita, por exemplo, a extração de leite materno quando essa mulher retorna ao trabalho.

Os exemplos não param por aí, e o pai precisa ser considerado nesta equação, pois merece inclusão e empatia neste momento, assim como a mulher. Afinal, os dois estão juntos nessa missão de criar os filhos e preservar a amamentação.
A nós, sociedade, cabe promover o empoderamento dessas famílias, sem distinção de gênero, pois já está mais do que provado que a amamentação melhora significativamente quando há participação de todos.

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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