Campo Grande - MS, sexta, 17 de agosto de 2018

OPINIÃO

Thiago Cyles da Silva Oliveira: "Essa gente incomodada..."

Mestre em Letras. Líder da Igreja Sara Nossa Terra

18 OUT 2017Por 01h:00

É preciso que o Brasil veja que algumas revistas nesse país parecem se reunir em pauta com seus pares para decidir qual será o próximo grupo a ser atacado, o quanto será ofendido, caluniado e marginalizado. Dessa vez foram os evangélicos. Devemos ser tolerantes com todas as religiões, menos com evangélicos. Afinal são homofóbicos, machistas, discriminadores, extremistas fundamentalistas, só falam com discurso de ódio e agora são também de baixa instrução. Pois são todos ingênuos o suficiente para permitir que qualquer pregador espertalhão lhes arranque até os últimos níqueis.

Só acredita nessas lorotas midiáticas quem é preconceituoso o bastante, quem age de má fé ou quem nunca pisou dentro de uma igreja evangélica. Pois é só entrar em uma e olhar ao redor e encontrar uma infindável lista de gente formada, instruída e desconfiada. E os de baixa escolaridade não existem? Existem e esses estão sendo encorajados a modificar a realidade que os cerca. 

Pastores não inventaram o evangelho. Apenas pregam o que nele está escrito. Creia quem quiser. É assim no que se refere a questões de orientação sexual, dízimos e ofertas, por exemplo. Será que alguém acha que em todas as igrejas os fiéis são levados a câmaras escuras e que sob a mira de fuzis entregam ao pastor tudo que possuem? Obviamente que não. Dizima e oferta quem crê nesse princípio bíblico e mesmo dentro das igrejas, muitos são os que não creem. 

Os dizimistas que ficam ricos são que trabalham para tal, os que empreendem e não se tornam reféns do dinheiro. Se o sujeito entrega seu carro e casa na igreja, a única certeza que ele tem que ter é que no outro dia precisará andar a pé e procurar um lugar novo para morar. Deus não tem obrigação de operar milagres em tempo recorde e muito menos pastores que desafiam seus fiéis para ofertar.

E por que tanta preocupação com o dinheiro alheio? Basta visitar qualquer “templo milionário”, como dizem as más-línguas, e encontrar-se-á por trás dele muito trabalho social envolvido. Pessoas que são retiradas da criminalidade, do vício, da prostituição, mulheres que eram espancadas por seus maridos, homens que espancavam suas esposas, crianças que deixaram de ser vítimas de miserabilidade e abusos.  E sem falar que a igreja tem todas as suas despesas de água, luz, limpeza, funcionários, manutenção e etc. Dízimos e ofertas, além de bíblicos, são extremamente necessários para a sobrevivência das igrejas, afinal elas não dispõem de verba estatal como os artistas que aparecem nus em exposição de museu.

Como achar que igrejas deveriam pagar impostos se elas já fazem o que o Estado deveria fazer por seus cidadãos? Com exemplos assim, não é de estranhar que fiéis voluntariamente entreguem seus dízimos e ofertas em suas igrejas. Estranho é ver todo dia um político ser preso, uma mala de dinheiro ser encontrada em apartamento privado e ainda assim haver tantas pessoas que paguem “religiosamente” seus impostos aos cofres púbicos. 

Devem existir pastores mal caráter, assim como existem ateus com princípios mais cristãos do que gente que está na igreja. Felizmente os pastores que conheço pessoalmente não recebem sequer salários das igrejas em que trabalham. Precisam ter uma outra profissão para sustentar a família, usam o próprio veículo na obra e investem boa parte do que ganham no ministério em que acreditam.

Não é de estranhar o porquê das pejorativamente chamadas “bancadas evangélicas”. Se um sujeito não pode se candidatar mencionando que é pastor, o mesmo deveria ocorrer com os que dizem que são professores, médicos, delegados, ativistas, filho ou neto de tal político. Se os direitos cristãos são ameaçados, quem poderia brigar por eles se não candidatos que foram eleitos com esse discurso?

Para quem anda indignado com essa gente que tanto incomoda, saiba que de agora em diante ela incomodará cada vez mais.

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