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Campo Grande - MS, quinta, 15 de novembro de 2018

artigo

Ruben Figueiró: "Não é como dantes"

Ex-senador da República

12 SET 2017Por 02h:00

Pela idade que tenho – graças a Deus –, já passei por momentos relevantes, registrados na rica e também tempestuosa trajetória de nosso País.

Na infância, na adolescência, nos anos mais maduros, ouvi, assisti ou participei deles.

Cito os impactos da revolução de 1930, na década, o Estado Novo, a restauração democrática de 1945, a vergonhosa renúncia de Jânio em 1961, seguida do efêmero regime parlamentarista, armado de araque para não se perpetuar; antes, os entreveros que se seguiram do suicídio do Presidente Vargas; o movimento revolucionário de 1964, que evitou a sovietização da República, o longo período militarista que se seguiu ainda não suficientemente avaliado; a restauração da plena liberdade com as garantias da Constituição Cidadã de 1988 e no exercício dela as disputas eleitorais periódicas com as exaltações cívicas decorrentes, algumas que deram origem às fricções no texto constitucional, até chegar nesses instantes em que a nação encontra-se perdida dentro de um redemoinho de exacerbadas emoções. Creio que o nosso homem simples de nosso interior destemido ao observar a balbúrdia que agita as cidades grandes diria “eles estão mais perdidos que cachorro de mudança na carroceria do caminhão”...

Sinceramente, sou daqueles que ainda acredita que nossos governantes encontrarão o norte para estabilizar as políticas econômicas sociais e do processo eleitoral, todas intensamente imbricadas mercê das ambições descomportadas dos que compõem expressiva parcela dos componentes dos três poderes da República.

Sente-se não mais “no ar”, mais aqui no piso duro da terra que o povo está desanimado, revoltado com a desenvoltura daqueles que exercem o poder, e anunciam uma reprimenda eleitoral para os que desejam reiteração do voto e aos que não dependem dele (voto) porque encastelados em posições tidas como inamovíveis. 

No Senado, procurei por meio de várias manifestações juntar-me àqueles que defendiam a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte Exclusiva, exclusiva para elaborar nova Carta que acolhesse o sentimento atual da Nação.

Também que ela fosse integrada somente por cidadãos que não participassem de posições legislativas, executivas ou judiciárias, no presente como no passado, e se comprometessem a não delas participar por determinado período de quarentena. Tenho esperança que tal ocorra.

Também defendi a tese do parlamentarismo, sistema de governo que aprendi por meio das lições de dois mestres do direito público, os saudosos deputado Raul Pilla e o senador Afonso Arinos de Melo Franco.

Com o parlamentarismo, acabar-se-ia com os males tão encardidos do chamado “presidencialismo de coaptação”, gerador de tudo o que hoje o povo reclama e exprobra. Tenho fé na ação da vontade popular que mudanças virão para o restabelecimento da essência democrática.

Uma palavra sobre o PSDB, o meu partido. Minha opção filiando-me a ele foi pela essência de sua meta programática, na qual tem destaque o parlamentarismo, aspiração que agasalho desde a mocidade.

Triste, reconheço que o partido tem cometido erros em todos os setores de sua atuação. Porém, uma nova luz se projeta pela orientação lúcida de seu presidente interino, o senador Tasso Jereissati.

Admite os erros praticados e tenta reconquistar o espaço perdido. Se modesta opinião vale, estou com o presidente Tasso Jereissati. Se hoje não só o PSDB como os  chamados grandes partidos respeitassem as questões essenciais de seus programas – como no passado acontecia com a UDN, PSD, PTB, PSB – de respeito à opinião dos companheiros por certo haveria agregação partidária, sobretudo nos momentos de dificuldades.

Atualmente, a desagregação em todos os partidos decorre do descrédito que granjearam no seio de seus partidários. Não é como dantes.

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