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OPINIÃO

Rodrigo Augusto Prando: "Um dilema para Bolsonaro"

Cientista político
15/05/2019 01:00 -


Há um dilema ainda não proposto para Bolsonaro, mas que, creio, chegará em algum momento. Em verdade, o dilema está latente, contudo, não reconhecido pelo atual presidente. Em termos gerais, há a seguinte escolha: 1) dar um basta nas pautas e ações ideológicas e, com isso, irritar os eleitores bolsonaristas; e 2) focar na administração do Estado, de forma pragmática, democrática e republicana, e com isso ganhar liderança e capital político, que foi rapidamente dilapidado nestes meses iniciais de governo. Vejamos.

A conjugação de pautas mais ideológicas como, por exemplo, a mudança de embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém; a promoção de facilidades para posse e porte de armas; o corte de verbas para as universidades; a tentativa de sucatear cursos da área de Humanas, como Filosofia e Ciências Sociais; os retrocessos no Ministério do Meio Ambiente, entre muitas outras. Tais pautas denotam que não há uma racionalidade que implique na correta projeção das consequências daquilo que é dito ou arquitetado. No limite, há mais paixão, ideologia, voluntarismo e amadorismo do que, efetivamente, uma ética da responsabilidade.

Soma-se a isso os dizeres de campanha que teríamos um governo liberal na economia e conservador nos costumes. Até o momento, são visíveis as pautas conservadoras e pouco de liberalismo, uma vez que as intervenções de Bolsonaro na política de preços da Petrobras e as falas sobre os juros do Banco do Brasil trouxeram prejuízos às instituições. Há, claro, a MP da liberdade econômica, que deve ser elogiada e aprofundada, bem como as tratativas em relação à reforma da Previdência. Mas, tirante esses dois últimos bons exemplos, o governo foi, até o momento, bem mais inoperante do que proativo no que tange aos problemas reais, concretos, da sociedade brasileira. Além da guerra virtual promovida por Olavo de Carvalho e parte dos filhos do presidente contra membros do atual governo, como, recentemente, o general Santos Cruz, e as ofensas ao ex-comandante do Exército, o general Villas Bôas.

Tem ficado nítido para os atores políticos e para os analistas que as falas de Olavo de Carvalho ou do filho Carlos são referendadas por Bolsonaro, que não pode proferi-las pessoalmente. Abandonar essa conduta ideológica teria de se assentar numa mudança radical das ações em alguns ministérios ou, até mesmo, no desligamento de alguns ministros desse atual governo: Damares Alves, Ernesto Araújo, Abraham Weintraub e Ricardo Salles, por exemplo. Estes poderiam ser substituídos por figuras de destaque em suas áreas e com capacidade técnica, intelectual e de gestão para as funções que os ministérios reclamam. Outro ponto seria limitar a importância que filhos e Olavo de Carvalho assumiram neste governo paralelo.

Se o presidente Bolsonaro optar por essa escolha, terá o ódio daquele bolsonarista raiz, bem como de Olavo de Carvalho. Em contrapartida, pode ampliar sua base no Congresso Nacional e na própria sociedade. Feito isso, poderia o presidente focar em temas estratégicos: reforma da Previdência, uma boa articulação política, reforma fiscal e tributária, reforma política, diminuição da violência, retomada do emprego e melhoria dos nossos péssimos índices educacionais. Se Bolsonaro conseguisse só metade – ou um terço – disso, já estaria colocado como forte candidato à reeleição.

Até o momento, esse dilema sequer foi assimilado pelo governo. As falas e ações têm privilegiado as pautas ideológicas e a guerra virtual contra os próprios aliados no governo em detrimento de uma administração estratégica de problemas reais. Até quando?

Felpuda


Malfeitos que teriam sido praticados em tempos não tão remotos podem ser a pedra no caminho de pré-candidatura que está sendo costurada. As conversas ainda estão nas “ondas da rádio-peão”, mas, com a proximidade da campanha eleitoral, há quem diga que isso se tornará uma tremenda dor de cabeça para quem vai enfrentar as urnas. Pior:  o dito não seria culpado direto, mas sim a sua...  Bem, deixa rolar para ver onde vai parar.