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Campo Grande - MS, terça, 11 de dezembro de 2018

ARTIGO

Roberto Santos Cunha:
"O País do samba e do futebol"

Advogado e conselheiro da OAB/MS

18 MAI 2018Por 02h:00

No início do ano 2016, publiquei um artigo neste mesmo editorial tratando da crise vivenciada na política brasileira. Na ocasião, externei que o legado benéfico extraído dessa crise é a paulatina politização da população brasileira, que não mais tolera a velha forma de fazer política. Muita água passou por debaixo da ponte de lá para cá. No entanto, a premissa levantada fica mais evidente em tempos atuais.

Estamos às vésperas da Copa do Mundo. O Mundial a ser realizado na Rússia se inicia a menos de um mês, com a partida inaugural marcada para o dia 14 do mês vindouro. Na segunda-feira (14/05), o técnico da seleção brasileira, Adenor Leonardo Bacchi, apelidado de Tite, anunciou os 23 convocados para representar a equipe nacional neste Mundial. Euforia? Clima de Copa? Ansiedade pela estreia da seleção? Não é o que se tem notado na população brasileira. Em outros tempos, o Brasil todo apenas falaria este único dialeto até o final do mundial. 

Em verdade, a boa notícia é que o Brasil vem mudando. Sim! Não estamos mais preocupados apenas e tão somente com o pão e com o circo. Assuntos que são de maior relevância para a nação continuam a ser os protagonistas dos noticiários. A Copa, diferentemente de outras épocas, tem reportagem menos efusiva e não é o único assunto a pautar as rodas de conversas. Não quero aqui defender que deixemos de lado o patriotismo que impera em tempos como este. Futebol é patrimônio cultural do Brasil. No entanto, quero chamar a atenção para este fenômeno que estamos vivenciando com a maturidade demonstrada pela população brasileira. Ora, estamos no trilho certo ao não pararmos o País por força desse evento, certamente importante, mas que não tem o condão de ofuscar as prementes necessidades do País.

E aqui cabem as seguintes perguntas: Por que estamos diferentes? Por que o Brasil não é mais apenas o País do samba e do futebol? A resposta a estas perguntas, por certo, está intimamente ligada ao artigo que mencionei no início, ou seja, o legado benéfico dessa crise que bravamente enfrentamos. Sem pretender adentrar ao campo dos sofismas para defender a correção desta ou aquela pessoa ou instituição, certo é que o Supremo Tribunal Federal, juiz Sergio Moro, Ordem dos Advogados do Brasil, entre tantos outros assumiram papel preponderante nesta mudança de concepção, que me arrisco a dizer “cultural”. Hodiernamente, as conversas de todas as classes e credos perpassa por eles. Nesta senda, com erros e acertos, é induvidoso que o Brasil caminha e, com ele, o seu povo, rumo à direção correta.

No entanto, temos muito a fazer. Precisamos percorrer ainda uma longa jornada rumo ao lugar que queremos chegar, entre os países desenvolvidos. E estes foram apenas os primeiros passos de uma nação que tem gana e sede de vitória. E não vitória apenas no campo de futebol. Vitória na saúde, na educação, na segurança da sua população. Enfim, vitória fora de campo, que tenha como grande objetivo a dignidade do seu bravo povo retumbante.

Ah, e o futebol? Quase ia me esquecendo que estamos em tempo de Copa do Mundo. Cabe desejar ao Brasil uma boa sorte no Mundial da Rússia, sem  perder de vista que hoje, no País do futebol e da pátria de chuteiras, nossos principais jogadores a defender a nação estão fora do campo.

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