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ARTIGO

Renata Bento: "Cyberbullying – a violência psicológica virtual"

Psicóloga

15 JUN 19 - 01h:00

O cyberbullying é o uso do espaço virtual de forma deliberada, por meio de comportamentos hostis, com objetivo de provocar, difamar, insultar e humilhar; são disseminados a uma velocidade imensurável por meio das tecnologias de informação e comunicação. É um tipo de violência praticada de modo virtual que afeta psicologicamente crianças e adolescentes, causando impacto real no mundo mental de suas vítimas, acarretando sérios prejuízos ao crescimento, autonomia e independência.

Uma das características que diferencia cyberbullying de bullying é a dificuldade de identificação do agressor, deste modo, no contexto virtual, lugar inóspito que não se vê corpo nem rosto e onde a informação tem grande velocidade, torna-se mais demorado a aproximação e reconhecimento do agressor.

O cyberbullying pode ser devastador para o mundo psíquico e pode ocorrer de diversas formas: por meio de mensagens de texto, imagens, perfis falsos, chats on-line, jogos on-line, entre outros. Com toda facilidade que existe com a tecnologia na atualidade, a dificuldade é manter privado aquilo que pertence à esfera privada. Isto é, tudo pode ser gravado, fotografado, editado e transmitido. A internet tem uma capacidade de disseminar informação de forma muito rápida, e por isso seu alcance passa ter uma dimensão impensável. O que fica na rede não pode ser apagado, pior, pode ser compartilhado, e o estrago pode ser grande. Uma experiência traumática, um tipo de violência psicológica silenciosa e com raízes profundas, pois leva a vítima a se recolher, a se isolar socialmente, a ter dificuldades de concentração, baixo rendimento escolar e introversão e pode contribuir para o aparecimento de quadro mais graves, como a depressão e até mesmo levar ao suicídio.

A dificuldade em ser descoberto e a falsa sensação de anonimato contribuem para o crescimento desse tipo de violência psicológica, que é considerada crime. Apesar de ser um assunto ainda novo, a legislação tem avançado e foram criadas leis que protegem o usuário. Isto é, uma vez o detectado o cyberbullying, medidas judiciais podem ser tomadas a fim de proteger a vítima do ponto de vista jurídico. Há de se ter a proteção e o acompanhamento psicológico, porque a vítima fica emocionalmente enfraquecida, com autoestima prejudicada e muitas vezes envergonhada.

Educar, proteger e supervisionar as crianças e adolescentes a respeito do uso e limites da tecnologia e do convívio em telas de computador e smartphones ainda é o melhor caminho. A conexão familiar, os bons encontros por meio das conversas francas e verdadeiras têm seu lugar como sendo o que mais importa para conscientizar e evitar que os filhos caiam nessas armadilhas.

Todo esse avanço tecnológico ainda é um terreno pouco conhecido que exige cuidado ao pisar; o problema não é a tecnologia e a máquina, e sim o mal uso que pode ser dado a essas ferramentas pelos humanos. Preservar a saúde mental é também estar atento as crianças e adolescentes, às suas relações de convívio dentro e fora do mundo virtual.

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

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