domingo, 22 de julho de 2018

OPINIÃO

Pedro Puttini Mendes:
"Brasil ambiental, campeão invicto"

Professor e advogado; especialista em Direito Agrário

14 JUL 2018Por 01h:00

Lendo o texto “Pentacampeão perde de goleada em conservação do meio ambiente” deste jornal em 25/06/2018, volto-me ao texto para, nesta oportunidade, dar as boas novas ao Brasil ambiental que temos hoje, essencialmente com base nos “dados disponíveis”, os quais devem nortear estes discursos, principalmente os acadêmicos.

Na questão ambiental, principalmente, os dados estão chegando atualizadíssimos graças ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), Programa de Regularização Ambiental (PRA), a legislação ambiental mais rígida do mundo (Código Florestal) e, sobretudo, a análise destes dados feitas por entidades como o Serviço Florestal Brasileiro (http://www.florestal.gov.br/numeros-do-car) e o projeto Iniciativa para Uso da Terra (Input - http://www.inputbrasil.org), que têm trabalhado de maneira categórica com os dados. 

Vejamos. O Serviço Florestal Brasileiro, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, responsável pela referida análise de dados do Cadastro Ambiental Rural, publicou no mês de maio um boletim informativo em edição especial de 4 anos do CAR, deixando claro que da área total cadastrada, de 448.319.254 hectares em 5.119.780 imóveis rurais, temos hoje os seguintes gols.

Aproximadamente 64% (sessenta e quatro por cento) de preservação ambiental distribuída entre áreas de preservação permanente, reserva legal e remanescentes de vegetação nativa, porcentual este distribuído em 7% na primeira modalidade, 36%, na segunda e 57%, na terceira.

Nas áreas de reserva legal, por sua vez, são 71% de remanescentes de vegetação nativa em reserva legal, a qual totaliza 102.024.137 hectares, em imóveis particulares, não necessariamente as – nem sempre eficazes – unidades de conservação que, a depender de sua modalidade, inviabilizam utilização de áreas por completo. Em áreas de preservação permanente são 18.538.737hectares e 53% de vegetação nativa remanescente.

Já o referido projeto Input comprova em suas publicações que, no Brasil, em comparativo com Estados Unidos, Argentina, Canadá, China, França e Alemanha, somos invictos em milhões de hectares com área florestal preservada nativa, nem plantada. O uso agropecuário em nosso país é muito inferior aos comparados, basta ler o material.

Não podemos criticar totalmente o movimento ambientalista, particularmente, em nome da qualidade de vida, devemos estar inseridos nele, mas é hora de um movimento “agroambientalista” sem que brasileiros ataquem o próprio Brasil, pois a seleção precisa jogar unida, não um único craque.

Sem mais então, é hora de virar o disco, trocar de música, alinhar o discurso e trabalhar melhor com dados, já que o novo desafio para os ambientalistas não é mais o “gol” contra nossa própria seleção, o Brasil é uma potência “agroambiental”, precisando de comunicação destas boas notícias ao mundo, já que temos muito a oferecer ao exterior, um mercado inteiro de produtos sustentáveis, tangíveis e não tangíveis, certificados em alimentos ou em créditos de carbono para os países que realmente estão marcando gol contra o meio ambiente em suas metas.

Apenas de passagem, cabe um lembrete, olhar para a saúde ambiental das zonas urbanas, áreas preservadas, questões sanitárias e demais problemas ocupacionais destas, alinhamento da mira ambiental.
Há muito o que ser pensado, principalmente estudado e publicado, para contribuir ainda mais com as ferramentas agroambientais hoje disponíveis para o nosso verdadeiro desenvolvimento sustentável, mãos à obra.

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