terça, 14 de agosto de 2018

OPINIÃO

Pedro Chaves: "O significado do Sete de Setembro"

Senador

7 SET 2017Por 01h:00

Considero muito importante o processo de reflexão sobre o significado do Sete de Setembro de 1822 para a história brasileira. Cultivo profundo respeito por essa data porque ela abriu um caminho novo e diferente para o País. Permitiu que o sonho represado de homens e mulheres se materializasse.

O processo de independência, de qualquer nação, representa um momento muito especial porque a sociedade civil e a sociedade política, doravante, têm o direito de traçar alternativas econômicas e políticas com autonomia e liberdade. A nação andará com seus próprios pés, como gosta de dizer o economista Waldemar Otanni.

 Na virada do século 18 para a centúria seguinte, brotaram vários movimentos sociais, no Brasil, com o objetivo de conquistar autonomia política e econômica da então colônia.

 Os ventos pró-Independência sopravam forte, em toda a América, nessa quadra histórica, guiados por homens como Simão Bolívar, San Martin e outros.  A Guerra dos Mascates em Pernambuco; a Inconfidência Mineira em Minas Gerais; a Conjuração Baiana na Bahia e outras relevantes revoltas regionais indicavam que a conquista da independência era tarefa primordial e urgente.

 O Brasil não cabia mais na camisa de força do Império Português. Não havia outra alternativa.  Ou Dom Pedro I declarava o Brasil livre do poder lusitano ou outra liderança iria fazer. A nação estava madura para construir o seu destino. A força das ideias estava vencendo mais uma batalha na longa e difícil evolução da nossa sociedade. 

 Passados quase dois séculos da Independência, continuo convencido de que as ideias que culminaram com o Sete de Setembro não pereceram após o Grito do Ipiranga. Elas continuaram alimentando novos momentos de mudanças, mesmo que de forma lenta, como atestam alguns estudiosos do assunto.

 A luta pelo fim do escravismo, em 1888, e a conquista da República, em 1889, a meu ver, foram embaladas pelas ideias forjadas na luta pela independência.

 Não podemos entender episódios admiráveis da nossa história, como a República, o fim do escravismo ou a Revolução de 1930, se não lembrarmos do trabalho político e militar de pioneiros como Frei Caneca, Tiradentes, Duque de Caxias, Getúlio Vargas e outros destacados brasileiros, civis e militares, que colocaram suas vidas a serviço da construção de um Brasil desenvolvido e autônomo.  

 Tivemos avanços importantes da Independência até os nossos dias. Devemos celebrar essas conquistas com entusiasmo e patriotismo; mas, por outro lado, temos que olhar, com todo carinho, para os imensos gargalos sociais que ainda existem em nosso País.

 Gargalos que castigam com muita intensidade as populações mais pobres e vulneráveis que não foram incorporadas, ainda, ao processo de criação e distribuição de riqueza.

 Sou um apologista do Sete de Setembro. Em nossas instituições educacionais, eu comemorava esse dia com intenso espírito cívico. Desfilei muitas vezes, com meus alunos e alunas, em Campo Grande, nas comemorações cívicas. Ia na frente da fanfarra, externando meu compromisso com a pátria. 

 Que as ideias dos pioneiros da Independência continuem alimentando a caminhada do Brasil rumo a novas conquistas.

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