Artigos e Opinião

ARTIGO

Pedro Chaves: "Na 73ª Assembleia Geral da ONU"

Senador da República

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Sou agradecido a Deus por ter me concedido ótimas oportunidades para representar meu País e meu Estado em importantes fóruns mundiais. Como Reitor da Uniderp, de Mato Grosso do Sul, participei de vários colóquios internacionais em que se discutiam economia, educação, meio ambiente, democracia e a possiblidade da construção de um mundo livre de guerras e da dor da fome.

Quis o destino que eu me tornasse senador da República. Assumi essa missão com um olhar regional e outro universal. Estou entre aqueles que defendem a ideia de que tudo e todos estão ligados por laços visíveis e invisíveis da grande rede que integra o planeta Terra. O que acontece no Pantanal tem dimensão mundial. Não existe nenhum hiato entre local e o universal. O mundo é uma grande aldeia unida pelos mecanismos da dialética.

Assim, com esse propósito, estive na Coreia do Norte, em abril, como representante da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal, com o objetivo de participar do esforço dos povos da Península Coreana pelo retorno da paz e pelo fim das armas atômicas que estão instaladas naquela importante região do planeta. Foram dias de intenso aprendizado, que reforçaram ainda mais meu compromisso com a democracia e com a paz entre os povos.

Em novembro de 2017, também participei de duas reuniões da Organização das Nações Unidas (ONU), sendo uma no Canadá e outra nos Estados Unidos da América, com o intuito de debater caminhos novos e seguros que permitam o avanço do processo de empoderamento da mulher. Apoiar as mulheres na luta por mais espaços econômicos e políticos é uma das metas da ONU. Meta que eu concordo e defendo plenamente.

Citei essas experiências, mas também quero dividir com os leitores e leitoras minha participação na 73ª Assembleia Geral da ONU, realizada em Nova Iorque, entre os dias 4 e 6 do mês em curso, para tratar temas complexos e urgentes da política mundial, entre eles, a questão ambiental e o drama dos países considerados de renda média, isto é, pobres pelos critérios da ONU.

Os países considerados de renda média possuem 70% da população mundial. O Brasil é considerado país de renda média. Há uma justa e urgente preocupação da ONU com essas nações. A pobreza, infelizmente, em muitos casos, combina baixo nível de desenvolvimento econômico, conflitos sociais e desatenção com as questões ambientais e com o processo democrático. Tudo isso representa uma mistura perfeita para o caos.

A Agenda 2030 da ONU, tema central desse colóquio, objetiva criar um mundo desenvolvido e sustentável ambientalmente, com a pobreza e os conflitos entre nações erradicados. O caminho, conforme falaram representantes de vários países, passa pelo apoio das nações ricas, e é preciso mais fraternidade nas relações comerciais.

Os países em desenvolvimento necessitam de apoio concreto. As trocas internacionais precisam ser baseadas na ideia de reciprocidade. Não há como resolver esse drama com o aumento e a concentração de riqueza em poucas mãos.   

A ONU tem pressa em mudar esse triste panorama. Quem tem fome também tem pressa, como dizia o grande Betinho. Encerrando, desejo um Feliz Natal para todos e um Ano-Novo cheio de realizações.

EDITORIAL

IPTU: o custo da falta de diálogo

Nas próximas mudanças tributárias, políticos do Executivo e do Legislativo certamente estarão mais atentos. Não por benevolência, mas por necessidade

03/02/2026 07h15

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A relação entre o poder público e a sociedade não se estabelece por decreto, tampouco se sustenta apenas no resultado das urnas. Ela é construída diariamente, no exercício contínuo do diálogo, da transparência e da capacidade de ouvir.

Engana-se quem acredita que aqueles que ocupam cargos de decisão, munidos da caneta e da formalidade do poder, podem agir de forma isolada, impondo escolhas sem consequências. A democracia, ainda que imperfeita, cobra retorno. E cobra rápido.

Políticos precisam do povo para chegar onde estão. Essa dependência não se encerra no momento da posse; ela persiste durante todo o mandato.

Quando decisões geram insatisfação coletiva, o alerta se acende. Ignorar esse sinal costuma ser um erro estratégico e, muitas vezes, político. A reação da sociedade funciona como termômetro e aviso prévio de que algo saiu do eixo.

Foi exatamente isso que se viu em Campo Grande após a turbulência provocada pela cobrança do IPTU no início do ano. O aumento inesperado, somado à nova taxa do lixo, pegou milhares de contribuintes de surpresa.

Diante da repercussão negativa e da pressão popular, a prefeitura acabou cedendo, empurrando o prazo de pagamento por mais um mês na tentativa de arrefecer a crise. A medida ajudou a ganhar tempo, mas não resolveu o problema central: a falta de explicação prévia e clara.

Os contribuintes, ao receberem os carnês, não compreendiam o motivo do reajuste. E tinham razão. Ninguém gosta do imprevisível, especialmente quando ele impacta diretamente o orçamento familiar. Tributos exigem critérios objetivos, previsibilidade e comunicação eficiente.

Quando isso não ocorre, a sensação de arbitrariedade toma conta, abrindo espaço para queixas, judicialização e desgaste institucional.

Em meio a esse cenário conturbado, houve reação. Instituições se mobilizaram, entre elas a OAB-MS, além de cidadãos que buscaram esclarecimentos e questionaram os aumentos. A atuação mostrou que a sociedade não está disposta a aceitar decisões mal explicadas e que há mecanismos de controle funcionando, ainda que acionados tardiamente.

Somente agora o município apresentou uma explicação mais detalhada sobre o aumento da taxa do lixo. A justificativa, desta vez, foi satisfatória e baseada em critérios objetivos. Resta a pergunta inevitável: por que isso não foi feito antes? Uma comunicação mais eficiente no ano passado teria evitado desgaste político, insegurança jurídica e a sensação de improviso.

O que se sabe é que episódios como esse deixam marcas. E, certamente, servirão de lição. Nas próximas mudanças tributárias, políticos do Executivo e do Legislativo deverão estar mais atentos – não apenas ao impacto financeiro, mas à forma como essas decisões são apresentadas à sociedade.

Porque governar não é apenas decidir. É explicar, ouvir e, quando necessário, corrigir o rumo.

ARTIGOS

Entre a fé a ciência: a cura que renova esperanças

Com diagnóstico médico irreversível, a busca de refúgio em uma fé plural e profunda

02/02/2026 07h45

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Vítima de um grave acidente de motocross no Espírito Santo, Luiz Fernando Mozer, de 37 anos, tornou-se um símbolo do debate entre os limites da medicina e a força da esperança.

Durante uma competição, uma colisão aérea fez as motos caírem violentamente. Ele perdeu o movimento das pernas instantaneamente. Os exames confirmaram o pior: uma lesão medular completa, com ruptura da coluna. O diagnóstico médico era irreversível. “Foi cortado como um fio. Só resta orar por um milagre”, ouviu a família.

Diante da devastação, a família buscou refúgio em uma fé plural e profunda. Sua irmã, Carla, descreve: “Eu sou batista, meu irmão é católico, minha mãe adventista. A gente se dá muito bem”.

Essa diversidade se transformou em união. Uma corrente de orações se formou, transcendendo denominações. Os dias passaram a ser marcados por um clamor intenso e coletivo.

Enquanto oravam, Carla, que é enfermeira, agiu. Buscou entender a lesão, mas a confirmação foi dura: ruptura completa, considerada irreversível. Foi então que ela se lembrou de uma mensagem antiga sobre uma pesquisa brasileira com uma substância chamada polilaminina. “Deus ficou me incomodando a agir”, conta. Ela mergulhou em artigos científicos.

Descobriu o trabalho pioneiro da dra. Tatiana Coelho Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que não é médica, é bióloga. Após décadas de pesquisa, sua equipe desenvolveu a polilaminina, uma proteína experimental derivada da placenta humana. Aplicada na lesão, ela age como uma “cola biológica”, favorecendo a regeneração de neurônios e a reconexão de circuitos nervosos.

Luiz Fernando se tornou o primeiro paciente tratado. Os resultados surpreenderam: em menos de 48 horas, ele recuperou a sensibilidade e contraiu músculos inertes. Sua história não é única.

Outros pacientes, como Bruno Drummond, tetraplégico, voltaram a andar. Pelo menos 16 brasileiros já receberam o tratamento por decisão judicial, com vários apresentando recuperações parciais – um marco inédito.

Este avanço, visto como potencial candidato ao prêmio Nobel de Medicina, coloca a descoberta no centro de um debate maior. Para a família Mozer, a narrativa é uma.

“A gente não duvida que foi Deus. A doutora Tatiana foi um instrumento”, diz a irmã. Eles enxergam a ciência não como negação da fé, mas como sua expressão: a resposta a uma oração coletiva, materializada pelo talento de uma pesquisadora.

A história reside no limiar entre o que se chama de milagre e a revelação de novas possibilidades da criação. Enquanto a ciência continua seu meticuloso trabalho, a família segue orando.

Para eles, a polilaminina é ciência de ponta e, simultaneamente, o fruto visível de uma fé sem barreiras. Onde aparentemente se separam, fé e ciência podem se encontrar, e desse encontro nasce a mais poderosa das forças: a esperança renovada.

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