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Campo Grande - MS, quinta, 13 de dezembro de 2018

ARTIGO

Pedro Chaves dos Santos Filho: "Campanha da Fraternidade: por uma cultura de paz"

Senador da República

9 MAR 2018Por 02h:00

Vi com muito interesse e esperança o lançamento da Campanha da Fraternidade, lançada neste ano pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil -CNBB, com o tema: “fraternidade e superação da violência”.  Ressalto que foi uma ótima escolha. A CNBB sabe ouvir o clamor do povo.

Não há a menor dúvida de que a violência se converteu no principal problema do Brasil.  Estamos vivendo uma escalada sem precedente de brutalidade. Uma guerra não declarada. A situação, se não dermos um basta, caminha em direção à barbárie.  

Homens e mulheres nasceram para brilhar, como diz o genial Caetano Veloso, entretanto, lamentavelmente, estão sendo abatidos como animais. Um drama terrível como se a vida não tenha a menor importância.

Ninguém está livre desse flagelo. A situação fugiu ao controle do poder público. Não se respeita mais a lei e as autoridades. Em alguns lugares do Brasil, infelizmente, a ordem está sendo definida por quadrilhas altamente organizadas, e não pelo Estado como preconiza nossa Constituição.

Confesso que estou muito preocupado. Nunca pensei que chegaríamos a um estágio tão melancólico como esse, por isso, no dia 07 de fevereiro, ocupei a tribuna do senado Federal para refletir sobre esse tema. Não podemos aceitar o que está acontecendo no Rio de Janeiro e em outras cidades.   

Estive recentemente no Rio.  Pude ver de perto a triste realidade. O cidadão e a cidadã não podem mais sair de casa por causa de tiroteios e outras ameaças a sua integridade física. A liberdade de ir e vir está prejudicada. São frequentes as cenas de desespero de motoristas paralisados nas principais vias da cidade, se arrastando pelo chão, tentando se proteger de tiros ou de assalto em plena luz do dia. A coisa ficou tão difícil que o Governo Federal decretou intervenção na Segurança Pública desse estado.

Os pequenos e grandes municípios foram atingidos intensamente pela brutalidade. Em 2016, conforme dados do Fórum Nacional de Segurança Pública, o Brasil teve recorde de mortes violentas intencionais, como homicídios e latrocínios: 61 619 vítimas, o equivalente a 168 por dia. 

Estamos perdendo milhares de jovens nessa “guerra”. Um país que almeja ser rico, justo e desenvolvido economicamente não pode permitir que isso aconteça. O futuro do Brasil depende da sua juventude, entretanto, ainda de acordo com Fórum Nacional de Segurança Pública, mais de 318 mil jovens foram assassinados no Brasil entre 2005 e 2015. Apenas em 2015, foram 31.264 homicídios de pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

Quando falo que os pequenos municípios também são vítimas da violência, posso dar como exemplo algumas cidades localizadas na fronteira internacional do meu estado, Mato Grosso do Sul. Ponta Porã, Sete Quedas, Coronel Sapucaia e Paranhos ostentam índices altíssimos por mortes com arma de fogo. Em Coronel Sapucaia, os índices de homicídios por 100 mil habitantes chegam a ser cinco vezes superiores aos da cidade do Rio de Janeiro.

Não podemos e não vamos deixar que o medo e o terror vençam. Eu sou um soldado na luta contra todas as formas de violência. Me associo as iniciativas públicas e privadas que tenham como objetivo estabelecer no Brasil uma cultura de paz.

Ademais, desejo todo sucesso a campanha liderada pela CNBB e me coloco a disposição, no senado Federal, para ajudar, naquilo que for possível, a implementação desse belo e promissor trabalho objetivando devolver a paz a nossa pátria. 

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