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Octavio Luiz Franco: "O difícil e encantador caminho do professor"

Coordenador do S-Inova Biotech e professor do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia da UCDB

12 MAI 17 - 02h:00

Sempre me pergunto o que motiva uma pessoa a se levantar dia a dia e desenvolver um trabalho árduo. Uma incógnita é a resposta que não explica o que simplesmente faz com que a força vital de um indivíduo vibre em sintonia com sua vontade e ambição, fazendo com que se consiga sobrepujar desafios incríveis e fazer o impensável. 

Observamos isto dia a dia em atletas elite que conseguem levantar pesos admiráveis ou mesmo correr, ou nadar, em uma velocidade absurdamente impossível para um ser humano comum.

O treino de um atleta de ponta normalmente é árduo e construído a cada hora do dia. Entretanto, não são somente os grandes atletas que treinam diariamente, dado ao desejo de se superarem cada vez mais. 

Muitas carreiras demandam um esforço imenso do indivíduo e uma delas consiste no caminho de professor. O caminho do professor não consiste em uma trilha fácil. Exige treinamento, dedicação e alma encorpada.

Este caminho não pode ser trilhado para os fracos de coração e de mente fechada e obtusa. Nem todos os que ministram aulas são professores e nem todos os professores estão em sala. Ser professor é mais do que uma profissão, é um estilo de vida único. Atletas podem se dedicar por horas a fio, necessitando de preparação técnica e psicológica diária. 

Somente quem já ministrou mais do que oito ou dez horas de aula em um único dia pode descrever a força física e mental necessária para que o trabalho seja feito com excelência, do primeiro ao último minuto em que estamos com nossos aprendizes.

Um verdadeiro professor caminha horas a fio em uma sala de aula pequena e só sente o peso em suas pernas quando se deita na hora de dormir. Sente a rouquidão apenas após a hora da janta, quando tenta engolir algum alimento, a fim de suprir suas forças.

Fecha seus olhos durante a noite e, ao amanhecer para um novo dia ainda, sente-se de ressaca do excesso de aulas e ouve a voz de seus alunos em sua mente inquieta a repetir: “Professor, professor”.

Quando já não tem mais forças para pensar, ainda assim organiza seu material e sua aula para o dia de amanhã, pois compreende perfeitamente que seus atos podem auxiliar ou atrapalhar o desenvolvimento de dezenas ou mesmo centenas de alunos.

Finalmente, quando não mais tem energias em sua mente cansada de um dia de trabalho intenso, em que se mantém atento e focado o tempo todo, ainda pode encontrar forças para corrigir provas e trabalhos. 

Mesmo exausto, o bom professor sofre e se indigna com as respostas errôneas e absurdas de alguns alunos e vibra feliz e satisfeito quando seus pupilos se saem bem, demonstrando que suas habilidades foram aperfeiçoadas.

Apenas reais professores sabem o que é o sentimento de culpa por uma turma se sair pessimamente em uma prova, apesar do esforço diário em trazer a luz a estas almas, muitas vezes ainda despreparadas para recebê-la.

Obviamente, como em toda carreira, existem maus profissionais, que são desatentos e incapazes de estimular seus alunos. Estes infelizmente não são professores, mas apenas dadores de aulas. O real professor inspira e tem enorme responsabilidade sobre isso. 

Bons profissionais de todas áreas se lembram de seus bons e maus professores. Os médicos curam, os policiais protegem, os bombeiros salvam vidas e os professores inspiram sonhos a se tornarem realidade, com técnica e dedicação. A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.

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