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Campo Grande - MS, terça, 20 de novembro de 2018

OPINIÃO

Octavio Luiz Franco: "A era dos microbots está chegando"

Coordenador do S-Inova Biotech e professor do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da UCDB

3 JUN 2017Por 01h:00

Há cinquenta anos, o famoso cientista Richard Feyman já dizia que chegaria o dia em que iríamos engolir os nossos médicos e cirurgiões. Este fato nunca esteve tão próximo de ser verdade. Hoje, inúmeros grupos de cientistas vêm desenvolvendo ferramentas e construtos microscópicos conhecidos como microbots, ou microrobôs e micromotores. Ambos acessórios podem ser inseridos no corpo humano para desenvolver inúmeras tarefas médicas. 

Entre esses construtos, podemos citar tubos, esferas minúsculas e gaiolas tão pequenas quanto uma célula sanguínea, estomacal ou neuronal. Essas estruturas poderão ser utilizadas para melhorar o diagnóstico de doenças, carregar drogas ou até mesmo curar doenças. 

Entretanto, inúmeras limitações ainda são claramente detectáveis. Inicialmente quase todos estes artefatos tem sido testados apenas em condições in vitro, que são completamente diferentes das condições encontradas em um corpo humano real. Para os pesquisadores têm sido muito fácil esterilizar uma espátula, mas extremamente complexo inserir tais microbots em um corpo humano com diferentes fluidos, estruturas e cavidades.

Além disso, algumas estruturas liberam resíduos tóxicos como peroxido de hidrogênio, que inevitavelmente causam efeitos colaterais. Ademais, para passarem aos testes clínicos em humanos, os pesquisadores devem ser aptos a observar e controlar tais construtos com enorme precisão. Este ainda consiste em um enorme desafio uma vez que as técnicas de imagem nesta escala apresentam resolução insuficiente. Além disso, as estruturas inseridas devem ser biocompativeis e após sua utilização facilmente removíveis ou absorvíveis pelo corpo humano. 

Para solucionar tais problemas pesquisadores de robótica, engenheiros de materiais, especialistas em bioimagem e médicos tem trabalhado em conjunto. Inicialmente muitas equipes tem se focado em micromotores que podem ser químicos, físicos ou biológicos. Os micromotores químicos transformam energia de combustão em movimento. Estes micromotores podem utilizar um catalisador, como paládio por exemplo.

Tais engenhos podem ser extremamente potentes mas difíceis de controlar, podendo ser guiados por campos magnéticos, luz ou ultrassom. Além disso a maioria deles pode liberar resíduos que podem contaminar os fluidos biológicos. Por outro lado, micromotores físicos podem ser impulsionados de inúmeras maneiras. Como exemplo podemos citar uma microhélice que gira sobre seu próprio eixo como uma turbina propulsionado por um campo magnético ou ultrassom.

Existem ainda os micromotores biohibridos, que combinam agentes biológicos como uma bactéria e uma parte sintética. Eles podem ser direcionados por um estimulo externo, como por exemplo bactérias que são sensíveis ao magnetismo e tem sido utilizadas para fazer uma entrega precisa e inteligente de medicamentos dentro do corpo. Outro exemplo tem sido os espermobots, uma combinação incrível de um espermatozoide acoplado a estruturas magnéticas que podem ser usados para carrear drogas anti-câncer e entregá-las diretamente em sistemas reprodutivos. 

Além disso, espermobots também podem ser utilizados para melhorar a reprodução assistida, sendo guiados diretamente ao ovulo tornando o procedimento menos invasivo. Desta forma ainda temos inúmeros desafios a serem resolvidos, mas a era dos microbots está chegando. Será incrivelmente maravilhoso podermos curar doenças e desenvolver cirurgias sem derramar uma única gota de sangue com risco quase nulo.  A ciência está vigilante ao nosso lado, atuando sabiamente para solucionar os problemas de nossa sociedade.

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