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ARTIGO

Nylson Reis Boiteux: "Proclamação da República"

Coronel Reformado do Exército Nacional

15 NOV 19 - 02h:00

Enquanto os países americanos alcançavam a independência com a organização republicana, o Brasil por dever a sua libertação ao príncipe D. Pedro I, adotou o regime monárquico, mantendo no poder a “dinastia de Bragança”. Houve, portanto em 1822 o “rompimento político” com Portugal, mas não houve o “rompimento dinástico”. Achavam os republicanos brasileiros que a Monarquia afastava o Brasil de todos os povos do Novo Mundo sob regime republicano e, por isso, no manifesto que publicaram em 1870, declaravam: “Vivemos na America queremos ser americanos”. No entanto o prestígio do Imperador D Pedro II, estimado por seu espírito democrático, garantiu longa duração para o II Reinado. Uma corrente política queria a Proclamação da República para depois da morte de D. Pedro II, pois um estrangeiro tomaria parte ativa no governo: o francês Gastão de d’Orléans, Conde d’Eu, casado com a herdeira do trono, a Princesa Imperial D. Isabel. 

Um acontecimento importante que fortaleceu a propaganda republicana no Brasil foi a Guerra do Paraguai, pois muitos militares brasileiros que combateram naquele conflito tornaram-se adeptos do regime político que vigorava nas nações envolvidas pela Tríplice Aliança. Mas, foi a chamada Questão Militar, nome dado a conflitos entre oficiais e ministros que acelerou o fim do Império. Os militares achavam que, como todos os civis eles também eram cidadãos e tinham, por isso, direito de livre manifestação de pensamento. Embora fosse resolvida a Questão Militar a favor dos oficiais do Exército, houve muito descontentamento com essa situação e grande parte da oficialidade tornou-se favorável ao Regime Republicano. Nessa época surgiu a Questão Religiosa que se verificou na luta aberta entre e Igreja e a Maçonaria em 1872, levando os Bispos de Olinda Dom Frei Vital e do Pará, Dom Macedo Costa a tomarem medidas severas contra aquela irmandade. Nesse tempo o Catolicismo era a Religião do Estado e intervinha em certos atos eclesiásticos. O problema agravou-se com a condenação em 1874 de 4 anos de prisão dos 02 religiosos. Mas, o Clero com a consciência católica da Nação não proporcionou à Monarquia o apoio de outrora. Questão política, a ação de Ten Cel Benjamin Constant Botelho de Magalhães, seu mais acatado professor na Escola Militar, divulgando as idéias de uma República Positivista. 

Subiu ao poder em junho de 1889, como Presidente do Conselho de Ministros, o Visconde de Ouro Preto Afonso Celso de Assis Figueiredo, que foi o último Ministro da Monarquia do Partido Liberal. Encontrou o Império em agonia. Foi acusado de violência e arbitrariedades contra militares. Para conservar o apoio das Forças Armadas entregou aos militares os ministérios da Guerra e da Marinha, que naquele tempo eram ocupados por civis. Mas, a situação não melhorou. Rui Barbosa e Quintino Bocaiúva incitavam o Exército e a opinião pública a depô-lo pelas colunas dos jornais “O País” e o “Diário de Noticias”. Proclamação da República – Até véspera desse evento o Marechal Deodoro da Fonseca, apesar de descontente com o Ministério, admirava o Imperador e não desejava destroná-lo. A revolta estava marcada para noite de 20 de novembro. Mas, o Major Sólon Ribeiro, receoso de que o Governo tivesse tempo para organizar a defesa resolveu antecipar o movimento espalhando no dia 14 de novembro a falsa noticia de que o Ministério havia ordenado a prisão de Deodoro e de Benjamin Constant. O mesmo Oficial combinou com os companheiros para manhã do dia 15, a marcha da tropa em que servia aquartelada em São Cristovão. 

Informado do que ocorria o Marechal Deodoro deixou sua residência e assumiu o Comando das Forças que se reuniram no Campo de Santana, atual Praça da República. No Quartel-General já se encontravam na mesma sala o Visconde de Ouro Preto e o Mal Floriano Peixoto que recebeu do Visconde a ordem de atacar as tropas revoltadas. A ordem não foi cumprida porque Floriano já estava envolvido no movimento. Com a recusa do Mal Floriano, sentiu-se enganado e telefonou ao Imperador que estava em Petrópolis pedindo sua demissão do Ministério e relatando os fatos ocorridos. Pouco depois entra no Quartel-General triunfalmente Deodoro. Vitorioso o movimento, as tropas desfilaram pelas principais ruas do Rio de Janeiro, dirigindo-se para o Arsenal de Marinha, onde o Almirante Eduardo Wandenkolk garantiu o apoio da Armada. 

Ainda no dia 15, José do Patrocínio pronunciou discurso na Câmara Municipal enaltecendo a República. D Pedro II informado das primeiras ocorrências no Rio de janeiro, desceu rapidamente de Petrópolis e tentou ainda organizar um novo Ministério. Mas, pouco depois de haver chegado o Mal Deodoro já assinava os primeiros “Atos Republicanos” como Chefe do “Governo Provisório”. Desta forma terminou a Monarquia.

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