Campo Grande - MS, quinta, 16 de agosto de 2018

ARTIGO

Mário Amaral Rodrigues: "O profissional da educação física"

Docente aposentado da UFMS

1 SET 2017Por 02h:00

O Deus Olimpo é  seu referencial, o discóbulo é seu símbolo, a epopéia da maratona motiva o seu trilhar. Daí o caminhar de olhar para o horizonte, o correr para o objetivo nobre, altivo, de porte elegante que, ao desacelerar, é de pisar com leveza, como o pássaro que o faz recolhendo as asas. Resiste, ainda que ferido, o tempo suficiente para bem cumprir a missão. Tem o termo educação na devida ordem de prioridade ao desenvolver seu trabalho. Encoraja e nunca subestima o medo natural do novo.

Toma a tentativa frustrada como apoio à superação e, no caso, logo lembra o mar que faz de cada recuo um ponto de apoio para o novo avanço. No sucesso da vitória, lembra que a coroa de louro, antes de simbolizar vitória sobre o outro, é sobre os obstáculos encontrados, é desafio à quebra de recorde, à contínua superação do seu próprio feito. Inova no que de rotineiro impõe, a repetição, segredo para o aperfeiçoamento. Vive Impondo limites, ao mesmo tempo em que encoraja à superação de limite divisado por seu discípulo. Considera o grau de dificuldade, admitindo que o difícil “é mera retórica”. Cobra sem dar asa à estupidez. Compete para avaliar o aprendizado, elevar competência,  estabelecer analogia com a vida de concorrência, salvaguardando a ética, o reconhecimento do maior mérito, a observância da regra, o respeito à autoridade. 

Assiste ao largo, fora do foco da promoção do astro que poliu, assim como o artista cuja realização é ver-se nos olhos do apreciador de sua criação. A ovação do público ao seu discípulo é sua medalha de realização. Registra, sob a égide da ciência, os dados da progressão do rendimento, periodização, carga e todo o feito para o sucesso, para nova jornada a ser, de novo, atrás da cortina, de fama contida. Amarga os erros de cálculo de autoridades, nem sempre de mérito que, sob arroubos da prepotência do mando político, manobram a competição em desportos para se projetarem. 

Exemplo dessa nefasta pompa foram os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (1916), trazidos por lideranças populistas que, ao contrário do ocorrido em outras cidades, resultou em instalações até aqui inaproveitadas. Até as mudas integradas ao belo Desfile de Abertura (obra de distintos profissionais) restam “ao léo”. Mas os feitos dos competidores, jóias lapidadas pelo nobre profissional da educação física, salvaram o Evento.  

Campo Grande tem um nome em sua história, Alcídio Pimentel, saudoso ícone da educação física, orgulho dos de sua profissão. No Brasil, José Teles da Conceição, Ademar Ferreira da Silva, Maria Lenck e os ainda entre nós: Bernardinho; Zé Roberto; Georgette Vidor; são outros “baluartes”, dos tantos a citar.

 Neste 01 de setembro, Dia do Profissional de Educação Física, a Assembleia Estadual de Mato Grosso do Sul homenageia pioneiros da educação física no Estado. O autor deste consta entre eles, evidentemente, não no mesmo nível de mérito. 

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