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artigo

Maria Angela Coelho Mirault: "O PMDB do PT: toma que o filho é teu"

Professora doutora em Comunicação e Semiótica, pela PUC de São Paulo

26 JUL 2017Por 02h:00

Seguinte. O PMDB, que hoje governa esse Brasil acovardado, esculachado, meliante e marginal foi gestado e cevado durante a ditadura dos governos militares, no poder, desde o golpe de 1964. Ponto.

Tancredo era o personagem escolhido e acolhido, como forma de conciliar (sic) os clamores das “diretas-já” (1984) com os interesses do regime.

Ungido para suceder João Figueiredo, presidir a fajuta transição democrática e uma possível governabilidade civil, Neves foi eleito, indiretamente, com 480 votos contra 180, por um Colégio Eleitoral, em 15 de janeiro de 1985, para exercer um mandato presidencial de seis anos. Contudo, recordemos, na véspera de sua posse, agendada para 15 de março, teve o “piripaque” que o “levaria” à morte por uma oportuna diverticulite (?).

Diante da maldita dúvida que chegou a pairar entre políticos experientes (Sarney, Fragelli, Marco Maciel, Dornelles, sobrinho de Tancredo, e Antonio Carlos Magalhães) - ainda no hospital - Leônidas Pires, o general indicado (?), por Tancredo, ao Ministério do Exército, amparando-se na Constituição de 1967, que, em seu Artigo 76 prescrevia: “Se, decorridos dez dias da data fixada para a posse, o presidente ou o vice-presidente, salvo motivo de força maior, não tiver assumido o cargo, este será declarado vago pelo Congresso Nacional”, lacrou: “Sarney toma posse!”. 

Há controvérsia histórica, com relação à legitimidade do nefasto José Ribamar (ex-PDS) e sua condição de 31º. Presidente do Brasil (1985-1990).

Caso a opção fosse outra, tomaria posse o peemedebista Ulysses Guimarães, presidente do Congresso, e, posteriormente, a escolha de outra figura política para a missão. Se seria bom ou não, o fato é que a gente engoliu a “morte natural” do não empossado.

A gente aceitou, de imediato, a posse de Ribamar. E, cá estamos nós, às voltas com o mesmo PMDB que nunca deixou de governar; fosse às claras, fosse debaixo de interpretações dúbias, ou, debaixo dos panos do nosso famigerado “jeitinho brasileiro”. Aliás, eles não governaram, ou, governam, só, agora. Eles têm reinado. 

Agora, com Temer e sua trupe, o PMDB se mantém no poder por conta de acordos de bastidores - tão vilipendiados quanto os do passado.

Sem o PMDB, nos bastidores, o PT não teria levado a Presidência ao patamar que chegou.  Dito isso, é preciso considerar - antes que a loucura se instale em todas as mentes – Temer (o Sarney de hoje) é uma criação perversa do PT. Foi cevado durante os governos do PT.

Aí, nos parecem esdrúxulos os movimentos midiáticos, e sociais, dos convertidos ao petismo, em desfavor de Temer; seu (mau) governo; suas (más) escolhas; seus (imorais) acordos no Congresso; suas (más) medidas para “consertar” o País.

Se não foi o PT quem inventou o PMDB, seus maus hábitos e seus maus políticos, foi o Partido quem os legitimou.

Ao PT atribuamos a Reforma Trabalhista; ao PT atribuamos o aumento dos impostos; ao PT atribuamos o aumento dos combustíveis; ao PT atribuamos os milhões de desempregados; ao PT atribuamos a violência e a todo tipo de crime que se comete neste País; a descrença e a desesperança que nos assola o vigor patriótico. Não dá pra apartar Temer do PT nem o PT de Temer.

Tenhamos em mente, uma consideração: quem nos governa é o PMDB do PT. Temer é o PMDB que se acovardou com os militares, lá atrás, manteve suas figuras grotescas na política brasileira e nos bastidores do poder; enfiou sarneys, renans, jucás goela a baixo; engoliu (pra depois, cuspir) o partido que o acolheu na vice-presidência.

Temer foi eleito pelos eleitores do PT, seus simpatizantes e convertidos. Foram eles quem puseram o jabuti no poste e “o cara” no jogo-democrático (sic), voto a voto, urna à urna. Portanto, estamos sob a batuta do maestro que, no momento, lidera o PMDB do PT. Dancemos, pois, enquanto a música toca e o naufrágio ainda não afundou totalmente o nosso Titanic. E, salvem-se quem puder.

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