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Campo Grande - MS, segunda, 17 de dezembro de 2018

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Marcos Antonio de Assis Aurélio: 'Investidores americanos no tanque de seu carro'

Jornalista

12 JAN 2018Por 02h:00

Pedro Parente, atual presidente da Petrobras, iniciou sua carreira  em 1986, durante a presidência de José Sarney. Também foi chefe da Casa Civil, ministro do Planejamento, secretário-executivo do Ministério da Fazenda e ministro da Fazenda, em 2002.

No sentido inverso dos grandes executivos, trabalhou um pouco na iniciativa privada e, no ano de  2010, foi CEO da Bunge, empresa ligada ao agronegócio. Mas, como ninguém é de ferro, em 19 de maio de 2016 foi indicado por  Michel Temer ao cargo de presidente da Petrobras.  Como podemos observar, pelo seu currículo, é praticamente um funcionário público full time.

Dentro desta perspectiva, a Petrobras  propôs, no início deste ano, um acordo de R$ 9,62 bilhões (US$ 2,95 bilhões) para ressarcir investidores que compraram ações da empresa nos Estados Unidos.

A ação coletiva foi movida por investidores da estatal em decorrência de perdas provocadas pelo envolvimento da companhia nos desvios revelados pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e surpreendentemente, em comunicado à imprensa, a Petrobras informa que “este acordo elimina o risco de um julgamento desfavorável que […] poderia causar efeitos materiais adversos à companhia e a sua situação financeira. Um tapa na cara da Justiça brasileira.

Em ex-terras tupiniquins, a  Petrobras se posiciona sobre arbitragens instauradas por acionistas no Brasil, em que afirma que “a legislação não respalda essa iniciativa”, destacando que a companhia “é vítima dos atos desvendados pela Operação Lava Jato, conforme reconhecido em todas as instâncias do Poder Judiciário que se pronunciaram sobre o tema, incluindo o Supremo Tribunal Federal”. A Petrobras não deveria usar estes mesmos argumentos e ir às últimas instâncias na Justiça americana?

Já no âmbito de nosso quintal, o valor médio da gasolina para o consumidor final subiu 9,16% em 2017, segundo levantamento divulgado em 2 de janeiro pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) – a inflação prevista para o mesmo período é de 3,08%.

Já na última semana do ano de 2017,  o valor médio da gasolina nos postos do País chegou a R$ 4,099, contra R$ 4,089 na semana anterior, uma variação de 0,24%, sendo a nona alta seguida dos preços.

Segundo a Petrobras, esta é a nova política de preços da estatal, que prevê flutuação dos valores conforme a cotação do barril de petróleo. Consideramos que o verbo flutuar nos remete à suposição de altas, mas também de baixas do mercado; contudo, segundo a política de preços vigente, quando há alta nas refinarias os preços são repassados ao consumidor e, quando há baixa, deixa-se como está para ver como é que fica.

Lembrando Nelson Rodrigues, ganha um picolé Chicabom quem souber de algum posto de combustível que tenha reduzido o valor da gasolina nos últimos doze meses e podemos incluir neste concurso os valores de  álcool e diesel também. Quanto às reclamações dos consumidores junto à ANP, a resposta é padrão, que se considera que os preços são livres no País e cabe a cada um pesquisar os menores preços.

Como pesquisar preços se existe a combinação de valores entre postos?

A estatal brasileira quer recuperar as perdas ocasionadas pela corrupção e má administração nas gestões anteriores e atual  à custa do nosso bolso. Seria como se o senhor ou a senhora visse aumentar suas dívidas e, em uma canetada, aumentasse o próprio salário.

A eventual privatização da Petrobras foi tema apaixonado nas eleições de 2002, execrada pela esquerda e pelos governos Dilma e Lula e que, após as investigações e os desdobramentos do Petrolão, deixou-nos mais clara esta posição. O PT privatizou a companhia  ao seu modo. 

Voltemos então ao tema privatização da Petrobras nos debates das eleições de 2018 e assim remeteremos o tecnocrata Pedro Parente à condição de enviar currículos, ser submetido a entrevistas  e ficar sujeito ao famoso “manteremos contato”.

Como diria Cazuza: Brasil! / Mostra tua cara / Quero ver quem paga / Pra gente ficar assim / Brasil! / Qual é o teu negócio? / O nome do teu sócio? / Confia em mim. Brasil mostra a sua cara. O establishment brasileiro te espera.

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