Campo Grande - MS, segunda, 20 de agosto de 2018

Opinião

Marçal Rogério Rizzo:
A razão para plantar árvores

Marçal Rogério Rizzo é Professor de Administração da UFMS

16 OUT 2017Por 02h:00

Dia candente, ensolarado com pouco vento. O sol era aquele “de estralar mamona”, como os antigos diziam, ou aquele “sol mais baixo”, como muitos dizem, por parecer mais próximo de nós. Bom, reclamar do calor em um dia como este é comum entre os habitantes da cidade. Isso sempre me aloca em condição de reflexão e questionamento: Ao invés de reclamar, o que cada um de nós pode fazer para melhorar essa condição climática? Será que há como amenizar esse calor?

Andando pelas ruas de nossa querida cidade, um episódio simples vem interromper (ou terá vindo “acalorar” mais?) a reflexão-questionamento. Deparo com um simpático senhor com anseio de conversar. Aparentemente de boa índole, educado e gentil. Em questão de minutos, chegamos ao assunto “calor infernal”. Logo me veio à mente a questão da arborização urbana como fator que pode amenizar o calor e questionei-o:

- O senhor tem alguma árvore plantada na calçada de sua casa ou no quintal?
Ele, sem cintilar, respondeu prontamente:

- Tenho sim. Plantei dois pés de oiti na calçada e tenho um pé de manga no fundo.
Fiquei feliz com a resposta e logo emendei outros questionamentos.

- A mangueira dá frutos? São saborosos?
Respondeu dizendo que dá muitos frutos e que é manga rosa. E mais: quando está produzindo, divide com a vizinhança.

Como era um senhor simpático, o papo continuou e outras perguntas surgiram:
- Vale a pena ter árvores em casa? O senhor sente diferença na temperatura da casa com essas árvores plantadas lá?

A cada indagação já balançava a cabeça positivamente, emendando que, em dias de calor, deposita sua cadeira de alpendre debaixo da sombra e ali passa o dia. Disse que ouve o cantar dos pássaros toda manhã e ainda brincou: “A sombra dessas árvores é minha sala de estar”. Falou ainda que também ali seu filho e amigos tomam tereré.

Papeamos mais um pouco, e me despedi desejando um bom restante de dia para aquele simpático senhor.

Uma simples conversa como essa nos leva a outras indagações: Por que não somos uma cidade mais verde? Por que as pessoas não plantam mais árvores? Mais importante que “descobrir” esses porquês é, no entanto, saber quais os benefícios que temos com as árvores plantadas na área urbana.

Numa curta pesquisa já encontramos que são muitos (tanto que faço questão de enumerar alguns): 1) diminuição da temperatura; 2) contribuição direta para a purificação do ar; 3) suavização da poluição sonora; 4) interceptação e retenção da água da chuva (aumento da permeabilidade do solo); 5) garantia de sombra; 6) melhoria da estética da cidade; 7) ampliação da sensação de bem-estar e qualidade de vida; 8) abrigo para pássaros e animais; 9) barreira contra a luz e vento; 10) aumento da umidade do ar; 11) sequestro e armazenamento de carbono; e, 12) aproximação entre pessoas e meio ambiente.

Vale lembrar que, se forem árvores frutíferas, ainda garantem frutos para aos cidadãos, aves e animais. E mais: se a cidade for mais fresca, gastaremos menos energia elétrica com o uso de ventiladores e condicionadores de ar, o que nos dará uma economia na conta de energia – e o meio ambiente agradece.
Moral da história: Árvores nos fazem bem! Podem não ser suficientes para garantir o clima adequado e tão sonhado, contudo nos ajudariam muito. Para que as árvores sejam mais valorizadas na área urbana, é preciso uma política de educação ambiental; para que essa política dê frutos, deve se acompanhada por uma política pública de incentivo ao plantio e de punição por corte ilegal ou poda indevida.

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