Campo Grande - MS, terça, 21 de agosto de 2018

OPINIÃO

Luiz Flávio Borges D'Urso:
"Eu não nasci para falar em público"

Advogado criminalista

10 AGO 2018Por 01h:00

O poder da comunicação é incontestável, pois, por ele, pessoas comuns projetaram-se, encantaram multidões e entraram para a história. Ninguém fica imune a um bom orador, que, além de atrair a atenção, por vezes, seduz e convence.

Desde muito jovem, ficava fascinado pelos grandes oradores, quer na política, nas artes, na filosofia, na religião ou no Direito. Decidi estudar a arte da oratória e tentar aprender um pouco sobre essa forma de interagir com o semelhante.

Superando a timidez e criando coragem, resolvi falar em público pela primeira vez e foi frustrante. Naquele dia, tive a certeza de que eu não nasci para falar em público.

Aos poucos, pude aprender, sepultando alguns mitos, como de que falar em público não é dádiva, mas um eterno aprendizado de técnicas que precisam ser conhecidas e dominadas.

Erra quem ainda acredita que o orador já nasce vocacionado, pois ninguém nasce pronto para nada e a jornada da vida é que nos conduz a realizar algo pelo qual nos interessamos.

Evidente que, para algumas profissões, a oratória mostra-se indispensável, e o grau de seu desenvolvimento depende de cada um.

Meu interesse impulsionou-me ao contato com os livros de oratória e o salutar convívio com alguns professores dessa arte, o que me valeu a certeza de que, para falar bem, é preciso ter 10% de inspiração e 90% de transpiração, vale dizer, o treinamento incansável definirá quem será um bom orador.

A comprovação disso reside no fato de que alguns ícones do esporte treinam muito mais que seus pares, o que os leva a se destacar, mercê do empenho e dedicação desigual, obstinados que são, incansáveis na busca de seu aperfeiçoamento. Podemos citar, entre tantos, Pelé (rei de futebol), Oscar (mão santa), Ayrton Senna (campeão automobilístico), isso para ficar só na área esportiva, demonstrando que o treinamento faz toda a diferença. Na oratória não é diferente.

Sabendo que o fator determinante não é a hereditariedade, assim, para ser um bom orador é preciso treinar muito. Todavia, o domínio de técnicas seculares é decisivo para os resultados esperados.

Essas técnicas são de fácil absorção, até porque, muitas delas, são óbvias e de conhecimento geral e precisam de permanente atenção do orador.

Por tais motivos, outros atributos não são decisivos para que alguém se torne um orador. O tipo de voz pouco importa, desde que se saiba empostá-la e dela se utilize com técnica. Também a expressão corporal é obtida mediante dicas que alteram a imagem que o público faz do orador.

Diante disso, vê-se que a mensagem ganha maior importância e outro caminho não há, senão dominar o tema sobre o qual vai falar. Dominar o idioma e ampliar o universo de palavras depende de muita leitura, pois só assim alguém obterá a riqueza de vocabulário, para transmitir uma mensagem clara e compreensível.

Mas creio que o segredo maior reside no aspecto de como o orador profere suas palavras e a qual parte do corpo do ouvinte elas são dirigidas. Explico. Se o orador falar com a boca, dirigindo sua mensagem aos ouvidos do semelhante, até poderá se comunicar, mas jamais convencerá ou encantará. Dessa forma, a magia reside em falar com o coração, dirigindo-se ao coração do ouvinte.

Assim, além de dominar o tema, há que se acreditar no que diz, pois, dessa forma, a emoção naturalmente decorrerá, com reais possibilidades de convencer e encantar.

Após estas breves ponderações, fica a certeza de que toda pessoa poderá tornar-se um bom orador, tudo dependerá, exclusivamente, dela mesma, quando descobrir que a comunicação é uma coisa e a oratória é outra bem mais eficaz, talvez, o maior exercício de poder já experimentado pelo ser humano.

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