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OPINIÃO

Luiz Fernando Mirault Pinto:
"O Lego e a desconstrução"

Físico e administrador

18 ABR 19 - 01h:00

Os legos vão além de um simples brinquedo de montar, de peças multiformes de plástico que podem ser acopladas uma a uma de modo fácil em função das diversas pegas numa das faces, que encachadas às demais formata concretamente a imaginação de figuras a partir de um manual de montagem, permitindo com poucas peças a obtenção de milhares de combinações diferentes, desenvolvendo cognitivamente todo o ciclo de formação acadêmica, sem restrição de idade.

Sua idealização nos anos 50 vem do surgimento do plástico aplicado aos brinquedos até então de madeira ou metal, e da tecnologia de fabricação de qualidade, e o seu desenvolvimento partiu do conceito de criar um sistema capaz de ser usado por diversas faixas etárias e a necessidade alterar os projetos anteriores de modo a tornar todo o processo mais divertido e agradável de usar. O sucesso da empreitada se deve não só a conquista do mercado pela qualidade, a possibilidade infindável de construções, além daquelas exclusivas do manual, a recomendação de profissionais da educação e terapeutas, entrando em 140 países e empregando 10 mil pessoas, mas principalmente a ideia de que o brinquedo pode ser desmontado, refeito, modificado, desconstruído permanecendo vivo de acordo com a imaginação, e naturalmente a paciência.

Esse é o êxito, a chave do sucesso retratada e divulgada pelo “Filme LEGO” propagandeando as virtudes do brinquedo, onde o vilão Senhor Negócios tem um universo de montagens Lego, e precisa impedir que seu filho desmonte as peças, evitando as mudanças no sistema montado, colando-as. O herói do filme é o boneco Emmet, que se acha popular entre os demais, mas é considerado tímido, ingênuo, pouco imaginativo, capaz apenas de construir um “sofá retangular” de poucas peças.

Todas as mini-figuras incluindo dos “super heróis aos vingadores” apostam no poder do operário de macacão laranja, que é confundido com um Mestre Construtor e que tem a capacidade de impedir a colagem das peças. A resistência está em destruir a arma, um tubo de cola, permitindo a desconstrução das coisas, e a possibilidade de criar novos objetos, mesmo se desconexos, garantindo a liberdade de ação de qualquer lunático fantasioso modificar tudo àquilo que ocupa um lugar no mundo.

Nos States em um jantar recente na presença de lideranças conservadoras nosso Lego laranja externou aos presentes que: “o sentido do (meu) governo não é construir coisas para o povo brasileiro, e sim desconstruir. No meu entendimento somente após a desconstrução seria o momento de se começar a fazer algo pelo país, pois não se trata um terreno aberto onde (nós) pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que desconstruir muita coisa. Desfazer muita coisa. Para depois nós começarmos a fazer”.

Nosso ingênuo Emmet que admira sem reparos o povo americano e os exemplos que o país lhe acrescenta, ainda afirmou que graças a sua vitória eleitoral foi impedido o processo envolvendo a construção do socialismo (?), e o avanço do comunismo (em pleno século XXI).

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