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Campo Grande - MS, sábado, 22 de setembro de 2018

OPINIÃO

Luiz Fernando Mirault Pinto: "O andar de baixo"

Físico e administrador

9 MAR 2018Por 01h:00

O tema atual é a violência como resultado de uma ação do emprego de força (a principio, física) intimidativa de modo a exercer um poder superior na disputa entre pessoas (indivíduos ou sociedade), nações e governos, conquistas territoriais, prevalência sobre atividades econômicas.

Existe uma dependência entre os índices de violência e algumas variáveis sociais, como a concentração de riqueza, a desigualdade de renda, o uso de drogas licita e ilícitas, a ausência de relações familiares, o abandono infantil, incluindo o medo disseminado pela comunicação, incentivando a intolerância e o preconceito entre classes resultantes das desigualdades econômicas na busca de estabelecer justificativas e manutenção da audiência. 

A violência de origem econômica é sem que nos apercebamos a mais danosa ao ser humano e propositadamente objetivando defender o sistema econômico ela é relegada a um plano inferior ou descartada nas justificativas, ao se exemplificar que a pobreza não induz á violência e sim a aceitação temporal de uma condição natural.

No entanto, apesar da violência ser uma característica antropológica e histórica do ser humano, onde a agressividade pode ser considerada uma forma de independência, conquista, e sobrevivência, ela resulta de determinadas condicionantes da vida social, como comportamentos que restringem a liberdade, produzindo a sensação de impotência, limitações de expectativas e oportunidades, cerceamento ao consumo de satisfações, e segregação social.

A componente econômica da violência atual se formata na globalização (1980) e suas inúmeras implicações sociais, econômicas e politicas com a visão neoliberalizante em que o Estado deve ocupar um plano insignificante apenas com a função de coerção estatal onde seu poder deve se restringir exclusivamente de modo a evitar o cometimento atos lesivos contrários e prejudiciais à economia de mercado, sendo a única forma capaz de organizar o sistema social, dando-lhe sentido e significado (?).

Esse mercado neoliberal tem como principio a condição da liberdade e da emancipação humana na concentração de riqueza, buscando solucionar os problemas de exclusão social que vem marginalizando seguimentos inteiros da população, por meio da não interferência estatal, excetuando-se a desregulamentação, a terceirização, a transferência de atividades administrativas em favor do setor privado como forma de se obter um estado mínimo. E assim, o encolhimento do estado em suas ações passou a enfraquecer seu poder de agir nas políticas publicas delegando as obrigações de fato ou teoricamente à iniciativa privada, como no caso da indústria da segurança, nos planos particulares de saúde, na precarização das relações trabalhistas e na almejada transferência da aposentadoria para privatizada.

Existe um mercado paralelo que sobrevive das ações ilegais e de violência em resposta aos princípios mercadológicos, os preços aviltados, os altos impostos, e a ganancia das atividades econômicas legais: a receptação de objetos furtados (celulares, eletrodomésticos, veículos, cargas fechadas). A circulação e consumo de armas e drogas respectivamente, a pirataria e falsificação assim como o descaminho dos produtos contrabandeados, as ações de milícias no controle comercial de tv paga, gás, agua, sem contarmos a “máfia” que explora o comercio de ambulantes, quiosques nos logradouros e praias, vans e lotações dublês, linhas de ônibus fantasmas na hora do rush, o mercado paralelo de ouro, receitas e atestados médicos, “flanelinhas”, troca de bilhetes lotéricos premiados, “doleiros”, fraudadores de concursos, e outras inúmeras atividades que concorrem abertamente com o mercado dito legal.

Sempre existirão aqueles que por ignorância, ingenuidade ou desinteresse acreditam que a corrupção e caixa 2 são fenômenos recentes, exclusividade de governos, achando que a violência urbana é resultado da falta de autoridade institucional, descartando que ela tenha origem na disputa de mercado, onde para uns é um negocio apenas, para outros uma luta pela sobrevivência, passível de guerra na manutenção do poder e das facilidades. 

Portanto minimizar a violência ou seus efeitos é entender que a solução não está prevalência de forças antagônicas e sim na harmonização das necessidades e preenchimento do “vazio social” do andar de baixo.

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