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Campo Grande - MS, domingo, 21 de outubro de 2018

ARTIGO

Luiz Fernando Mirault Pinto:
"Maduro voltou"

Físico e administrador

14 JUN 2018Por 02h:00

Nicolás Maduro foi reeleito em contraposição e a despeito de todas as expectativas dos seus vizinhos, incluindo a potência hegemônica que “zela com afinco” pelos interesses econômicos e estratégicos da região. Acusam-no e denunciam-no, dentre outras arbitrariedades, de forjar meios e práticas de fraude eleitoral. 

O Brasil, numa política internacional divergente daquela que deve se caracterizar por cautela, participação, garantindo ações estratégicas geopolíticas e a harmonia com suas fronteiras, aposta no não reconhecimento das eleições e na política do “quanto pior, melhor” de modo a aprofundar a crise propalada pelos noticiários e pela oposição, objetivando aumentar as pressões sobre o governo venezuelano.

O Brasil, os EUA e países que compõem o Grupo de Lima alinham-se para agir contra o que chamam de ditadura com métodos que definem democráticos, com o bloqueio econômico e financeiro, ação que virá a prejudicar o povo, reforçando com acusações, sem as necessárias comprovações, de corrupção e narcotráfico aos membros do governo, tudo se justificando em nome da segurança nacional americana e no domínio na região caribenha.

Notícias de economia relatam o desemprego estrutural, o desabastecimento fomentado, o aumento dos combustíveis, a importação de commodities, a autodependência econômica do petróleo, artimanhas políticas, resultando numa reeleição imprópria, o apoio do judiciário, emprestando a imagem de legalidade para a manutenção de um governo ilegítimo com manobras constitucionais, a permanência de um mandatário malquisto. 

Até aqui, falamos da Venezuela, não do Brasil, cuja semelhança dos relatos não passa de mera coincidência.

A diferença entre os países está na colonização, uma espanhola e outra portuguesa, na exploração autocrática dos “caudilhos” e aqui, dos “coronéis”. Coincidentemente, a história de ambos foi marcada por golpes, impeachment, elaboração das respectivas constituições na mesma época, a denominada “Bolivariana”, com mudanças políticas, econômicas e sociais significativas, e a nossa, “Cidadã”, concebida no processo de redemocratização após a ditadura militar, ambas criticadas pelos avanços sociais por neoliberais.

A Venezuela se enquadra nas maiores reservas de petróleo do mundo, o que coloca o país na berlinda, pois as receitas da exploração autossuficiente são cruciais para a subsistência econômica do Caribe. É essa importância que ameaça a economia americana e se reflete nas sanções econômicas já prometidas, embora não envolvam a comercialização do petróleo ou no cuidado de regular a exploração, pois é necessário manter a economia dinâmica e a proximidade das refinarias americanas, em relação ao petróleo do Oriente Médio. 

Questionam a abstenção dos eleitores! Fato esse detectado aqui (RJ: 26% em 2016) nas últimas eleições municipais brasileiras, onde diferentemente, o voto é obrigatório. Citam o desabastecimento, semelhante à época do cruzado, quando as indústrias e o comércio se organizavam para fazer desaparecer os produtos das prateleiras, terror da Sunab, extinta propositalmente ou no resultado do “lockout” atual dos caminhoneiros.

Enquanto os noticiários divulgam mazelas, inflação astronômica, regime conturbado, oposição sistemática, o governo se mantém lubrificado, e na Argentina, uma economia neoliberal pujante  busca o FMI, apesar dos calotes, uma  política que atrelará o povo ao endividamento. A dívida externa em relação ao PIB brasileiro e venezuelano era igual a 13% (2010) e, hoje, nossa taxa de desemprego estimada é de 51% (3º trimestre de 2018), enquanto a previsão venezuelana é de 27% para o ano.

O medo viralizado de o Brasil se tornar uma Venezuela ou  outros vizinhos jamais se concretizará de fato, porque esses países têm identidades próprias, históricos de lutas contra as oligarquias e a exploração social. Eles dão valor às conquistas sociais e ao orgulho nacional (Cuba), lutam contra as drogas e o terrorismo (Colômbia), abominam a exploração do solo e das águas (Bolívia), encontraram o caminho do desenvolvimento (Paraguai), escolhem a harmonia nas negociações (Uruguai) ao aconselhar que a retaliação à Venezuela acarretaria problemas econômicos indistintamente.

Aqui, não se trata de defender esse ou aquele país, um ou outro regime, ou ser contra qualquer mandatário e, sim, de uma reflexão sobre “não meter o bedelho onde não se é chamado”, ou seja, respeitar a soberania alheia. 

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