Campo Grande - MS, terça, 14 de agosto de 2018

OPINIÃO

Luiz Fernando Mirault Pinto:
"... e dá-lhe Temer"

Físico e administrador

21 SET 2017Por 01h:00

A todo momento, grupos que não se veem representados pela figura encarnada na direção do País, com ressentimentos da perda de poder e das oportunidades políticas em função da derrota eleitoral passada, ou mesmo das falsas expectativas criadas a partir do impeachment, movimentam-se para barrar as ações das reformas administrativas (sic!) propostas para a recuperação da economia. 

Por meio da divulgação de “malfeitos”, acusações gratuitas, arremedo de denúncias, vazamentos de diálogos supostamente comprometedores, indícios voláteis, empreendendo todos os esforços e invocando todas as possíveis maneiras de afastá-lo do poder; proposição de impeachment, convencimento de renúncia, convocação de novas eleições, quiçá a deposição, de tão aparvalhada é a insatisfação, esperam, tal qual lembrado recentemente o personagem “Américo Pisca-Pisca” (M. Lobato), reformarem senão a natureza, pelo menos o comando da nação.

Nessa sanha, desvelam o desrespeito, fruto da intolerância e do preconceito, ambos travestidos de indignação, na replicação de posts jocosos, indecentes, inapropriados, ou em palavras de ordem, chavões e injúrias proferidas contra as autoridades e, em especial, ao chefe da nação e do governo, quer do gosto ou não. Talvez essa confusão entre desrespeito às autoridades constituídas e livre expressão ou manifestação resulte do rescaldo de uma época recente de repressão.

Para o governo, o que importa é a agenda, sendo verdadeira, factível, surreal ou não, e diz que as reformas resolverão o maior problema do Brasil, a economia. Para os reformadores do mundo, o entrave é a corrupção e apostam que ela será debelada à custa de investigações e processos judiciais “ad aeternum”, com auxílio de delatores, réus confessos, já alçados a heróis nacionais, e da penalização de empresas paralisando o País.

No entanto, a agenda necessária do momento é o resgate da credibilidade da cidadania, da identidade, da política, do povo e da nação, respectivamente. Tudo principia colocando as coisas nos seus devidos lugares: empresários, empreiteiros e políticos corruptos, no xilindró, ouvir com ressalvas as notícias seletivas e manipuladas, interpretando as entrelinhas e a quem interessa o desmonte da democracia, e a mútua interferência entre os poderes da República.  

De todas as declarações presidenciais, aquela que poderia lhe dar o fôlego para chegar ao fim do mandato era o compromisso de levar às barras dos tribunais o empresário que não só o ofendeu como  continua causando danos irreparáveis ao Brasil, em busca de uma retratação e reparação financeira, resultado de desfalques, desvios, esquemas, arremedo de dumping, cartel, escândalos, negociatas e outras práticas ilegais e espúrias, como enriquecimento duvidoso e cuja responsabilização está, até o momento, “por conta do Abreu”. Não deu certo! 

Dá-lhe Temer, que seria uma expressão a princípio entendida para apoiar uma vitória contra as acusações de corrupção passiva, serve para contraposição àqueles que esperavam tomar o poder após o impeachment, pensando que ele “largaria o osso”. Temer é Temer, não é PMDB e nunca foi PT (como querem alguns). Ele sabe que o Brasil sobreviverá com ele ou sem ele. Seu pensamento e seu programa nunca foi o do PT, muito menos da esquerda, e sua figura se prestou apenas para a união política de coalizão necessária para governabilidade, até que os patrões do Brasil se viram sem espaço no governo.

As reformas são apenas tiros de morteiros anunciando que, mais uma vez, o ônus dessa balburdia política caberá à população, e o bônus aos que antes estavam de fora da administração e que, aos poucos, voltam e rateiam os cargos. O verdadeiro jogo (neoliberal) está em colocar tudo à venda, justificando o deficit público por conta dos aposentados, dos funcionários públicos, e pela demora nas reformas administrativas preconizadas. 

Sugiro que todos os brasileiros abram a mão de R$ 20 e não de R$ 10,00 no salário, como já aventado, em troca da vacância presidencial, da compra do cargo, antes que comercializem tudo pelo caderno dos classificados dos jornais, onde ainda encontraremos a venda das águas, dos aeroportos, do pré-sal, das minas, das reservas indígenas, das terras minerais, incluindo a luz, sem contar que já somos vendidos como mão  de obra barata pela reforma trabalhista proposta.

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