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ARTIGO

Luiz Fernando Mirault Pinto: "Cara de pau"

10 JUN 19 - 02h:00

Muita gente teve a oportunidade de conhecer a estória do boneco de madeira que queria virar menino de verdade. Chamava-se Pinóquio, saído de um romance clássico da literatura infantil italiana (C. Collodi - 1881) em que conta o desenvolvimento de um boneco na busca de torna-se humano.

Essa narrativa passou ao imaginário popular após 1940, com o lançamento de um desenho animado em longa metragem dos estúdios Disney, onde eram destacadas as virtudes, os defeitos, a busca do sonho, a curiosidade e a autonomia de um “menino” (que pensava e tinha uma esperança) apesar de preso a um “boneco de pau”, sendo essa a minha interpretação invertida. 

O conto, a partir da adaptação animada, ressalta como maior defeito da marionete, a mentira, que se revela a partir do crescimento do seu nariz como contraponto aos valores e as convenções sociais.

Salienta que Pinóquio não “dá ouvido” , faz o que quer , é ingênuo a ponto de ser desviado dos seus objetivos por maus elementos (João Honesto, Gedeão) com a ideia de que a felicidade estaria em ser famoso e rico; é induzido a não estudar e convencido frequentar a “ilha dos burros”, onde os meninos avessos ao estudo adquirem feições de burros, inicialmente crescendo as orelhas e os rabos. 

Seu criador, o marceneiro Gepeto, que sonha um dia ver sua criação assemelhada a um menino é então visitado por uma fada capaz de dar os movimentos e uma consciência (o grilo falante) repetindo o certo e o errado para que não se desvirtuasse na vida, na busca de uma mágica para transformá-lo em um ser humano. 

O cenário desse romance infantil é hoje revisitado pelo personagem eleito para governar o país, alçado por seus correligionários à imagem de “mito” soteriológico (ligado à salvação, a libertação das maldições, ou de um perigo iminente, no caso a corrupção e o comunismo, ou seja, uma lenda em pleno século XXI). 

A estória se repete, o apelo está na mentira dos dois protagonistas um menino de madeira que tenta falsear sua consciência, o grilo, sobre as ações certas ou erradas e o outro, um homem com mentalidade infantil iludindo seus seguidores sobre os reais objetivos que o movem na direção do país. 

Nas bandas de cá, simbolicamente temos esse personagem assemelhado, mas de um menino preso ao corpo “adulto cabeça de vento” que gosta de armas, que não ouve conselhos, faz o que quer, tem na “baleia” sua afirmação, no “fuxico” a comunicação, e “caraminholas” no lugar da consciência que contrariam as normas sociais.

Não é afeito a cultura educacional, sua ideia de formação educacional necessária e suficiente se restringe a “regra de três simples”, a “fórmula da agua (sem a liberação dos agrotóxicos e seus resíduos)” e a importante “tabuada de sete vezes oito”.

Não consegue se desvencilhar dos seus três nocivos conselheiros, a raposa, o gato e o menino-burro, que tuitam asneiras como manutenção perene da vida na ”ilha dos burros”, que se estende a uma “tropa” de gestores escolhidos com base em suas titulações duvidosas.

Apesar de alertado sobre Stromboli, um especialista em manobrar financeiramente marionetes chilenas, que vê a oportunidade de vender ativos e fazer uma capitalização privada na terrinha como forma de fazer dinheiro, mas capaz de prender o “menino” em uma gaiola dourada como refém do sistema financeiro por conta de reformas antissociais.   

Enquanto o boneco de pau gera uma expectativa esperançosa entre os leitores para que atinja seu desejo de tornar-se menino bom, o “cara de pau” nem sabe com entrou para história, cognominado de ”mito”, na verdade um mitômano, que conta mentiras fantasiosas, que é imaginativo, sabendo conscientemente que seu enredo é “fake” e relacionado à sua imaturidade, alimentando medos de conspirações, produto da falta de atenção, da frustração, do receio de enfrentar criticas, ou assumir decepções. 

O “picolino” consegue fugir da escuridão da ignorância representada pelas entranhas da baleia, mas nosso protagonista mergulha privilegiando uma trupe de comandados capazes de apresentarem diariamente palermices diversionistas que ocupam os noticiários do vazio. 

Daí, constatamos que as relações sociais tornam-se cada vez mais supérfluas, e que as pessoas deixaram de ter opiniões próprias sendo dependentes de noticias dissimuladas, de textos rasos produzidos por uma rede imbecilóide de incapazes de pensar e mantendo aprisionada a felicidade tentando nos transformar em eternos “bonecos de pau”.

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