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ARTIGO

Luiz Fernando Mirault Pinto: "Busca implacável"

Físico e administrador

8 JAN 19 - 02h:00

A exemplo da série assim intitulada, uma continuidade de ações esfuziantes retratadas por um ex-agente da CIA possuidor de habilidades especiais que empreende uma “caçada” a cada filme a inúmeros vilões, no Brasil, a partir de 2014, tornou-se comum as diligências, as investigações, a caçada, o cumprimento de mandado aos contraventores, aos corruptos, aos envolvidos com práticas criminosas, como desvios, elisão, e lavagem de dinheiro, visando impedir a continuidade ou reincidência delitiva, e a aceleração das ações judiciais, na intenção de dar resposta à onda de moralidade social e a sanha punitiva que assola o País de modo implacável.

Este cenário povoa os noticiários televisivos, carreando índices de audiência para as emissoras ávidas em conquistar a curiosidade e o ódio latente dos espectadores de ver “o oco dos outros”.  E, assim, um recorde recente se deve não propriamente à apresentação do médium acordado entre a defesa e as autoridades, mas a espetacularização de sua “captura”, após ter sido considerado foragido com o desfecho de três dias de procura incessante em diversos locais, sítios e domicílios possíveis de encontrá-lo em atenção a vinte mandados de busca e apreensão relacionados a denúncias contra o “líder espiritual”, sendo complementadas com a descoberta de malas com dinheiro, armas sem registro, pedras semipreciosas, cercando os procedimentos pelos “sete lados”.

Na mesma sina, o italiano ex-militante de esquerda, alvo de mandado de prisão, vivendo no País, onde tem filho, e agora considerado foragido tem ao seu encalço polícias nacional e internacional, não tendo sido localizado para atender a uma extradição solicitada pela Itália e expedida pelo governo, apesar de controvérsias jurídicas, como a revogação de decreto presidencial anterior, a existência de um filho brasileiro lhe assegurando direitos jurisprudenciais de permanência como imigrante e não refugiado. Apesar dos pesares, as autoridades continuam suas tarefas de averiguações e conclamam a população a “delatar” seu paradeiro, por meio da divulgação de fotos do fugitivo com possíveis disfarces a considerar como nos cartazes de “Reward” do tempo do faroeste americano.

Na escalada da busca implacável, de modo a elucidar o processo (sigiloso) do autor de atentado a faca em campanha eleitoral, preso incomunicável (?) e na intenção de se descobrir quem arca com os custos da defesa, uma operação foi empreendida em domicílio e empresas ligadas à banca do seu advogado, confiscando celulares e computadores, ações essas consideradas por juristas e associações de classe como uma afronta à inviolabilidade do sigilo profissional, ao emitir notas de repúdio, considerando uma aberração jurídica e inconstitucional contra o livre exercício da advocacia criminal violando assim o estado democrático de direto. Acredita-se ainda na dúvida processual em que o ato foi cometido a mando de terceiros quando o processo policial concluiu que o agressor agiu por conta própria.

A busca interminável dos mandantes do atentado à vereadora do Rio e de seu motorista cujas investigações são mantidas também em sigilo, após informações vazadas pela grande mídia, acusada de atrapalhar a elucidação do crime, é cercada de muitas reviravoltas envolvendo milicianos, opositores políticos, desafetos, grileiros e posse de terras, palco ideológico, federalização do caso, divergência entre autoridades, troca de equipes, tudo em meio às medidas da intervenção federal.

Contrariamente às buscas implacáveis, existem as benevolentes ou tolerantes relativas ao assessor da vereança carioca cuja entidade financeira governamental (Coaf) informa a frequente movimentação de dinheirama duvidosa, captada supostamente de forma ilícita de colaboradores à custa do falido governo estadual do Rio, desviando salários e funções, em benefício de um mecenas ainda não identificado em caixa 2. O não comparecimento após duas notificações para apresentação às autoridades e esclarecimento desses fatos justifica-se que tal assessor encontra-se internado, em “local incerto e não sabido (Lins)”, o que, nesse caso, caberia não só uma busca implacável no escritório dos seus advogados, como a prática da condução coercitiva dos envolvidos.

Na esteira dos seriados “Busca Implacável 1, 2, 3, 4”, muito entretenimento vivenciaremos para o ano, desde que a mídia corporativa se empenhe mais em elucidar a verdade do que na espetacularização  das  buscas.  

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