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Campo Grande - MS, quarta, 14 de novembro de 2018

OPINIÃO

Luiz Fernando Mirault Pinto:
"Baleia azul e as reformas"

Físico e administrador

9 AGO 2017Por 01h:00

Notícias circularam na web sobre um “jogo” virtual que induzia os jovens  a um desafio, por meio de aplicativos de mensagens, sendo o nível máximo conquistado com o suicídio, uma autoeliminação real.   

Para alguns, a relação jogo-suicídio foi remotamente considerada e acreditam que não seriam comandados por pessoas reais; as ordens e o desenvolvimento das tarefas desafiantes seriam dirigidos por robôs, uma vez que existe um padrão na comunicação que se assemelha aos bots, programas viróticos, que simulam ações repetitivas de características dos humanos. Infectando a máquina e submetendo os usuários à orientação de invasores, eles a tornam um veículo de mensagens indesejáveis, anúncios, e passível de revelar códigos armazenados, senhas e informações confidenciais.

Especialistas admitem um padrão simples de ação que envolve um número pequeno de variáveis assemelhado aos existentes no mercado de consumo, utilizando-se basicamente de perguntas e respostas, no caso deste jogo, 50 tarefas.

Associar a possibilidade de automatização das relações sociais e o reflexo do comportamento patológico humano é uma ideia surreal, do mundo da ficção, uma história criada a partir da imaginação, irreal, mas absurdamente plausível porque a realidade cibernética já trata da robótica (máquinas vivas, direcionadas às tarefas produtivas dos seres humanos); da inteligência artificial (o uso de máquinas na execução autônoma de ações humanas), e da computação cognitiva (treinamento de um sistema operacional baseado na geração de conhecimento, da interpretação, extração do significado dos dados e do tratamento de informações relevantes).

Perscrutar as redes sociais em busca de lacunas, informações, identificar usuários fragilizados, massa de manobra insatisfeitas, promover conflitos e convulsões são possibilidades reais no campo virtualizado. Existe uma relação entre possível, real, virtual e atual que se apresentam diferentemente de acordo com o fenômeno em que atuam.

Os jovens com o acesso a web acreditam que podem se manifestar protegidos pelo anonimato ao se relacionarem com o desconhecido, embora movidos pela curiosidade, pela competitividade, pelo desafio desconhecem os riscos e a própria vulnerabilidade frente ao mundo insólito e passam a sentir-se excluídos dos grupos e suas virtudes.

Naturalmente, a preocupação inicial se dirige aos jovens, embora não devamos descartar a todos que têm atração e predisposição pela distopia, (contrario da utopia - filosofia de uma sociedade ideal, a ponto de ser fictícia). A distopia se caracteriza pela atração mórbida, pela destruição, enfermidade social coletiva produzida pela opressão, autoritarismo, e controle da sociedade que passa a se apresentar corruptível e anômica, sem organização e regras, levando ao adoecimento psíquico com o aumento crescente de psicopatas.

Os envolvidos com o jogo relatam que no seu decorrer, ameaças são prometidas caso haja desistência, levando-os a seguir em frente com medo de represálias, promessas e prognósticos negativos. Quem já tem experiência de vida sabe que o medo é a arma do controlador. 

Analogamente ao jogo, o cenário sociopolítico atual também estaria ameaçado pelo presságio negativo incutido na população, justificando a necessidade e a urgência das reformas administrativas, institucionais e estruturais propostas: risco do fim da aposentadoria num futuro próximo, onde deixaria de existir a manutenção de benefícios, em função de um suposto e duvidoso deficit previdenciário; a garantia do emprego ameaçada e o aumento do desemprego no porvir a exigir a reforma trabalhista; a terceirização como remédio para o desenvolvimento; o engodo do controle inflacionário beneficiando a população por meio do aumento de juros favorecendo bancos e rentistas; as medidas restritivas aos gastos públicos divulgados como independentes dos investimentos dos programas sociais. Numa escala maior que a do jogo, essas ameaças que sujeitam a sociedade a pressões negativas podem levar ao suicídio da democracia à semelhança do comportamento da baleia azul (mamífero) que escolhe morrer na praia e levando outras ao mesmo fim.

Da mesma maneira que os jovens podem ser envolvidos em desafios absurdos de um suposto jogo, a população vem sendo submetida a falsas propagandas e promessas incorrendo no mesmo perigo ao colocarem seu futuro nas mãos de políticos desacreditados. 

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