Campo Grande - MS, quarta, 15 de agosto de 2018

OPINIÃO

Luiz Eduardo Silva Parreira: "Mato Grosso do Sul: Heróis, glória e tradição!"

Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul e da ADESG/MS

29 SET 2017Por 01h:00

Todos os anos, eu aguardo os suplementos especiais que saem nos jornais de Mato Grosso do Sul em homenagem ao aniversário de criação do Estado. São uma fonte fantástica de registro histórico, pois esses suplementos refletem o zeitgeist – o espírito do momento – do Estado naquele ano.

A despeito desses 40 anos, em 2017, sua história está ligada à de Mato Grosso uno de maneira indelével, o que faz com que chegue a ter registros históricos que remontam ao século XVIII, por exemplo.

Na era do drone, do YouTube, das mídias sociais, tornou-se imperioso que materiais fossem preparados para esses meios, para a comemoração do 11 de outubro. E muita coisa boa já se fez!

Porém, cabe aqui uma observação: alguns materiais passaram ao largo da presença de uma das instituições que mais contribuíram para a formação histórica de Mato Grosso do Sul: as Forças Armadas. Dos materiais que vi, mostraram cenas do Estado e algumas cidades, mas nenhuma palavra sobre o Forte de Coimbra!

As terras do hoje Mato Grosso do Sul só são Brasil por conta da resistência capitaneada pelo coronel Ricardo Franco – o mesmo citado no hino de Mato Grosso do Sul –, em 1801, depois de ter resistido a 9 dias de cerco espanhol: de 16 a 24 de setembro!

Mais tarde, o Forte foi palco do primeiro choque de armas da Guerra do Paraguai, quando a esquadra paraguaia o atacou, em 27 de dezembro de 1864. Está no Forte a imagem sacra mais antiga em terras sul-mato-grossenses, a de Nossa Senhora do Carmo, a mesma que fez os combatentes pararem de lutar, durante o segundo dia de ataque paraguaio, em 28 de dezembro de 1864, e que acompanhou os resistentes do Forte de Coimbra, a bordo da canhoneira da Marinha do Brasil, Anhambaí, quando desocuparam-no e rumaram para Corumbá. O então tenente João de Oliveira Melo, o Melo Bravo, que se destacou nos combates corpo a corpo, nas muralhas do Forte, foi quem levou os civis corumbaenses, Pantanal adentro, até Cuiabá, e depois retornou, para ajudar na reconquista de Corumbá e reocupar o Forte. Como não mostrar uma imagem sequer desse baluarte?

O mesmo sobre Aquidauana. Palco lembrado pela Retirada da Laguna, mas que também é a casa do 9º Batalhão de Engenharia de Combate! A única Unidade de Engenharia que compôs a Força Expedicionária Brasileira – FEB – que lutou e venceu, nos campos da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, sendo a primeira unidade brasileira a entrar em combate, naquele conflito! Os celeiros de fartura sul-mato-grossenses só foram possíveis por conta dos quartéis, como os de Aquidauana, criados no início do século XX, para darem a segurança necessária aos brasileiros que vieram morar nas terras ao sul do rio Correntes.

A história é feita do conjunto das ações e obras de pessoas, em um determinado momento. É importante não nos esquecermos daqueles que trabalharam, lutaram e morreram para que hoje possamos comemorar 40 anos. Agindo assim, tornaremos sempre viva a estrofe de nosso hino, na qual assevera sermos uma terra de “Desbravadores, Heróis (…) Glória e Tradição”. Parabéns, Mato Grosso do Sul!

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