Quinta, 14 de Dezembro de 2017

OPINIÃO

Luiz Carlos Pais: "Diário Oficial do Governo Constitucionalista de 1932"

Professor aposentado

17 MAR 2017Por 01h:00

Este artigo registra traços da história de Mato Grosso do Sul, no contexto da Revolução Constitucionalista iniciada em 9 de julho de 1932, cujos conflitos duraram três meses. Trata-se de um recorte pontual para focalizar a trajetória do Diário Oficial do Estado de Mato Grosso, lançado em 28 de julho do mesmo ano, em Campo Grande, para divulgar os atos do governo revolucionário instalado, provisoriamente, no prédio da Loja Maçônica Oriente Maracaju, na Avenida Calógeras. 

Dados oficiais indicam a morte de quase mil combatentes, enquanto outras fontes mencionam o dobro. O principal pleito dos revolucionários era a convocação de uma Assembleia Constituinte, visto que o presidente Vargas estava governando, por decreto, desde 1930. O movimento recebeu apoio de lideranças políticas e militares do sul de Mato Grosso, sob o comando do general Bertoldo Klinger.

O referido Diário Oficial foi imprenso, entre 28 de julho e 1º de outubro de 1932, na tipografia do Jornal do Comércio, de Campo Grande. Esse último periódico, propriedade do advogado Jaime Vasconcelos. Nesse mesmo quadro histórico, foi publicado outro jornal campo-grandense, o Diário, de propaganda constitucionalista, gerenciado por Antônio Knippell e redação de Inácio Camargo, trazendo em epígrafe uma exaltação aos valores da Constituição, como proteção e abrigo da liberdade.

O editorial de lançamento do Diário Oficial publicou mensagem do governador Vespasiano Martins, dirigida aos mato-grossenses, explicando as razões que o levara a aceitar o cargo por indicação do general Klinger. O governador destacou que sentia ser essa a vontade geral do povo, mesmo sentimento que o levara a deixar em plano secundário sua vocação pessoal pela Medicina, para poder assumir, de corpo e alma, o compromisso social pela luta política daquele momento.

“Integrado na Revolução, fui trazido de São Paulo para a administração de Campo Grande, que na sua desorganização era o reflexo de todo o Estado. Agi de acordo com os princípios revolucionários. E ao embrenhar-se a Ditadura pelo caminho errado, organizando uma política que viria a acabar com o Brasil, alistei-me ao lado dos que exigiam a constitucionalização como medida salvadora da República, o regime da lei, as garantias do direito, de acordo com as nossas tradições seculares.”

Diante dos desdobramentos do movimento, Vespasiano declinou o governo do município e aceitou o convite para assumir o governo constitucionalista. Destacou ainda que a população do Sul havia aderido à cruzada patriótica, acreditando no apoio de valorosos elementos do Norte, para que unidos pudessem levar a contribuição de Mato Grosso ao laborioso povo de São Paulo. Ao finalizar a mensagem, assim se expressou: “Pela continuidade da nossa Pátria. Pela unidade do Brasil. Pela guarda do nosso patrimônio moral. Pala segurança diante dos desafios da nossa nacionalidade. O coração, a vida pela salvação do Brasil”.

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