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OPINIÃO

Leila Krüger: "O que as Eleições nos dizem sobre Educação no Brasil"

Escritora e jornalista
27/08/2018 01:00 -


Recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral – TSE – divulgou sua mais recente pesquisa sobre o perfil do eleitorado brasileiro.Dos 147 milhões de eleitores aptos a votar no dia 7 de outubro – quase 4 milhões e meio a mais que em 2014 (52,5% mulheres, 7 milhões e meio a mais que homens) –, mais de 6 milhões e meio são analfabetos, ou seja, 4,463%. Exatamente 32,653% do eleitorado tem apenas Ensino Fundamental completo (6,809%) ou incompleto (25,841%). Já o Ensino Médio foi completado por 22,862%, e 16,880% não chegaram a terminá-lo. Apenas 9, 216% dos eleitores brasileiros contam com Ensino Superior completo, e 4,965%, incompleto. Por fim, mínimos 8,925% leem e escrevem. 

Estes dados são alarmantes: restritos 14,181% do povo brasileiro teve ou tem acesso ao Ensino Superior; cerca de 37% da população sequer chegou a cursar o Ensino Médio, quase 5% são analfabetos e menos de 10%, capazes de ler e escrever. De cada dez eleitores no Brasil, sete completaram no máximo o Ensino Médio e um completou o Ensino Superior. 

O Brasil é um dos países que menos investe nos ensinos Fundamental e Médio, e se encontra nas últimas posições em avaliações internacionais de desempenho escolar (Secretaria do Tesouro Nacional, 2018), apesar de a despesa federal em Educação ter passado de 4,7% para 8,3% entre 2008 e 2017, o que representa um aumento de 1,1% para 1,8% do PIB. Quanto ao Ensino Superior, Temer anunciou um possível corte de R$ 580 milhões nas bolsas da Capes, o CNPq terá projetos limitados e a Finep não estará apta a cumprir seus compromissos. O investimento em ciência no Brasil é de apenas 1,2% do PIB. Em compensação, haverá aumento de 16,38% para ministros do STF em 2019, um impacto de 717,1 milhões em todo o Judiciário, o que significa mais do que todo o investimento do governo no projeto Mais Alfabetização, que é de apenas R$ 523 milhões.

Resumindo, gastamos pouco com os ensinos Fundamental e Médio, que são de baixa qualidade a exemplo de boa parte do Ensino Superior, o qual é inatingível para a imensa massa. Educação não é prioridade no Brasil, mas sim a manutenção da dispendiosa e burocrática estrutura política por meio de barganhas e altíssimos impostos. Assim fica difícil ter um país mais consciente e socialmente responsável, que possa, através do voto, se renovar. 

Felpuda


Alguns políticos estão se aproveitando deste momento preocupante de pandemia para sugerir projetos oportunistas que, em alguns casos, são de resultados extremamente duvidosos. O mais interessante – para não dizer outra coisa – é que se for analisado o desempenho normal dessas figuras, verifica-se que essa preocupação toda nunca esteve no topo das suas prioridades. Ano eleitoral é assim mesmo. Lamentável!