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Campo Grande - MS, segunda, 17 de dezembro de 2018

CORREIO DO ESTADO

Leia o editorial desta terça-feira:
"Alerta de preservação"

17 ABR 2018Por 03h:00

Quem vê o Pantanal nas exuberantes imagens aéreas pensa não haver problemas. O que poucos sabem é que o assoreamento aumenta a cada dia.

Por ser um lugar pouco habitado e de beleza divulgada em todos os lados do planeta, o Pantanal é daqueles lugares que quem não vive lá só conhece a parte boa. Ecossistema único, com flora e fauna exclusivas, a planície é um dos principais destinos de ecoturismo do mundo. Não são poucos os documentários que mostram animais como onças-pintadas, ariranhas e tuiuiús, muitas áreas alagadas, em um cenário que, de tão parecido com uma pintura, é um colírio para os olhos de qualquer pessoa. 

A questão é que pouco se fala dos riscos aos quais o Pantanal está submetido. O principal deles, sem dúvida, é o da perda iminente de suas características. Reportagem publicada nesta edição mostra que, pelo menos, 20 importantes cursos d’água da Bacia do Alto Paraguai correm risco de assoreamento. Entre eles, rios essenciais para Mato Grosso do Sul, como o Miranda e o Aquidauana. Do Taquari, já nem precisamos falar mais nada, infelizmente. Este foi a primeira vítima dessa transformação. 

Entre as causas atribuídas ao assoreamento dos rios, estão o despejo de esgotos sanitários, a exploração de minérios e o manejo inadequado do solo pela agricultura de larga escala e pela pecuária de corte. Características que demonstram que, primeiramente, é preciso conscientizar os produtores e proprietários de terra envolvidos diretamente nesse processo. O segundo passo é reforçar a fiscalização por parte de organismos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).

Antes dessas duas ações, porém, é preciso que toda a sociedade se conscientize da importância da preservação. Sim. Muitos já têm essa consciência, mas não sabem como usá-la. Já há algumas décadas, o uso sustentável dos recursos naturais não vai além do discurso.

Quanto à fiscalização, é preciso cobrar a implantação das áreas de preservação permanente nas propriedades, conforme previsto no Código Florestal. Além disso, os sindicatos rurais devem manter viva a cultura do “homem pantaneiro”. Esse conhecimento, passado de geração para geração, está se perdendo. A maioria dos descendentes de pantaneiros mora na cidade e pouco entende do funcionamento do ecossistema. Para que a proteção do meio ambiente vá além do discurso e das redes sociais, é preciso mais ação das autoridades e mobilização das pessoas. Levando em consideração a importância da água, parece que estamos cometendo um suicídio coletivo. Quem vê o Pantanal pensa que há muita. E de fato há. O que poucos sabem é que o assoreamento aumenta a cada dia, até o momento em que a água será pouca ou mal distribuída pelo ecossistema.

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